Virou rotina e, a bem da verdade, a empolgação já foi maior em outras ocasiões. Ainda assim, a grandeza da hegemonia que a Juventus constrói na Serie A é digna de exaltação: pela oitava vez consecutiva, a Velha Senhora conquista o Scudetto e se consagra como campeã italiana. O octacampeonato dos bianconeri era apenas questão de tempo e surpreendente mesmo foi não ter acontecido durante o final de semana anterior. Melhor assim, para os juventinos festejarem diante de sua torcida no Estádio Allianz e se refazerem da semana traumática na Liga dos Campeões. A Fiorentina até prometeu aprontar, ao abrir o placar em Turim e carimbar a trave duas vezes. Todavia, a virada por 2 a 1 permitiu à torcida da casa cantar mais alto. A história de amor reluz com uma nova taça.

A dinastia da Juventus, a maior da história do Campeonato Italiano, se normalizou. E não apenas por aquilo que deixou de surpreender. Também não houve um rival no encalço, como o Napoli do último ano, que garantiu emoção aos bianconeri. Da mesma maneira, o futebol exibido pela equipe de Massimiliano Allegri também esteve aquém de outras ocasiões. O time exibiu problemas e isso custou caro na Champions. Em contrapartida, os juventinos tiveram um grande craque para fazer a diferença sempre que necessário: Cristiano Ronaldo. A importância do camisa 7, adicionando o Scudetto à sua estante de conquistas, é inegável. São 19 gols e oito assistências ao protagonista da equipe, que engrenou no decorrer da caminhada.

No fim das contas, o jogo deste sábado retratou um pouco o que foi a campanha da Juventus nesta temporada. Com alguns percalços e alguns poréns, mas eficiente e dominante. A Fiorentina abriu o placar e começou melhor no duelo, apresentando a energia de quem desejava golear. A Velha Senhora buscou o empate antes do intervalo e, graças a uma boa jogada de Cristiano Ronaldo, alcançou a vitória. Massimiliano Allegri, querendo ou não, também possui os seus méritos. Nesta noite, por mudar a formação do time e controlar as dificuldades. Na campanha, por acertos pontuais e permitir o desenvolvimento de alguns jogadores promissores. De qualquer forma, está abaixo do que se espera. Entre um elenco que não se mostra suficiente, as insistentes lesões e as lacunas táticas, a Velha Senhora não deu seu passo rumo à evolução. E esta evolução, sem sombra de dúvidas, é a conquista da Champions.

Ao menos, a superioridade na Itália continua gritante, mesmo que a Fiorentina tenha tentado se aproveitar do trauma causado pelo Ajax. O gol da Viola aconteceu logo aos seis minutos. Federico Chiesa fez grande jogada pela linha de fundo e bateu cruzado, esbarrando na defesa adversária. A sobra ficou com Nikola Milenkovic e, mesmo com a área cheia de jogadores juventinos, o defensor emendou para as redes. Os ataques rápidos dos florentinos eram um tormento à Velha Senhora e as chances iam surgindo com facilidade, contra um adversário desconcentrado. Leonardo Bonucci realizou um desarme crucial, enquanto Giovanni Simeone teve um gol anulado pela arbitragem. De qualquer maneira, o pesadelo atendia pelo nome de Chiesa. O garoto liderava a sua equipe e carimbou a trave aos 33 minutos.

A Juventus era passiva e a torcida dava sinais de descontentamento. Mesmo assim, é uma equipe com suas armas. Encontrou o gol aos 37, a partir de uma bola parada. Escanteio batido por Miralem Pjanic em direção à primeira trave, para que Alex Sandro completasse de peixinho. Entretanto, os bianconeri não podiam se descuidar. Por mais que o empate antecipasse o título, nada estava garantido. Chiesa enfatizou isso instantes antes do intervalo, em um chutaço da entrada da área. A bola bateu no travessão de Wojciech Szczesny, na linha e incrivelmente não entrou.

Para o segundo tempo, Allegri recuou Emre Can para a linha defensiva e, com cinco homens, conseguiu trancar as pontas ao ímpeto da Fiorentina. A estratégia deu certo, ao neutralizar os visitantes e garantir a tranquilidade para a virada. O lance decisivo se deu aos sete minutos do segundo tempo. Cristiano Ronaldo avançou pela linha de fundo, em boa arrancada, e tentou o cruzamento. Germán Pezzella tentou evitar que Federico Bernardeschi completasse, mas seu desvio seguiu rumo às próprias redes e matou o goleiro Alban Lafont. Muita comemoração da torcida turinesa. Na reta final da partida, a Velha Senhora não precisou ser agressiva, mas manteve o jogo nas suas mãos. As chances foram esparsas em ambos os lados, com Lafont e Szczesny realizando uma defesa cada para confirmarem o placar inalterado. Além disso, Allegri aproveitou para rodar seu elenco.

Ao apito final, uma grande comemoração tomou o Estádio Allianz. Os personagens da conquista ocuparam o gramado, muitos deles com seus filhos, enquanto a torcida embalava a cantoria. À beira da aposentadoria, Andrea Barzagli era um dos mais celebrados. Não foi uma comemoração explosiva ou surpreendente. Em compensação, premia o trabalho sólido realizado pela Juventus. Que a falta de concorrência seja um problema na Itália, a Velha Senhora também possui amplos méritos por sua reconstrução, que permitiu o octacampeonato desta década soberana. Após 33 rodadas, o time chega aos 87 pontos, 20 a mais que o vice-líder Napoli. Tem o melhor ataque e a melhor defesa. Pode também alcançar a pontuação centenária, com a oportunidade de igualar o melhor aproveitamento desta dinastia, registrado em 2013/14. Que não salte aos olhos por alguns jogos pouco convincentes, que ainda assim valeram três pontos, a Velha Senhora não deixa de sobrar.