O desejo do Paysandu pela Copa Verde era grande, e já durava duas frustrações. Desta vez, porém, não houve quem tirasse a taça das mãos do Papão. Tudo bem, a segunda partida contra o Gama teve sua pitada de sofrimento – e justamente por parecer um jogo ganho, que abria brecha a um milagre dos alviverdes. Considerando o histórico de reviravoltas do torneio, era melhor desconfiar. Mas, no final, a derrota dos paraenses por 2 a 1 no Bezerrão não estragou a sua festa, ao já terem vencido no Mangueirão por 2 a 0. Depois de 14 anos, os alvicelestes voltaram a celebrar uma conquista além dos limites de seu estado. E, melhor, também terão o gosto de disputar novamente um torneio internacional, com a participação assegurada na Copa Sul-Americana de 2017.

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Os resultados de Dado Cavalcanti em seu primeiro ano à frente do Paysandu não proporcionaram grandes marcos. O time sucumbiu no Paraense e na Copa Verde, enquanto perdeu fôlego na reta final da Série B para brigar pelo acesso. Mesmo assim, a direção preferiu avaliar o trabalho e deu seu voto de confiança ao comandante. Acabou recompensada com os reflexos da continuidade. O Papão começou 2016 muito bem, dando a volta por cima no Paraense para mais um título e cumprindo sua obsessão na Copa Verde.

Ainda que a entrada do clube no torneio (favorecido por uma mudança de regulamento em cima da hora) tenha causado reclamações, não dá para diminuir a campanha do Paysandu. A equipe começou passando o carro por Fast Club e Rio Branco, somando 10 gols marcados em quatro jogos. Depois, pelo terceiro ano seguido, encontrou com o Remo na semifinal. E o Papão se vingou por 2015 de maneira categórica, com duas vitórias: 2×1 e 4×2, mais do que suficientes para a vaga na final. O desafio era o Gama, um time distrital como o Brasília, algoz em 2014 ignorando a invasão paraense no Mané Garrincha. Mas, agora, os alvicelestes queriam mostrar que assimilaram a lição.

Papão

Jogando melhor e contando com o apoio ensandecido da torcida, o Paysandu abriu boa vantagem na ida, vencendo por 2 a 0 no Mangueirão. No entanto, também não seria fácil enfrentar o ambiente no Bezerrão. Por mais que a torcida paraense tenha comparecido em bom número e se fez presente em um dos setores, a energia no lado do Gama era imensa, com uma belíssima recepção na entrada dos times. Era o sinal de que, independente da diferença no placar agregado, os mandantes acreditavam na virada.

Contudo, o dia era mesmo do Paysandu e o jogo começou a se definir no primeiro tempo. Rai abriu o placar com apenas três minutos, enquanto Raone deixou o Gama com um homem a menos a partir dos 28. O Papão saiu para o intervalo mais do que confiante, considerando que os alviverdes precisariam de quatro tentos, mas voltou roendo as unhas na etapa complementar. Ricardo Capanema também recebeu o vermelho e deixou os dois times com dez homens. Aí foi que Rafael Grampola, principal nome do Gama, começou a destoar. Empatou aos 29 e virou aos 34, na sequência de uma chance claríssima desperdiçada pelos paraenses. Naquele momento, o time da casa precisava de dois gols. E, depois que o Cuiabá transformou os 4 a 1 da ida em 5 a 1 na volta durante a decisão do ano anterior, a obrigação moral da torcida local era acreditar. Entretanto, desta vez o impossível não se concretizou.

Ao final, o Paysandu pôde soltar o inédito grito da garganta e comemorar com sua torcida, que compareceu em bom número no Distrito Federal – apesar da confusão que se desencadeou com a invasão de campo e que por muito pouco não repetiu a barbárie vista na final do Alagoano durante o final de semana. Por sorte, prevaleceu mesmo a festa. O título impulsiona o Papão não só a aparecer entre os principais candidatos à Série A para 2017, como também garante a volta das noites sul-americanas no Mangueirão. Por tudo o que aconteceu em 2003, na histórica participação na Libertadores, os alvicelestes já sabem que será inesquecível.