Não foi fácil. Nada que a torcida já não estivesse acostumada. O Atlético Mineiro sofreu um bocado para passar pelo Racing, mas conquistou a classificação às quartas de final da Copa Libertadores. E a vitória por 2 a 1 entra muito na conta de Lucas Pratto. O centroavante teve uma das melhores atuações com a camisa alvinegra, certamente a mais importante. Participou dos gols, correu, brigou, criou chances e até poderia ajudar a estabelecer uma vantagem maior, não fosse um pênalti perdido. Ao final, não fez falta, e também não diminuiu o excelente desempenho do argentino.

O empate por 0 a 0 em Avellaneda exigia uma vitória do Galo e inspirava cuidados na defesa. Pois o trabalho começou a ser feito graças a Pratto, aos 16 minutos. Em uma jogada de insistência, o centroavante cruzou para Carlos (a grande surpresa de Diego Aguirre na escalação) desviar para as redes. Todavia, outro nome pedia atenção do outro lado do campo: Lisandro López, justamente o responsável pela eliminação dos mineiros na Libertadores de 2015. Cinco minutos depois, o atacante tratou de buscar o empate, convertendo pênalti. E a partida permanecia aberta, com oportunidades para os dois lados.

Na volta do intervalo, Pratto terminou de decidir. O artilheiro mostrou o seu cartão de visitas com um chutaço que explodiu no travessão e Robinho não aproveitou o rebote. Só que, diante do jogo parelho, o argentino apareceu para resolver aos 26. Em cobrança de falta de Rafael Carioca na intermediária, ele saltou entre os zagueiros para desviar de cabeça. Já aos 37, Pratto desperdiçou a chance de encerrar a noite de maneira perfeita, batendo pênalti para defesa do goleiro Ibáñez. O erro custou a tranquilidade do Galo, que chegou a prender a respiração aos 41, em tentativa de Lisandro López que passou ao lado da meta de Victor. O último susto antes do alívio para a comemoração.

A eliminação de um peso pesado como o Racing revigora as credenciais do Atlético Mineiro na Libertadores, apesar das dificuldades. E reforça a importância de Lucas Pratto na equipe. Afinal, mais do que os lances vitais, ele impressionou pela vontade. Participou bastante da construção dos ataques e doou-se até na marcação – recebendo aplausos especialmente em um lance no segundo tempo, em que neutralizou o ataque do Racing arrancando e dando um carrinho. Esforço que vale de exemplo aos companheiros.

Agora, o desafio do Galo é um pouco mais delicado. O São Paulo cresceu na competição e vem com a confiança alta, independente da derrota para o Toluca no México. Duelo sem favoritos, embora a campanha dos atleticanos tenha sido mais regular até o momento. E a torcida confia que a tarimba nos mata-matas ao longo dos últimos anos se faça valer mais uma vez rumo à semifinal. Grandes desafios não têm sido suficientes para fazer o Atlético temer.