Três seleções que já arrancaram suspiros do mundo, têm ou tiveram grandes talentos, mas que não podem viver disso se pretendem ter sucesso em 2014. Costa do Marfim, Camarões e Nigéria precisarão fazer mais do que têm feito se quiserem protagonizar boas campanhas na Copa do Mundo. As três seleções não tiveram muito trabalho para passar pelas Eliminatórias africanas, mas a realidade do Mundial é completamente diferente.

Os marfinenses contam com muito talento individual. Didier Drogba segue sendo o grande nome da seleção e vive mais uma boa temporada no Galatasaray. Yaya Touré está no melhor momento de sua carreira e mostrou uma nova qualidade nesta temporada: as cobranças de falta. O meio-campista já anotou quatro gols desta forma na campanha. Parceiro de Touré na meia-cancha, Romaric segue sendo importante no setor, e, no ataque, além de Drogba, os Elefantes contam com várias opções.

O contestado Gervinho se recuperou da má passagem pelo Arsenal e é importante na Roma. Kalou está longe de ser o jogador promissor do início da carreira, mas é importante na seleção, enquanto Doumbia, do CSKA Moscou, é um artilheiro-nato. Para o setor, os Elefantes ainda contam com Lacina Traoré, Arouna Koné, Wilfried Bony e Ya Konnan. Nenhum deles é espetacular, mas todos são bons jogadores e experientes.

No entanto, apesar de todo o talento individual, a Costa do Marfim deixa a desejar como time. Mostrando um certo desleixo, a seleção é muito instável dentro de uma mesma partida, como foi contra Senegal, no último sábado, e apresenta algumas falhas defensivas principalmente pelas laterais, que precisam ser corrigidas. Para fazer bonito no Brasil, os Elefantes precisam corrigir esses pontos e uni-los ao talento individual de seus jogadores.

Esse talento que sobra aos marfinenses anda em falta em Camarões. O que os Leões têm é experiência. Atletas como Song, N’Guémo, Makoun e Mbia formam o meio-campo que municia Eto’o e Webó no ataque. Todos são experientes e a formação da meia-cancha e do setor ofensivo é basicamente esta. No entanto, ainda não se sabe qual é a defesa do time camaronês, nem como ela será formada.

Além do problema defensivo, Camarões sofre com um time que ainda precisa provar seu valor dentro de campo. A campanha nas Eliminatórias não teve sustos, mas o desempenho deixou a desejar. Além disso, Eto’o não tem feito grandes jogos pela seleção e está envolvido em polêmicas com a federação local pelas críticas feitas a falta de profissionalismo no futebol camaronês. Desavenças entre o capitão e estrela do time com a federação faltando um ano para a Copa obviamente não é um bom sinal.

Os Leões Indomáveis precisam evoluir muito para fazer um bom Mundial em 2014. O time precisa melhorar taticamente, formar sua defesa, jogar um futebol menos pragmático, resolver os problemas extracampo e ter seus principais jogadores jogando ao máximo. Não é pouca coisa.

Nesse ponto, os camaroneses têm motivo para invejar a Nigéria. Os nigerianos contam com uma seleção mais pronta. Atuando no 4-3-3, as Super Águias tem um forte trio ofensivo formado por Moses, Emenike e Ideye, sendo que Obinna, vez ou outra, é titular. A defesa está bem armada taticamente e Enyeama vive boa fase no gol. Tendo isso em vista, o problema nigeriano está na criação.

O camisa 10 é Obi Mikel, que é bom jogador, mas não um armador de jogadas. Musa, Mba e Onazi não são exatamente meias de criação. O trio é mais incisivo e os três são mais meias-atacantes do que meias-armadores. E justamente essa carência de um enganche pesa e complica um pouco a Nigéria. Outro problema é a falta de uma referência. Outras seleções africanas têm esse jogador – a Costa do Marfim tem Drogba e Camarões tem Eto’o, por exemplo. As Super Águias não.

No geral, cada uma dessas três seleções têm características próprias, e têm de se preocupar com problemas diferentes. Mas o ponto comum é que nenhuma delas está perto de pronta para o Mundial. Apesar da tradição e dos nomes que carregam.