Classificada à Euro 2020, a Espanha encerrou sua participação nas eliminatórias com outra vitória categórica. A Roja recebeu a Romênia no Wanda Metropolitano, rodou parte de seus titulares e goleou por 5 a 0, com uma atuação devastadora no primeiro tempo. Entretanto, o principal destaque individual da noite em Madri não seria nenhum jogador – e nem ganharia as manchetes por motivos exatamente positivos. O duelo marcou a despedida de Robert Moreno, treinador que assumiu interinamente o comando da equipe nacional e encaminhou os ibéricos rumo à Eurocopa. O comandante não escondeu as lágrimas por sua saída, comovendo os jogadores, e preferiu não dar coletiva de imprensa.

Robert Moreno assumiu a Espanha por uma eventualidade. Ele se tornou o substituto de Luis Enrique, que se desligou do cargo para cuidar da filha, que enfrentava um tipo raro de câncer. O treinador sempre demonstrou sua consciência sobre as condições excepcionais e se disse aberto a abrir mão do cargo se Luis Enrique voltasse. Porém, não pareceu valorizado o suficiente pelo comando da federação espanhola. Moreno conseguiu manter um alto nível de desempenho e lidou bem com as incertezas dentro do atual processo de renovação. Fez o time jogar bola e cumpriu seu objetivo, que era a classificação. Mas, dias depois, ao contrário do que a federação indicava a ele, ficou sabendo que não continuaria.

Ao que tudo indica, Luis Enrique deve voltar à Espanha. Após perder sua filha em agosto, o treinador estaria disposto a retomar a rotina. No entanto, mesmo sem ter uma certeza quanto ao retorno, a federação espanhola preferiu dispensar Robert Moreno. Marcelino García Toral seria outra possibilidade, caso Luis Enrique preferisse não retornar. Fato é que os cartolas não achavam que Moreno tinha peso o suficiente para dirigir o time durante a Eurocopa. Avaliaram mais nome que trabalho, o que gerou a insatisfação e as lágrimas. Segundo a imprensa espanhola, a permanência do jovem na comissão técnica é incerta.

A ironia é que, durante o primeiro tempo no Wanda Metropolitano, a Espanha exibiu um futebol vistoso para abrir a goleada contra a Romênia. Criando um caminhão de chances desde os minutos iniciais, a Roja chegou a carimbar o travessão com Santi Cazorla e a ver um tento anulado de José Gayà, até Fabián Ruiz abrir o placar aos oito minutos, num rebote do goleiro. Na única chegada dos romenos, Kepa Arrizabalaga fez ótima defesa. Mas Gerard Moreno voltaria a balançar as redes aos 33, aproveitando o cruzamento do maestro Cazorla.

O final do primeiro tempo teria um pouco mais de pressão da Espanha. Outra boa trama orquestrada por Cazorla permitiu a Moreno repetir a dose aos 43. Já nos acréscimos, Adrian Rus mandou contra o próprio patrimônio um cruzamento de Moreno, facilitando o serviço da Fúria. Por fim, na etapa complementar, os espanhóis puderam tirar o pé do acelerador. Perderam mais algumas oportunidades, até Mikel Oyarzabal fechou a conta aos 47, num chute preciso da meia lua. Encerrou a abastada vitória de Robert Moreno em sua triste despedida.

Apenas Itália, Bélgica e Inglaterra encerraram a campanha nas eliminatórias com um desempenho superior ao da Espanha. A Fúria ainda precisa encontrar um time-base diante das perdas de jogadores importantes nos últimos anos, mas não deixa a desejar em potencial. E deverá estar em boas mãos, sobretudo diante do possível retorno de Luis Enrique. O questionamento maior se dá à maneira como as situações são manejadas pela federação. A saída de Robert Moreno engrossa a lista de decisões questionadas do presidente Luis Rubiales. Nos últimos tempos, a falta de tato aparece como principal adversária dos espanhóis. É ver como terminará esta história.

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