A vitória do Bahia sobre o Botafogo nesta quinta-feira, pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana, foi especialmente marcante para um garoto. Ramires ainda se firma na equipe principal dos tricolores, disputando os seus primeiros jogos como profissional. Já tinha se saído bem no Brasileirão, atuando com personalidade no meio-campo. E o momento brilhante ao jovem, de 18 anos recém-completados, guardaria mais. Foi dele o primeiro gol na vitória difícil por 2 a 1 na Fonte Nova, dando vantagem aos baianos para o jogo de volta no Rio de Janeiro. Tudo isso logo na sua terceira aparição no time de cima, a terceira como titular.

A semana especial de Ramires começou na sexta-feira. Depois de ter feito sua estreia contra o Sport no início do mês (quando quase anotou um golaço, estalando a trave), o adolescente renovou o seu contrato até 2022. Motivação que parecer ter o impulsionado para o duelo no final de semana, contra o Palmeiras. Diante dos desfalques, o garoto ganhou uma oportunidade como titular. Ajudou a organizar o meio-campo, aparecendo em diferentes cantos, e ainda teria papel decisivo no empate por 1 a 1. Teve toda a calma para aproveitar a sobra dentro da área, deixando Felipe Melo no chão, e passou para Gilberto balançar as redes. O suficiente para seguir com moral.

Contra o Botafogo, Ramires arrancou o grito da torcida na Fonte Nova logo aos quatro minutos. Uma sobra de bola serviu para que o meia pegasse de primeira, estufando as redes dos alvinegros. Não seria um jogo fácil ao Bahia. O Botafogo botou duas bolas na trave durante o final do primeiro tempo e pressionou no início do segundo, parando em grandes defesas do goleiro Douglas Friedrich, além de um lance salvo em cima da linha. No entanto, o recém-contratado Clayton apareceu para ampliar, em falha do goleiro Diego. Rodrigo Pimpão descontou logo depois e, com a expulsão de Léo, Ramires precisou atuar mais recuado para ajudar os baianos a segurarem o resultado, diante de novos milagres de Douglas. Valeu para comemorar o triunfo e a ascensão como profissional. Em uma exibição ruim do Tricolor, o menino deixou o campo mais uma vez entre os melhores do time, um dos raros a se salvar.

“Nunca esperei um início tão bom. A estreia foi ótima, segundo jogo brilhante, agora fiz o gol com a Fonte lotada. É um sonho de criança. Trabalhei bastante e vou continuar trabalhando. O resto do time me parabenizou bastante, disse pra continuar assim, não empolgar. A galera é muito gente boa”, declarou Ramires, na saída da partida. A quem disputava o Campeonato Brasileiro de Aspirantes há pouco tempo, cair nas graças da torcida já ultrapassa qualquer expectativa.

Ramires sabe o que representa tudo isso. O garoto chegou ao Fazendão quando tinha 11 anos, levado para as categorias de base do Bahia por um vizinho. Por lá, Eric dos Santos Rodrigues ganhou o apelido de Ramires, pela semelhança física com o ex-volante da Seleção. Acumulou títulos com as equipes menores do Tricolor até cavar a sua chance no time principal. E impressiona esse seu impacto inicial entre os profissionais. É cedo para dizer o quanto pode vingar, mas demonstra ter talento e ímpeto. Ajuda também o fato de trabalhar com Enderson Moreira, um treinador tarimbado nas categorias de base e que pode orientar o adolescente nesta transição. O começo é promissor.