O Estádio de la Beaujoire se preparou nesta quarta-feira para uma noite repleta de emoções. Pela primeira vez desde o desaparecimento da aeronave de Emiliano Sala, o Nantes disputava uma partida em sua casa. Pela primeira vez desde então, o clube expressaria junto de sua gente o sentimento que não cessa ante a incerteza e que permanecerá no peito de todos ao longo de muitos anos. As homenagens ao ídolo foram muitas, realizadas em distintos momentos do jogo contra o Saint-Étienne. Elas serviram para manter as esperanças, através do carinho que cada um carrega pelo argentino. Independentemente do destino do atacante, fica a lembrança mais forte de como ele era querido nos corredores auriverdes. É o afeto prevalecerá para sempre.

Antes mesmo de entrar no estádio, os torcedores já se deparavam com o memorial criado pelo Nantes para reunir flores e outros presentes em tributo a Emiliano Sala. Nas arquibancadas, as referências aumentavam. Foram muitas camisas com o número 9, muitas faixas com mensagens de alento, muitas imagens do artilheiro espalhadas pelas tribunas. Durante o aquecimento, os jogadores usaram uma camiseta pedindo orações e declarando o amor pelo antigo companheiro.

 

Um momento ainda mais belo aconteceu na entrada dos times em campo. Um mosaico se espalhou nos diferentes setores das arquibancadas. Traziam a bandeira da argentina, o nome de Sala e um bandeirão enorme com a fotografia do ídolo comemorando um gol. “Emiliano, esta noche la inchada alienta con acento argentino”, dizia uma faixa estendida de ponta a ponta nas tribunas. No meio do gramado, uma lona exibia o rosto do argentino sobre o círculo central. E os jogadores, mais do que apresentarem o nome do amigo às costas, ainda usavam braçadeiras especiais. Nada de preto, de luto. Prevalecia um verde vivo, símbolo da esperança. Por tudo o que se envolvia, se tornou bem difícil de conter a emoção.

Durante a tradicional roda entre os jogadores, os atletas do Nantes se reuniram também com reservas e com a comissão técnica à beira do campo. O técnico Vahid Halilhodzic e o meio-campista Abdoulaye Touré puxaram as palavras de força. E o arrepio se tornaria natural aos nove minutos, quando o árbitro paralisou a partida. Em referência ao número de Sala, o estádio inteiro se levantou para aplaudir o centroavante por um minuto. Os ultras cantavam forte o nome do ídolo. Os companheiros e mesmo os adversários estavam com os olhos cheios de lágrimas. No banco de reservas, Halilhodzic chorou.

O clima do confronto, em compensação, não foi tão amistoso. Fábio da Silva e Yann M’Vila foram expulsos ao trocarem empurrões no final do primeiro tempo. Rémy Cabella abriu o placar aos visitantes durante o início da etapa complementar. Minutos depois, Abdul Majeed Waris garantiu o empate por 1 a 1 do Nantes. Durante a comemoração, os jogadores voltaram a exibir a camisa utilizada no aquecimento, afirmando: “Nós te amamos, Emi”. Além disso, houve uma avalanche e até mesmo uma pequena invasão de campo pelos torcedores.

Após a partida, as memórias se tornaram assunto inescapável na coletiva de imprensa de Vahid Halilhodzic. “Esse foi o jogo mais difícil em que precisei trabalhar. Mas estou orgulhoso de meus jogadores, assim como dos torcedores. A reação que eles tiveram na comemoração do gol foi excepcional. Nunca nos esqueceremos de Emiliano, era um rapaz único. A vida continua e espero que os jogadores reencontrem seus sorrisos. Felicito os torcedores e os jogadores, que demonstraram uma grande dignidade. A vida continua”. A partir de agora, o Nantes tem um motivo a mais para jogar. Há um ídolo para se honrar, sempre.


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