É possível golear por 4×1 e, ainda assim, sair questionado pela atuação? O Real Madrid mostrou isso neste domingo, de volta a campo pelo Campeonato Espanhol. Os últimos dias foram desastrosos aos merengues. Entre as duas derrotas para o Barcelona no Santiago Bernabéu e a eliminação também em casa para o Ajax na Liga dos Campeões, com direito a goleada histórica dos holandeses, o clima de fim de feira prevalece ao time de Santiago Solari. A imprensa local parece mais preocupada em noticiar as rusgas internas e as movimentações ao futuro. Enquanto isso, os próprios madridistas não estão muito interessados no presente desgastante, de uma temporada que não terá mais títulos para se disputar nesta reta final. Assim, o Real teve uma atuação apática contra o Valladolid. Tomou uma porção de sustos no Estádio José Zorrilla e apenas por causa de Karim Benzema é que conseguiu construir a goleada por 4 a 1, pouco condizente ao que foi o duelo.

A prova maior do desinteresse do Real Madrid aconteceu no primeiro tempo. O Valladolid é que parecia o time grande, embora tenha ficado com o grito de gol entalado na garganta. Solari mexeu na equipe e vinha com algumas novidades, incluindo Dani Ceballos, Marco Asensio e Álvaro Odriozola. Não eram os jovens, todavia, que mereciam a culpa por uma atuação tão gélida dos merengues. E os violetas se aproveitaram disso, mesmo sem a qualidade individual do Barça ou jogo coletivo do Ajax. Buscando o ataque, o Valladolid teve um pênalti marcado aos 11 minutos. Rubén Alcaraz cobrou e isolou. Dois minutos depois, o meio-campista se redimiu e construiu a jogada para Sergi Guardiola marcar. Na revisão do VAR, o lance foi anulado por impedimento. E como se desgraça pouca fosse bobagem, o time da casa teria um segundo tento invalidado pelo bandeira, em impedimento bem marcado de Sergi.

A persistência, ao menos, seria premiada aos 28 minutos. Enfim, o Valladolid teve um gol legal. Jogada rápida dos violetas, em que tocaram como bem entenderam na área merengue. Após cruzamento de Keko pela direita, Sergi ajeitou e Anuar Mohamed completou dentro da área. Vantagem mais do que merecida. Só que o lance acordou o Real Madrid. Cinco minutos depois, já sairia o empate. Jordi Masip, que havia fechado o gol contra o Barcelona, desta vez foi mal. Saiu errado após uma cobrança de escanteio ser desviada no meio da área e permitiu que Nacho Fernández cabeceasse. Na sobra, Raphaël Varane completou. Casemiro ainda exigiu uma boa defesa antes do arqueiro antes do intervalo.

O momento cabal à vitória do Real Madrid aconteceu na volta do intervalo. Não que tenha sido imune aos perigos, com o Valladolid criando duas jogadas excelentes logo de cara. Mas Benzema tratou de colocar panos quentes. Após outro pênalti assinalado pela arbitragem, em bobeira da marcação anfitriã, o francês possibilitou a virada. E também fez o terceiro aos 13, cabeceando livre uma cobrança de escanteio feita por Toni Kroos. O placar, ainda que mentiroso, concedia certa tranquilidade aos merengues. Sem se entregar, os violetas carimbaram a trave com Sergi aos 31 minutos, pouco antes que Casemiro fosse expulso com o segundo amarelo. Só que a sorte estava mesmo do outro lado. Luka Modric fechou a contagem aos 40. Recebeu o passe de Benzema na esquerda, pedalou sobre o marcador e chutou cruzado. Sequer comemorou. Marcelo entrou apenas depois dos 42, recebendo a braçadeira de Benzema e com tempo suficiente para levar um amarelo.

O Real Madrid fecha a rodada com 51 pontos, na terceira colocação. A vantagem de 10 pontos na zona de classificação à Champions é cômoda. Em compensação, são 12 de diferença em relação ao líder Barcelona, afastando as possibilidades de título. Já o Valladolid nem parece que vai tão mal no campeonato. Tem 26 pontos, só um acima da zona de rebaixamento, no 16° lugar. São seis partidas sem vencer, mas incluindo aí derrotas nas quais dificultou demais a vida de Barça e Real. Que não seja o retorno dos sonhos à primeira divisão, há sinais de que será possível permanecer.