Independiente e River Plate fazem o duelo com maior rivalidade nestas quartas de final da Copa Libertadores. Os gigantes argentinos reúnem história e presente, atravessando fases vitoriosas. Carga que aumentava as expectativas para o primeiro encontro em Avellaneda, cumpridas firmemente por ambos os lados no Estádio Libertadores de América. No entanto, não é a animosidade entre compatriotas que encheu o jogo de violência. E nem foi o placar zerado que diminuiu a partidaça ocorrida na noite desta quarta-feira. As duas equipes mantiveram suas características e buscaram o resultado a todo momento. Se as redes não balançaram, é mero detalhe, entre as ótimas chances criadas, as defesaças dos goleiros e as bolas na trave. O 0 a 0 no marcador, ao menos, deixa aberta a situação para mais um grande confronto no Monumental de Núñez.

Apesar de atuar fora de casa, o River Plate pressionou durante os primeiros minutos. Foram várias oportunidades criadas pelos millonarios, parando no goleiro Martín Campaña. O Independiente demorou um pouco mais para se encontrar na partida, mas logo agiria de maneira agressiva, como manda a cartilha de Ariel Holán. A situação começou a melhorar a partir dos 18 minutos, quando Maximiliano Meza desferiu um belo chute colocado que estalou o travessão de Franco Armani, com o gol quase saindo também na sobra. Era o aviso.

Na noite aberta em Avellaneda, o River não esmoreceu e logo respondeu. Rafael Santos Borré e Exequiel Palacios exigiriam mais duas boas intervenções de Campaña. A mobilidade da linha de frente, bastante criativa, reforça as credenciais da equipe de Marcelo Gallardo. Além disso, os visitantes atuavam de maneira muito coesa, dominando o meio-campo. O Rojo não fazia sua melhor exibição coletiva e tentou algum espasmo nos minutos finais, parando em Armani na melhor oportunidade.

Para o segundo tempo, o Independiente veio com Gastón Silva e o uruguaio quase fez a diferença aos nove minutos. Em uma partida que começava a ficar mais travada, o lateral fez excelente jogada e acertou o poste de River Plate. O Rojo conseguia se impor mais e o gol só não saiu por milagre na sequência, com Armani mostrando por que pode já ser considerado um dos melhores goleiros da história da Libertadores. Esticando-se todo para arrematar o cruzamento, Emmanuel Gigliotti parecia ter a meta aberta. Só parecia. O arqueiro se agigantou e, à queima-roupa, operou uma defesa fantástica – mais uma para seu currículo. No rebote, ainda mais um susto, com a bola passando próxima ao travessão.

Com o passar dos minutos e as alterações, o jogo perdeu ritmo. O River Plate passou a se resguardar um pouco mais, tentando escapar nos contra-ataques. Além disso, o cansaço ficava evidente nas equipes. Campaña voltaria a aparecer para fazer uma boa defesa aos 39, em arremate de Camilo Mayada. De qualquer forma, era o Independiente quem tinha mais gana pelo resultado e, em meio ao esboço de pressão, Armani salvaria outra bola no canto, com uma defesa segura. Por fim, a última chance seria dos millonarios, em lance que Santos Borré cabeceou para fora. Não era noite de gols, mas sim de futebol intenso e bem jogado.

Quem passar desse lado da chave será uma provável dor de cabeça ao Grêmio, que se antecipou com uma boa vitória sobre o Atlético Tucumán e não precisará de tanto esforço na volta para se classificar às semifinais. Por elenco, o River Plate tem melhores peças individuais, além de exibir um estilo de jogo fluido. Além do mais, é um especialista em copas desde a chegada de Marcelo Gallardo ao comando. O Independiente, por sua vez, tem uma equipe muito bem encaixada e possui um treinador de ideias mais ofensivas. Difícil cravar quem passará no Monumental, diante das circunstâncias do duelo. Mas as chances de outro grande jogo acontecer são enormes. Bom pra Libertadores.