Áustria, Islândia e República Tcheca estão entre as primeiras seleções a se confirmar. Irlanda do Norte e Gales ficaram a um triz da classificação. Albânia, Eslováquia e Noruega vão pelo menos para a repescagem. Já Israel, Estônia, Finlândia, Lituânia, Hungria, Chipre e Montenegro também seguem vivos na briga. Era óbvio que, com o aumento do número de participantes, a Eurocopa abriria espaço a novatos em 2016. Só não se esperava uma leva tão grande, despontando tão cedo. Restam ainda duas rodadas para o fim da definição das Eliminatórias, mas muitas das surpresas já estão desenhadas. Das 15 seleções citadas acima, apenas a tcheca possui mais de uma participação em Copas ou Euros desde 2000. Enquanto isso, seis buscam repetir a Islândia, primeira estreante em torneios internacionais a se confirmar.

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Se você olhar para a tabela das últimas cinco edições da Eurocopa (todas que contaram com 16 participantes), o cenário nunca chegou a ser tão excepcional, mesmo considerando quem ficou no quase nas Eliminatórias. Em 2012, nenhuma grande novidade apareceu na fase final, enquanto Estônia, Bósnia e Montenegro caíram na repescagem. Em 2008, outra edição sem zebras na fase de grupos, os mais próximos de surpreender foram Finlândia e Israel – enquanto a Inglaterra ficou de fora, mas derrubada por Rússia e Croácia. Já antes disso, a única novidade marcante foi a Letônia de 2004. Turquia e Eslovênia também se classificaram, indicando uma ascensão que se confirmaria nas Copas do Mundo. Gales e Israel caíram na repescagem, enquanto Lituânia, Irlanda do Norte, Geórgia e Islândia também fizeram campanhas acima da média, mas não se aproximaram tanto da classificação. De uma maneira geral, é preciso somar as várias edições para se chegar a tantas surpresas quanto a Euro 2016.

Obviamente, um cenário tão complexo assim possui muitas variáveis. Porém, não se concentra apenas no aumento do número de vagas. E nem dá para colocar a culpa nas grandes seleções. Dos times de camisas mais pesadas, apenas a Holanda parece ter reais riscos de ficar de fora da festa. Suécia e Rússia estão abaixo do esperado, é verdade, mas nada que possa ser colocado assim como tão atípico. Já as grandes baixas são mesmo Grécia e Sérvia, na lanterna de seus grupos. Com uma geração envelhecida, os gregos se perderam depois da boa campanha na Copa de 2014, especialmente após a saída do técnico Fernando Santos. Já os sérvios, apesar da tradição, penam com sua seleção desde 2010.

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Mesmo assim, é pouco para englobar tantas novidades. Em alguns casos, a qualidade da geração atual e a melhora nos resultados recentes se tornam notáveis. O melhor exemplo está na Islândia. Com um time que causa impacto desde as categorias de base, os nórdicos caíram nas Eliminatórias da Copa de 2014. E ganharam ainda mais consistência rumo à Euro, se confirmando em um grupo nivelado por cima. Quem também se enquadra neste caso é a Áustria, desfrutando de uma equipe de qualidade técnica e no auge físico. Ou mesmo Gales, que vem se aproveitando muito bem de Bale e Ramsey como diferenciais para desequilibrar.

Por outro lado, algumas seleções também podem se sentir agradecidas pelo chaveamento. Diante de grupos mais equilibrados, basta uma boa sequência de resultados para a façanha se completar. A Irlanda do Norte, por exemplo, despontou em uma chave sem nenhuma força evidente, com Romênia, Hungria e Finlândia logo abaixo – e a decepção grega na lanterna. O mesmo no grupo de Inglaterra e Suíça, em que a briga de foice como terceira força fica entre Eslovênia, Estônia e Lituânia. Ou mesmo no de Gales e Bélgica, onde a Bósnia não se firmou e dá brechas para Israel e Chipre. Não à toa, cinco equipes sorteadas do Pote 5 e outras cinco do Pote 4 seguem com chances reais de classificação.

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E, por fim, é preciso ponderar também o equilíbrio que existe entre as seleções médias da Europa. Em países cujas populações não são grandes, é natural que a qualidade da equipe nacional esteja mais sujeita a altos e baixos, por mais que a paixão pelo futebol seja enorme. Um aspecto em que a demografia influencia bem mais do que a tradição. É o que acontece, por exemplo, com Escócia, Irlanda, Dinamarca ou Turquia, que viveram momentos bem melhores nas últimas décadas. A baixa destas ajuda a impulsionar quem vem de baixo.

Se, por um lado, a Euro 2016 pode perder um pouco em camisas um pouco mais tradicionais, ganha em boas histórias. Basta ver como a Islândia ascendeu ou a Áustria se recuperou. A competitividade do torneio com 24 seleções não deverá ser das maiores – particularmente, acho que a Eurocopa perde sem aqueles grupos ferrenhos logo de cara, como o “Alemanha, Portugal, Dinamarca e Holanda” de 2012 ou o “França, Itália, Holanda e Romênia” de 2008. De qualquer forma, serão mais surpresas do que antes, até pelo desenrolar das Eliminatórias. E sempre é legal acompanhar um país escrevendo seus maiores momentos no futebol. Assim é que se constrói a história.

A situação da Euro ao final da oitava rodada: em verde, os países classificados; em azul, os garantidos ao menos na repescagem; em cinza, os que não se garantiram, mas não estão eliminados; em amarelos, os com chances apenas de repescagem; em vermelho, os eliminados (Fonte: Wikipedia)
A situação da Euro ao final da oitava rodada: em verde, os países classificados; em azul, os garantidos ao menos na repescagem; em cinza, os que não se garantiram, mas não estão eliminados; em amarelos, os com chances apenas de repescagem; em vermelho, os eliminados (Fonte: Wikipedia)