Joe Bryan tem 26 anos. É um daqueles jogadores que fizeram a carreira nas divisões inferiores da Inglaterra, especialmente pelo Bristol City. Quando apareceu na Premier League, foi uma exceção. Em sua carreira como lateral esquerdo, fez 27 gols. Nunca havia feito mais de um em uma única partida. Nunca. Até esta terça-feira quando fez os dois da vitória por 2 a 1 do Fulham sobre o Brentford, na final dos playoffs da Championship, o famoso jogo mais valioso do mundo porque rende vaga na Premier League.

E o Fulham, apenas um ano (e alguns meses) depois de ter caído, voltará a ter acesso aos cofres da liga mais rica do mundo. A única experiência de Bryan na Premier League foi justamente na péssima campanha do clube londrino em 2018/19, depois de ter sido uma das dezenas de contratações que não conseguiram se transformar em um time capaz de anotar mais de 26 pontos.

Bryan, por outro lado, também representou a estratégia do Fulham para esta temporada de volta à segunda divisão. Claro que muitos jogadores tiveram que ir embora, a maioria ao fim de empréstimos e contratos, mas foi mantida uma certa espinha dorsal, recheada com contratações pontuais, como Anthony Knockaert e Ivan Caaleiro.

Foram gastos € 37 milhões em reforços, ainda bastante para a Championship, com a ajuda dos pagamentos de auxílio da Premier League aos rebaixados, mas bem inferior em valor e quantidade às negociações da temporada anterior – € 116,5 milhões e mais de 10 atletas.

Scott Parker assumiu como interino em fevereiro da temporada passada, quando o rebaixamento já era praticamente inevitável, e acabou sendo mantido, apesar de não ter conseguido muitas melhoras significativas. A certa estabilidade ajudou, embora a campanha na segunda divisão tenha sido meio irregular. O Fulham nunca conseguiu emendar mais do que quatro vitórias seguidas e a maior sequência invicta foi de sete partidas, justamente na reta final do campeonato.

Poderia, ainda assim, ter subido sem a necessidade de playoffs, mas empatou duas das últimas três rodadas e precisou passar pelo Cardiff na semifinal antes de encarar o Brentford, mais uma vez frustrado – e com requintes de crueldade. Precisava de apenas uma vitória nas últimas duas partidas para terminar em segundo lugar, com vaga direta na Premier League. Os adversários eram os muito pouco impressionantes Stoke City e Barnsley. E perdeu as duas.

Até conseguiu se recuperar psicologicamente do baque para superar o Swansea e voltou a ficar a uma vitória de retornar à primeira divisão, que não disputa desde 1947. O mais perto que já ficou da promoção em todo esse período. Essa vitória, porém, era mais difícil de conquistar. Com tanta coisa em jogo, a final dos playoffs tem o histórico de ser um jogo travado, e a tarde de futebol em Wembley, nesta terça-feira, não foi diferente.

E olha que estavam em campo o primeiro (Brentford, com 80 gols) e o sétimo (Fulham, com 64) melhores ataques da temporada regular da Championship, embora as duas defesas estejam entre as quatro mais sólidas da competição. Elas acabaram prevalecendo nos primeiros 90 minutos, com apenas duas defesas de cada goleiro e poucas chances claras de gol.

O que acabou encerrando o impasse foi a inteligência de Joe Bryan. No último minuto do primeiro tempo da prorrogação, o Fulham teve uma falta pela esquerda da grande área. Clássica situação de bola levantada na área. Tão clássica que o goleiro do Brentford, David Raya, se adiantou à entrada da pequena área para antecipar o lançamento. Bryan, porém, bateu direto, no canto esquerdo, e Raya não conseguiu voltar a tempo para impedir o primeiro gol do Fulham.

 

O gol encaminhou o acesso do Fulham em um jogo que sempre passou a impressão que seria vencido pelo primeiro que marcasse. Ainda saiu o segundo, em ótima tabela entre Bryan e Mitrovic, que entrou apenas no fim do segundo tempo, ainda com imitações físicas, que o lateral esquerdo completou na saída de Raya. O Brentford descontou no último minuto, mas era tarde demais. Precisará passar pelo menos mais uma temporada na Championship.

.

.

.