A contratação de Vanderlei Luxemburgo pelo Vasco foi compreensivelmente recebida com ressalvas. O veterano e lendário treinador brasileiro não emplacava uma grande passagem há muito tempo e estava há quase dois anos fora do mercado, desde que fora demitido do Sport. Talvez não tenha feito um trabalho tão bom quanto poderia em São Januário, mas alcançou o principal objetivo de fornecer aos vascaínos um ano tranquilo e longe do rebaixamento. A questão é se foi bom o bastante para atrair o interesse de outros clubes grandes, agora que anunciou o fim das negociações para renovar seu contrato.

Luxemburgo estreou de fato pelo Vasco empatando com o Avaí, na quinta rodada, e até a sétima o clube havia somado apenas três pontos. Era cedo, mas as lembranças dos últimos rebaixamentos deixaram a torcida preocupada. Sem nunca realmente embalar, Luxemburgo conseguiu uma campanha sólida, com 12 vitórias, 12 empates e dez derrotas. Terminou em 12º lugar e se classificou à Copa Sul-Americana, como todos os clubes do Brasileirão que não foram rebaixados ou não conseguiram vaga na Libertadores, com exceção de dois. Ficou a sete pontos de disputar a principal competição sul-americana em 2020.

Em nota oficial, Luxemburgo deixou claro que a renovação não aconteceu por visões diferentes sobre o planejamento para a próxima temporada. Segundo o UOL, uma das exigências foi a garantia de salários em dia, o que foi um desafio para o Vasco este ano. Ele também afirmou, por outro lado, que não esteve à altura da história do Vasco – o que é verdade, embora, tenha tido resultados aceitáveis dentro do atual panorama do clube – e gostaria de perspectivas melhores para o ano que vem.

“Sei das dificuldades financeiras do Vasco e fiz uma proposta dentro da realidade que eu entendo não afetar o lado financeiro do clube. Porém, pelo trabalho realizado este ano, que para um clube do tamanho do Vasco da Gama foi pouco, sou ambicioso, e me permito pensar grande. Tenho objetivo de buscar sempre conquistas e títulos, o que me faz pensar no todo. Por isso, preferi deixar o presidente à vontade. Por responsabilidade, sei que o trabalho para 2020 começa imediatamente. Não posso deixar essa situação se arrastar e prejudicar o Vasco”, escreveu, em nota.

O Vasco tem de fato sérios problemas financeiros e não pode montar um elenco super-qualificado. Foi um time organizado no último Campeonato Brasileiro, sem muito destaque em nenhum aspecto, e sentiu falta do talentoso garoto Thalles Magno em boa parte do segundo turno, por convocações às seleções brasileiras de base e uma séria lesão que abreviou sua temporada. Alternou bons jogos, com destaque especial para o empate contra o Flamengo, e outros não tão bons assim.

O trabalho de Luxemburgo precisa ser analisado sob várias óticas. Em comparação aos outros do Campeonato Brasileiro, foi regular, com uma distância folgada do rebaixamento, mas atrás de Fortaleza, Goiás e Bahia (no saldo de gols), que também não têm dinheiro sobrando. Em comparação a outras trabalhos de Luxemburgo, evidentemente ficou muito abaixo. O treinador outrora criativo e inovador não mostrou nada além de um sólido arroz e feijão, sem nenhuma novidade ou grande destaque coletivo no futebol do seu time.

O que passa impressão positiva é a comparação com os trabalhos mais recentes do treinador. Talvez tenha sido o seu melhor desde que levou o Grêmio à Libertadores com o terceiro lugar do Campeonato Brasileiro de 2012. Isso pode ser um sinal de recuperação ou apenas o suficiente para uma campanha mediana em um torneio que, no geral, não teve um nível técnico muito bom. Teremos mais elementos caso tenha sido suficiente para convencer dirigentes de clubes que buscam técnicos para 2020 a colocar suas fichas em Luxemburgo.