Normalmente se diz que a Itália é quem gosta de um jogo sofrido. Desta vez, a Espanha foi quem comemorou. Em uma partida equilibrada, os espanhóis tiveram que suar muito para avançar à final. O empate por 0 a 0 persistiu tanto no tempo normal quanto na prorrogação, apesar dos momentos de drama. Nos pênaltis, precisão para os dois lados. Foram necessários 14 pênaltis para definir quem enfrentaria o Brasil na final. Mas deu Espanha, suando e sofrendo como a Itália. Algo que antes de 2008, dificilmente seria possível imaginar.

Se alguém dissesse que a Itália daria um sufoco na Espanha no primeiro tempo contra a Espanha, provavelmente você não acreditaria. Mas foi exatamente o que aconteceu em Fortaleza. Com o estádio torcendo a seu favor, a Itália criou boas chances, mesmo ficando pouco tempo com a posse de bola. Aliás, essa característica espanhola foi mantida, mas caiu em relação aos jogos anteriores. Gilardino, substituto de Balotelli, teve chance de marcar, errou e fez o que é uma especialidade: ficou impedido. O primeiro tempo terminou sem um chute da Espanha que acertasse o gol. Todos errados. A Itália, mais perigosa, podia lamentar por não ter conseguido o gol na primeira etapa.

O segundo tempo foi menos intenso. O técnico Cesare Prandelli tirou o zagueiro Barzagli e colocou o meio-campista Montolivo. De Rossi foi recuado para zagueiro. Assim, deu mais qualidade na saída de bola atrás e mais poder de criação no meio. Só que a Espanha cresceu no jogo, especialmente quando entrou em campo Jesus Navas. O ponta criou boas jogadas e tornou a Espanha mais perigosa. Foi só na segunda etapa que a Espanha acertou chutes no gol. Melhorou, mas nem tanto. A Itália logo reequilibrou o jogo e criava chances de gol, mas o jogo caiu de ritmo.

A Espanha até mudou um pouco de estilo. Cruzou muitas bolas na área – 17 vezes, 14 a partir do segundo tempo – e mesmo assim não levava muito perigo. A Itália, inteligentemente, tocava mais a bola. A torcida gritava “olé” para cada passe dos italianos, além de gritos entusiasmados de “Itália, Itália”. A torcida pela Azzurra era clara. O tiki-taka espanhol deu lugar ao toque de bola da Itália. Tanto que contando só o segundo tempo, a Itália teve 61% de posse de bola. Ao final do jogo, 53% para a Espanha e 47% para a Itália.

O jogo era tenso e os dois times cada vez mais sentiam o cansaço. As chances de gol rarearam. A Itália piorou o seu jogo e parecia até sentir mais o cansaço que a Espanha. Tentava tocar a bola quando tinha a bola. Com De Rossi na defesa, o passe melhorou. O camisa 16 foi quem mais fez passes durante o jogo, 106. Mais do que Xavi, o maestro, normalmente líder desse quesito. E apesar de umas poucas tentativas em cruzamentos, dos dois times, o empate se manteve. E o jogo foi para a prorrogação.

Logo no começo do tempo extra, a Itália assustou. Gaccherini completou cruzamento com um chute na trave. Del Bosque colocou Javi Martínez, volante do Bayern, como centroavante no lugar de Fernando Torres. Alto e forte, o volante virou a referência de um time cansado, que não conseguia mais tocar a bola incessantemente, como é a sua característica. A Espanha era melhor na prorrogação, mesmo também estando cansada. Xavi, em um chute de fora da área que Buffon bobeou, quase marcou. A bola bateu na trave. Os italianos pareciam torcer para acabar o jogo. O time estava atrás da intermediária, segurando como podia. O time não chegava ao ataque. Parecia não ter pernas para isso. E o jogo foi mesmo para os pênaltis.

