As imagens mais valiosas ao Flamengo na visita a Barranquilla não aconteceram durante a vitória sobre o Junior por 2 a 1. Elas vieram antes e depois da partida, ambas protagonizadas por Gabigol. A grandeza que o atacante representa ficou expressa no Estádio Metropolitano, através de duas cenas tocantes com torcedores locais.

Primeiro, Gabigol foi capaz de emocionar um garoto colombiano nas arquibancadas, logo após o aquecimento. Entregou sua camisa de treino ao menino, que desatou a chorar e não teve pudor em vestir o uniforme dos adversários por cima de seu fardamento do Junior. Já na saída de campo, mais emoção de outro guri colombiano, que invadiu o gramado para abraçar Gabigol. Levou como prêmio não apenas a camisa de jogo do rubro-negro, mas também as chuteiras e uma boa dose de carinho do ídolo, que ofereceu um terno abraço.

Gabigol tem um magnetismo particular com as crianças. Seja por seu apelido, por seu estilo, pelas comemorações ou pelo próprio talento, a quantidade de fãs mirins é notável nos jogos do Flamengo. No entanto, as cenas em Barranquilla ajudam a trazer uma outra dimensão ao atacante. Elas reforçam que não é só no Brasil que a idolatria faz efeito. E sugerem como, através de sua figura mais carismática, os rubro-negros ampliam sua influência.

Muitas vezes, parece que o futebol brasileiro só é capaz de tocar os vizinhos sul-americanos se fizer escala na Europa. Ou então, parece que o sucesso na Libertadores não é mais suficiente para criar ídolos além das fronteiras. Gabigol oferece outra percepção e encurta as distâncias. Porque, afinal, não é preciso defender um clube europeu para exibir o melhor futebol da carreira ou para ser chamado de craque. Assim como não é preciso deixar o Brasil para fazer sua imagem extrapolar como referência em outros cantos do continente.

A quem gosta de ver o lado mais frio do futebol, dá para falar em “expansão de marca” ao Flamengo – ou qualquer outro termo que permita ao clube aumentar os seus lucros. Entretanto, as lágrimas de ambos os garotos colombianos representam justamente o que há de mais caloroso dentro do esporte. A paixão pelo futebol, em sua essência.

A Gabigol, não existe o que pague essa adoração, identificado por uma gente que também é sua. Retribuiu com humildade, com atenção, com carinho. E, da mesma forma, o orgulho bate um pouco mais nos torcedores rubro-negros por perceberem que seu craque transcende. Não são apenas eles que se permitem maravilhar com o artilheiro, em feitos que já superam as barreiras clubísticas. É esse o tamanho do ídolo.