Juan Román Riquelme sabe o que futebol lhe deu muito. Títulos, dinheiro, fama, realização e, principalmente, a idolatria da torcida do Boca Juniors. Jogou ao lado de grandes craques e defendeu a seleção argentina. Tem também a consciência de que, ao escolher a carreira de jogador profissional, abriu mão de outras coisas. Aposentado, aos 37 anos, ele contou em entrevista à Fox Sports qual a grande pendência da sua vida.

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“Eu gostaria de ter terminado a escola”, afirmou. “Eu saía às 12h30, tinha que ir treinar em Bajo Flores e demorava duas horas e meia, quase sempre chegava atrasado. Terminei a sétima série e falei com minha mãe. Tive que dizer que achava que me tornaria jogador e que essa era a única maneira que eu poderia comprar uma casa para ela. Ela não gostou muito, mas, no fim, aceitou. Mas eu tive que prometer que nunca faltaria aos treinos”.

Mas ele não chega a ter arrependimentos. “Tive a sorte de jogar até os 36 anos, quase 37, e terminei minha profissão. Não pode aproveitar os fins de semana com meus amigos, mas foi a profissão que eu escolhi, com a qual eu sonhava. Se tivesse que voltar ao começo, faria tudo igual. Sou um sortudo. Não posso me queixar. Continuo vivendo no meu bairro, com meus amigos, os torcedores de outras equipes me tratam muito bem. É incrível”, disse.

Agora que terminou a carreira, Riquelme corre atrás do tempo perdido, principalmente com sua família. “Florencia já tem 17 anos, cresceu muito rápido. Ainda tenho Agustín e Lola. Esse ano foi muito lindo. Fui buscá-los no colégio todos os dias, estive nos aniversários, nos eventos da escola. Antes não podia fazer nada. Tenho que agradecer que as crianças nunca ficaram bravas e hoje em dia fico muito feliz de vê-los crescer. Espero acompanhá-los e que possam se tornar boas pessoas.