O Rennes não faz uma campanha que mereça grandes atenções na Ligue 1. Os rubro-negros ocupam o modesto décimo lugar, a sete pontos da zona de classificação às competições europeias. Estão nas semifinais da Copa da França, apesar da eliminação para o claudicante Monaco na Copa da Liga. E nem foram tão bem assim na fase de grupos da Liga Europa, com nove pontos conquistados em uma chave fraca. No entanto, a equipe demonstra o seu máximo potencial nestes mata-matas. Primeiro, eliminou o embalado Betis com duas grandes atuações ofensivas, castigando as fragilidades dos espanhóis. Agora, nas oitavas de final, dá um passo fundamental para superar o Arsenal. Dentro do Roazhon Park, os franceses venceram por 3 a 1, de virada. Um resultado determinado pelas circunstâncias, mas que torna a missão dos Gunners bem mais difícil do que a encarada contra o Bate Borisov, quando também perderam a ida.

Era uma ocasião especial para o Rennes. Afinal, a torcida se reencontrava com Petr Cech, antigo ídolo do clube. O goleiro despontou com os rubro-negros antes de se mudar ao Chelsea e teve uma grande recepção em sua volta ao Roazhon Park – com direito a faixa em sua homenagem, aplausos e cânticos com o seu nome. Porém, não seria uma partida fácil ao veterano. Por mais que o Arsenal tenha saído em vantagem, acabou pagando as consequências na virada dos anfitriões.

O Arsenal não demorou a sair em vantagem. Logo aos quatro minutos, Alex Iwobi marcou um gol na sorte. Bateu cruzado na lateral da grande área, em bola que mais parecia destinada como um cruzamento. Todavia, o tiro fatal seguiu em direção ao canto e o goleiro Tomás Koubek demorou demais a reagir, aceitando o tento. Os Gunners seguiram criando mais chances no primeiro tempo, até que o Rennes começasse a crescer e se aproveitar das fragilidades no meio-campo. Disposto a uma vingança particular contra Unai Emery, Hatem Ben Arfa estava inspirado. E os minutos anteriores ao intervalo foram desastrosos aos londrinos.

Com duas faltas na entrada da área, Sokratis Papastathopoulos recebeu dois amarelos e foi expulso. No primeiro lance punido pela arbitragem, aos 34 minutos, Ben Arfa forçou uma boa defesa de Cech. Mas o goleiro não teria a mesma felicidade na infração seguinte, ocorrida aos 42, para matar um contra-ataque. Benjamin Bourigeaud carimbou a barreira na cobrança, mas ficou com a sobra e mandou um míssil de primeira. Estufou as redes, sem qualquer chance de defesa ao veterano. Para “consertar” a sua linha de zaga, Emery chegou a deslocar Henrikh Mkhitaryan como lateral direito, repassando Shkodran Mustafi ao miolo.

A vantagem numérica empolgou o Rennes, que tomou o controle do jogo no segundo tempo e tentou sufocar o Arsenal. Cech ia tentando conter o bombardeio dos anfitriões, com ótimas intervenções. Todavia, a defesa londrina se esfarelava e o gol não demorou a sai, aos 20. Infelicidade de Nacho Monreal, que desviou um cruzamento contra as próprias redes e encobriu o goleiro. Os Gunners ainda tentaram sair mais para o jogo e o duelo ficou aberto, com os franceses mostrando que poderiam ampliar. Aos 34, Emery abriu mão de Pierre-Emerick Aubameyang para reforçar a defesa com Sead Kolasinac. Parecia conformado com a derrota, tentando evitar um prejuízo maior. O que não adiantou, com o terceiro tento aos 43. Contra-ataque fulminante dos rubro-negros, em que James Lea Siliki deu um cruzamento magistral para Ismaila Sarr completar de peixinho.

A situação adversa não é inédita para o Arsenal nesta Liga Europa. Mas, diferentemente do que aconteceu contra o Bate Borisov, a superioridade em relação ao Rennes não é tão acentuada. E a diferença de gols é maior para tentar a reversão do placar no Estádio Emirates. Será preciso cuidado também com a velocidade dos rubro-negros no ataque, algo fatal no duelo contra o Betis. A um clube que já faz sua melhor campanha na história das competições europeias, esta é a chance perfeita de eternizar a campanha, derrubando um dos favoritos ao título.