Renascimento da Fiorentina comprova: a ambição é violeta

Chegada de Giuseppe Rossi, na última temporada, e contratação de Mario Gómez, nesta semana, empolgam o torcedor da Fiorentina. Vai dar caldo?

Poucas equipes no mundo são exemplo de superação em pouco tempo como a Fiorentina. Hoje, a equipe é um exemplo para todo o futebol italiano: há pouco mais de 10 anos, faliu, caiu para a quarta divisão, retornou à elite, jogou Liga dos Campeões, depois teve período de vacas magras e, agora, volta a se reconstruir. Parece óbvio, afinal, para quem entende de história e arte, renascimento e Florença são palavras que sempre andaram juntas.

Dessa vez, o renascimento florentino traz no bojo uma ambição similar a que a equipe tinha nos anos 90, quando construiu um esquadrão, com nomes como Rui Costa e Batistuta. Na última janela de transferências, o clube fez uma contratação que só iria valer mesmo para esta temporada, mas que demonstrava em que patamar a diretoria viola quer colocar o clube: a chegada do habilidoso Giuseppe Rossi.

O jogador italiano, que estava no Villarreal, foi contratado para adicionar qualidade a um elenco fortalecido pelas chegadas de Viviano, Rodríguez, Borja Valero, Pizarro, Cuadrado e Aquilani, além da manutenção de Jovetic e recuperação do futebol de Ljajic. A chegada de Rossi, inclusive, já salvaguardava a equipe em caso de venda do seu craque montenegrino. Jovetic e/ou Rossi seriam uma espécie de Rui Costa da atual equipe de Florença.

Faltava um Batistuta. Agora não falta mais: Mario Gómez foi contratado junto ao Bayern Munique, em uma das operações mais ambiciosas do clube nos últimos anos. Até agora, a contratação do artilheiro alemão é uma das três maiores na janela italiana e uma das mais importantes no futebol europeu. Desde quando Pep Guardiola foi confirmado nos Roten, já se imaginava que o futuro do atacante seria longe da Baviera.

No futebol italiano, a Fiorentina venceu a concorrência do Napoli e assegurou o atacante. Prova de que o projeto é ambicioso – como o salário não é dos maiores, certamente o “encantamento” se deu graças ao futuro planejado pelo presidente Andrea Della Valle e pelo diretor esportivo Daniele Pradè.

Pradè é um caso à parte no renascimento da Fiorentina. Ele trabalhou na Roma entre 2000 e 2011 (como diretor esportivo, a partir de 2004), e começou muito bem o trabalho, contratando Luciano Spalletti, o treinador com mais sucesso no clube desde Fabio Capello. Nos últimos anos, porém, se perdeu, fez algumas contratações inadequadas e, pior, deixou Milito, que estava disposto a se transferir à Roma, escapar – ele achava que Totti seria suficiente como centroavante. Meses depois, o argentino faria 30 gols na temporada e conquistaria a Tríplice Coroa com a Inter, enquanto a Roma ficou com o vice da Serie A e da Coppa Italia. Acabou deixando a Roma por baixo, mas agora reencontra espaço. Seu próximo grande feito terá, certamente, a ver com Jovetic.

O futuro de Jo-Jo ainda é incerto. Há tempos os jornais falam sobre um potencial futuro do atacante montenegrino longe de Florença. Neste mercado, a Juventus já tentou negociar com a Fiorentina por ele, mas após oferecer um valor de mercado inferior ao pedido (cerca de 30 milhões de euros) e ouvir um sonoro “não” por parte da diretoria violeta, a Velha Senhora saiu da corrida. Agora, de acordo com informações das mídias italiana e inglesa, o Manchester City é quem negocia a contratação de Jovetic.

A bem da verdade, a Fiorentina não tem grandes problemas financeiros e não precisa vender o atacante. Convencê-lo a ficar pode ser mais interessante para o clube. Afinal, com uma linha de frente formada por Cuadrado, Rossi, Gómez e o próprio Jovetic, estaria entre as mais fortes da Itália e faz jus a um time que quer brigar por uma vaga na Liga dos Campeões. Uma opção interessante pode ser vender Ljajic – que, na comparação com a Viola dos anos 90, seria uma espécie de Edmundo, por ter muitos problemas extracampo, que até atrapalham o seu talento.

Ljajic, de 22 anos, ganhou espaço após quase ter sido vendido, por um valor muito baixo, depois de uma briga com o técnico Delio Rossi. Em 2012-13, fez um campeonato acima da média e marcou 11 gols. Entrou na pauta do Milan e do Manchester United, que podem desembolsar cerca de 12 milhões por ele. Um alto valor, considerando o risco de ver o atleta envolvido em desavenças. Jovetic, mais talentoso e low profile, é, ao contrário, agregador e um dos líderes do elenco. Certamente, seria um dos maiores aliados do técnico Vincenzo Montella na importante trajetória que o clube quer construir em 2013-14.

Faltando 50 dias para o fim da janela de transferências, ainda há muita água para rolar. Porém, para o bem da Fiorentina, decidir o futuro dos jogadores eslavos o quanto antes será fundamental para a preparação da temporada.