Após 12 partidas sem vitória, incluindo duas derrotas para as Ilhas Faroe, a Grécia adquiriu aquele sentimento, naturalmente equivocado, mas normal em momentos de desespero, de que nunca mais conseguiria ganhar um jogo. Até que, neste domingo, a seleção comandada pelo interino Kostas Tsanas, o terceiro técnico desde a Copa do Mundo, conseguiu finalmente sair de campo feliz, e foi em um eletrizante 4 x 3 com a Hungria, pelo grupo F das Eliminatórias para a Eurocopa.

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Foi o último jogo de uma campanha em busca de vaga na próxima Eurocopa em forma de tragédia grega que o povo do país queria que terminasse com mais urgência do que as negociações com a União Europeia. A Grécia foi derrotada seis vezes, empatou três partidas e venceu apenas esse jogo contra os húngaros. Ficou com seis pontos, o mesmo número que as Ilhas Faroe conseguiram, e está na lanterna porque perde no confronto direto. Afinal, foi derrotada duas vezes pelo arquipélago com 50 mil habitantes ao norte do Reino Unido.

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Os resultados da Grécia desde o começo da Copa do Mundo: 12 jogos sem vencer entre os jogos contra a Costa do Marfim e Hungria

Tsanas, 48 anos, assumiu a bronca dessas últimas partidas do ano depois que Sergio Markarián pediu demissão, em agosto, encerrando um trabalho de apenas seis meses no cargo. Markarián havia sido contratado para o lugar de Claudio Ranieri, que foi demitido depois da primeira derrota para as Ilhas Faroe. O uruguaio saiu correndo um mês depois da segunda.

O interino tenta renovar a equipe e convocou alguns jogadores que tinham pouca experiência com a seleção, mas gozam de juventude, como o lateral esquerdo Kostas Stafylidis, do Augsburg, e o meia Panagiotis Tachtsidis, do Genoa, que marcaram dois dos quatro gols da Grécia contra a Hungria. Isso sem falar em atletas com ainda menos jogos pelo time nacional. A média de idade da convocação de Tsanas para as partidas contra a Irlanda do Norte e a Hungria, neste mês de outubro, foi de 26,2 anos, inferior aos 27,8 do elenco da Copa do Mundo.

Foi, inclusive, no Brasil que a Grécia havia conseguido a sua última vitória antes deste domingo. Ganhou da Costa do Marfim, por 2 a 1, em 24 de junho de 2014, pela fase de grupos do Mundial. Empatou com Costa Rica e foi eliminada nos pênaltis antes de entrar no espiral descendente de resultados que incluiu sete derrotas e quatro empates, contando partidas das Eliminatórias para a Eurocopa e amistosos.

Mas Stafylidis abriu o placar, aos 5 minutos, no estádio Georgios Karaiskakis, em Pireu. A Hungria virou com Lovrencsics e Nemeth, mas Tachtsidis empatou para os gregos. Nemeth marcou mais um e fez 3 a 2, aos 30 do segundo tempo. Aos 34, Mitroglou igualou o placar, e aos 41, Kone concretizou a primeira vitória da Grécia em mais de um ano, com um resultado que evidencia um estilo de jogo mais aberto e ofensivo, em relação ao pragmatismo de outros tempos. E a torcida espera que ele também seja o início de uma bem sucedida renovação.