A Copa Verde encerrou sua sexta edição nesta quarta-feira. Apesar de “jovem”, poucas competições brasileiras parecem tão propensas a reviravoltas em suas decisões. O torneio, que possui outras boas histórias para contar, adicionou mais uma no Mangueirão. E se não foi uma finalíssima com tantos gols, ela primou pela dramaticidade. O Cuiabá arrancou a necessária vitória por 1 a 0 nos acréscimos do segundo tempo. Já nos pênaltis, buscou a virada nas alternadas, com o inacreditável triunfo por 5 a 4. Os mato-grossenses conquistaram o bicampeonato e provocaram uma enorme frustração ao Paysandu, que estava com o tri nas mãos.

O Cuiabá já tinha ótimas lembranças contra o outro gigante paraense. Em 2015, a derrota por 4 a 1 para o Remo se transformou em vitória por 5 a 1 na volta e levou o título ao Mato Grosso. O Paysandu, por sua vez, tentava fazer a balança pender ao lado positivo. Aquela decisão de quatro anos atrás foi a única em o clube que se ausentou. Esteve em todas as outras finais da Copa Verde, com títulos sobre Gama e Atlético Itapemirim, além de vices diante de Brasília e Luverdense.

O Paysandu se mostrava mais propenso a recuperar a taça e encaminhou uma ótima vantagem na visita à Arena Pantanal, com a vitória por 1 a 0, gol do artilheiro Nicolas. Um empate bastava no Mangueirão e o apoio dos 32 mil torcedores nas arquibancadas era um motivo a mais para o Papão acreditar no título. Tudo se arruinaria.

Superior no primeiro tempo, o Paysandu chegou a acertar a trave com Nicolas. Já na segunda etapa, os paraenses passaram a se resguardar mais na defesa, mas ainda assim ameaçavam com seus contragolpes. Aos 39, de novo Nicolas esbarrou no travessão. E o cruel ditado de que “a bola pune” se fez presente em Belém. Quando a torcida alviceleste já realizava sua contagem regressiva para comemorar, o Cuiabá anotou o gol da vitória. Aos 49, Escudeiro cobrou falta em direção à área e Paulinho desviou de cabeça para vencer o goleiro Giovanni.

Nem houve muito tempo para o Paysandu se recuperar do baque. O apito final decretou a definição do campeão nos pênaltis. Ednei perdeu a primeira batida do Cuiabá e permitiu que o Papão saísse em vantagem. Os oito cobradores seguintes converteram, até que o gol decisivo ficasse nos pés de Caíque.

Durante a cobrança, o zagueiro deu passos vagarosos rumo à bola. O zagueiro deu passos irritantemente vagarosos rumo à bola. Quando chegou à cal, recuou. Deu um passo para trás e só aí bateu. O goleiro saltou para o outro canto, mas o defensor alviceleste mandou para fora. Desperdiçou a chance de ouro, num dos penais mais ininteligíveis da história. E isso custaria caro. Logo depois, Felipe Marques fez na primeira alternada do Cuiabá e Nicolas ratificou que não era sua noite, estalando o travessão no tiro que deu a taça aos visitantes.

A torcida do Paysandu viveu a última parte de um ano especialmente sofrido, sobretudo pelo acesso que não veio na Série C. Quando poderia se reerguer da dolorosa derrota contra o Náutico, o Papão outra vez naufragou. E agora a culpa foi de seus próprios jogadores, não do árbitro. A situação é tão singular que a derrota desta quarta marcou o fim de uma invencibilidade de 22 jogos do técnico Hélio dos Anjos. Ele não perdia desde maio, quando assumiu o time. Mas, nas duas grandes oportunidades, a glória escapou por entre os dedos.

Quem poderá contar seu épico é o Cuiabá. Com uma campanha razoável na Série B, em que ocupa a parte de cima da tabela, o time de Marcelo Chamusca aproveitou o atalho que a Copa Verde oferecia. Com uma dose de sorte conquistou o segundo título e também se confirmou nas oitavas de final da Copa do Brasil de 2020. O torneio regional já desafiou os batimentos cardíacos de sua torcida com dois testes malucos. Mas, ao final, o destino sempre sorriu aos cuiabanos.