Héctor Castro se eternizou como uma das maiores lendas do futebol uruguaio. O atacante conquistou o ouro nas Olimpíadas de 1928, antes de ser um dos destaques da Celeste na Copa de 1930. Pelo Nacional, ainda levantou a taça do Campeonato Uruguaio por seis vezes. Nada que tenha sido impedido por uma limitação física evidente. “El Divino Manco” era chamado assim por não ter uma das mãos. Aos 13 anos, seu antebraço acidentalmente foi amputado por uma serra elétrica. Mas o talento estava nos pés e a genialidade, na cabeça.

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De certa maneira, o mito de Manco Castro ressurgiu nesta semana na América do Sul, quase 55 anos após a morte do uruguaio. O colombiano Lorenzo Orellano é visto como uma das grandes promessas da Uniautónoma, que disputa a primeira divisão do Campeonato Colombiano. Aos 16 anos, o meia fez sua primeira partida pela equipe principal nesta quarta-feira, no empate por 1 a 1 contra o Junior de Barranquilla na Copa da Colômbia. Fez história ao se tornar o primeiro jogador amputado a entrar em campo no futebol do país.

“Jogo como todos os futebolistas. Nasci assim e o braço nunca me fez falta para demonstrar as minhas condições. Nenhum apelido que me dão me incomoda. Em campo, foco na partida e já não penso em nada mais”, afirmou Orellana, em entrevista à revista Semana. Altivez que também se nota dentro de campo, ignorando algo que pode espantar os outros, mas é de sua natureza. Mais notável do que a limitação do garoto deveria ser a precocidade de sua estreia, motivos de elogios do técnico Giovanni Hernández, que destacou seu ótimo nível técnico para garantir a oportunidade.

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“A única coisa que se perde é a esperança, por isso nunca me curvei na busca de meus sonhos, que é jogar futebol e ter uma formação profissional”, explica o garoto. Orellana concilia a carreira no futebol com o primeiro semestre do curso de finanças, na Universidad Autônoma do Caribe. Caso não siga no futebol, já terá outro caminho a recorrer.

Difícil saber o quão longe Orellana conseguirá chegar. Por mais que a falta de um braço não atrapalhe em nada seu futebol (exceto em questões secundárias, como proteção e equilíbrio), talvez sofra alguns preconceitos por isso. Mas, se o talento for mesmo tão notável, os obstáculos não deverão pará-lo. Como a história de Manco Castro deixa sempre o exemplo.