Candreva deu uma cavadinha na primeira cobrança e marcou para a Itália. Xavi bateu bem e empatou. Aquilani bateu no canto, Casillas foi na bola, mas foi uma boa cobrança. Iniesta bateu com tranquilidade e precisão, mantendo a disputa empatada. De Rossi bateu alto, sem chance, e marcou mais um para a Itália. Piqué, mostrando tensão, foi para a bola e bateu bem, também acertando. A disputa seguia. Giovinco bateu no canto, bem. Ninguém errava. Sergio Ramos, outro que bateu bem, manteve o empate na sério. Pirlo. Craque do time. Experiente. Especialista em bolas paradas. Bateu no canto, na rede lateral, e fez o gol. Juan Mata cobrou tirando o goleiro da foto. Sem chance. E todo mundo terminou a primeira série de pênaltis marcando.

Montolivo abriu a série alternada. No canto, sem chance. Busquets foi para a cobrança. Tenso. E mandou para a rede. Bonucci, zagueiro, foi para a cobrança. Mandou longe do gol. A Espanha ficou com a faca e o queijo na mão. Ou melhor, nos pés. Nos pés de Navas. E ele bateu no canto. Acabou. Navas comemora, enlouquecido. A Espanha é finalista da Copa das Confederações.

Jesus Navas cobrou o pênalti decisivo: a Espanha vai para a final da Copa das Confederações (AP Photo/Fernando Llano)
Jesus Navas cobrou o pênalti decisivo: a Espanha vai para a final da Copa das Confederações (AP Photo/Fernando Llano)

 

Espanha na final e muita festa da Roja no Castelão. Se o Brasil sofreu muito contra o Uruguai, a Espanha sofreu ainda mais contra a Itália, mas avançou. Em outros tempos, a Itália sofreria, mas passaria. Com a Espanha campeã do mundo, uma das melhores seleções do mundo, foi sofrido, mas deu Espanha. O esperado confronto entre a Espanha bicampeã europeia e campeã do mundo contra o Brasil, cinco vezes campeã do mundo. E no Maracanã. A Espanha é favorita, uma equipe melhor, mas o Brasil jogando em casa deve ser um confronto difícil. O mundo estará de olho.

Formações iniciais

Espanha x Itália

 

Destaque do jogo

De Rossi fez uma grande partida. Marcou muito, se posicionou bem e, não por acaso, foi o jogador que mais fez passes na partida. Em um lance, salvou um gol quase certo, na pequena área, se antecipando à chegada de Fernando Torres. Foi um gigante. Melhor em campo.

Momento-chave

A bola na trave de Giaccherini no início da prorrogação. Com o cansaço que os times mostravam, dificilmente a Espanha teria pernas para buscar o resultado, mesmo com toda a prorrogação pela frente.

Curiosidade

Dois confrontos fundamentais para a Espanha foram jogados contra a Itália: as quartas de final da Eurocopa de 2008, quando eliminou a Azzurra nos pênaltis, em uma vitória que foi fundamental para o time, e a vitória na final da Eurocopa de 2012, quando atropelou os italianos por 4 a 0.

Ficha técnica

ESPANHA 0X0 ITÁLIA

Espanha_escudo Espanha
Victor Valdés; Álvaro Arbeloa, Gerrard Piqué, Sergio Ramos e Jordi Alba; Sergio Busquets, Xavi e Andrés Iniesta; Pedro (Juan Mata, 34’/2T), Fernando Torres (Javi Martínez, 4’02ET) e David Silva (Jesus Navas, 8’/2T). Técnico: Vicente Del Bosque
Italia_escudo Itália
Gianluigi Buffon; Andrea Barzagli (Riccardo Montolivo, intervalo), Leonardo Bonucci e Giorgio Chiellini; Christian Maggio, Andrea Pirlo, Daniele De Rossi e Emanuele Giaccherini; Claudio Marchisio (Alberto Aquilani, 35’/2T) e Antonio Candreva; Alberto Gilardino (Sebastian Giovinco, 1’/1ET). Técnico: Cesare Prandelli
Local: Estádio Castelão (Fortaleza-BRA)
Árbitro: Howard Webb (ING)
Gols: Nenhum
Cartões amarelos: Gerrard Piqué (Espanha), Daniele De Rossi (Itália)
Cartões vermelhos: Nenhum