O Uruguai recebeu um grande número de imigrantes bascos ao longo dos últimos dois séculos. O fluxo migratório se tornou expressivo a partir da década de 1820, saindo não apenas da Espanha, mas também da parte francesa do País Basco. Além disso, a Guerra Civil Espanhola e a ditadura de Francisco Franco provocaram uma diáspora massiva na região a partir da década de 1930, que incluiu a Bacia do Prata entre os principais destinos. Atualmente, estima-se que 10% da população uruguaia tenha origens bascas. A lista de descendentes inclui desde o ex-presidente Pepe Mujica a muitos jogadores de futebol, como Diego Forlán. E, neste final de semana, um desses bascos que atravessaram o Atlântico reencontrou-se com um dos símbolos de sua terra: o Athletic Bilbao.

A história de José Luis Hidalgo é mais uma contada pelo excelente programa El Día Después. O imigrante basco rumou ao Uruguai durante a década de 1940. Estabeleceu suas raízes no novo país, mas não perdeu a paixão pelo Athletic. Antes de se mudar, o torcedor teve o gosto de se encantar com o esquadrão encabeçado por Zarra e Gainza. San Mamés permaneceu em seu imaginário. Mesmo longe por mais de 70 anos, continuou amando a camisa alvirrubra. “Aqui se vive e se ama isso. Perdendo ou ganhando, você leva o sentimento. Por isso é muito difícil dizer o que é o Athletic. Para mim, é algo grande”, contou.

Aos 92 anos, Hidalgo precisou retornar a Bilbao por um triste motivo. Sua irmã faleceu na última semana. Entretanto, a longa travessia de 10 mil quilômetros, do Uruguai ao País Basco, ainda mais desgastante em sua idade, guardou também uma emoção especial. O torcedor visitou San Mamés. Conheceu o estádio após sua reconstrução e assistiu ao empate por 1 a 1 contra o Valladolid. Além disso, se encontrou com alguns jogadores do elenco, incluindo Iker Muniaín e Iñaki Williams, que ofereceram seu carinho ao idoso. Sem esconder a alegria, o veterano ainda levou uma camisa autografada. Daquelas histórias que realmente fazem a essência do futebol: