Quando o Atlético Mineiro anunciou a contratação de Lucas Pratto no início do ano, vencendo dura concorrência pelo centroavante, a confiança sobre o sucesso do jogador era imensa. Pratto até demorou para sair do Vélez, considerando a sua badalação e as especulações envolvendo o seu nome. Um grande negócio que parece se pagar a cada atuação do camisa 9. Sua entrada em definitivo na equipe ajudou o Galo a subir de produção em 2015. E o argentino tem participação fundamental na grande campanha dos alvinegros no Brasileirão. Algo que ficou mais evidente do que nunca nesta quarta, com os três gols na vitória por 3 a 1 sobre o São Paulo, em uma festa de 47 mil torcedores no Mineirão. Com sete tentos, ele se tornou vice-artilheiro do Brasileirão.

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Pratto é um centroavante de referência, mas não do tipo clássico. O camisa 9 se movimenta bastante e abre espaços, o que se encaixa no jogo do Atlético de Levir Culpi. Em um time intenso no ataque, o argentino contribui bastante na chegada dos meio-campistas, nas transições velozes da equipe – o que já se tinha desde os tempos de Diego Tardelli e o novo reforço manteve. Além, é claro, de ser um alvo para lançamentos e cruzamento. Excelente para que os mineiros aproveitem as subidas dos laterais, especialmente as de Marcos Rocha pelo lado direito. Não à toa, os atleticanos possuem o melhor ataque da competição, com média de dois gols por partida.

O que mais chama a atenção em Pratto é a capacidade nas finalizações. Nenhum outro jogador do Brasileirão arrisca mais chutes do que o camisa 9: segundo números do Who Scored, são 3,7 arremates por partida, em média. Com bom senso de posicionamento e força física, o argentino é o típico centroavante que está lá para resolver em um toque, mas vai além. A qualidade nos chutes também o permite ser uma arma extra nas tentativas de fora da área, especialmente quando resolve colocar a bola nos cantos. Precisão refletida por seu próprio aproveitamento. Das vezes que finaliza, Pratto acerta o gol em 58,5% das vezes, melhor do que 13 dos outros 17 jogadores com pelo menos quatro gols na Série A. Além disso, 22,5% de seus chutes certos terminam nas redes. E de seus 16 tentos pelo clube, 13 vieram em chutes de primeira.

O mapa de calor de Pratto no Brasileirão (Fonte: Footstats)
O mapa de calor de Pratto no Brasileirão (Fonte: Footstats)

E, por mais que arrisque bastante, Pratto não costuma ser nada fominha. O centroavante ainda é o terceiro jogador do Galo que mais cria chances de gol para ao time. O camisa 9 dá por jogo 1,5 passe para o arremate de seus companheiros, número inferior apenas aos de Giovanni Augusto e Luan. Os atleticanos possuem o segundo ataque mais intenso do torneio, com 14,8 chutes por partida. Quantidade explicada bastante pela forma como o argentino chama a responsabilidade, participando de 35% dessas jogadas.

Durante as primeiras rodadas do Brasileiro, Pratto vinha se destacando justamente por esta participação. Embora só tenha marcado dois gols até a 11ª rodada, com o camisa 9 em campo o Atlético conquistou sete vitórias. No entanto, se o ofício do centroavante é marcar gols, ele vem se justificando ainda mais nas últimas semanas. São cinco gols nas últimas cinco partidas, anotando de maneira decisiva contra Sport, Figueirense e São Paulo. Números que poderiam até ser melhores, não fosse a atuação brilhante do goleiro Walter, que segurou a vitória do Corinthians no duelo em Itaquera.

Neste momento, Pratto se justifica como a melhor contratação internacional do futebol brasileiro em 2015, além de também figurar entre os melhores centroavantes do país. Aos 27 anos, tem bola para render por muito tempo no Galo. E colocar a equipe como forte favorita à reconquista da Série A. Se na Libertadores o argentino não teve tanto tempo para brilhar como se esperava, agora ele já está completamente adaptado para se cumprir no Brasileirão.