Durante a Copa do Mundo feminina, a Trivela traz textos sobre o torneio francês: personagens, jogadoras e histórias, sempre escritos por mulheres que trarão suas visões. Aproveitem!

“Chegamos ao fim, tá doendo sim”. Arlindo Cruz traduziu a sensação. Os dois últimos jogos da Copa do Mundo se aproximam e, por inúmeros fatores que em breve podemos listar, já vai batendo a saudade. Mas, por ora, vamos parar de pensar no fatídico apito final no próximo domingo e entrar de cabeça nas seleções e na disputa que ainda está por vir. Estados Unidos e Holanda lutarão pelo título, e Inglaterra e Suécia buscam seu melhor desempenho pelo terceiro lugar. 

Com 100% de aproveitamento e 24 gols marcados, os Estados Unidos são os favoritos para a conquista do tetra. Na fase de grupos, a Suécia, que poderia representar uma maior resistência, não teve chances. Mas a vida da seleção norte-americana nas fases eliminatórias não foi tão fácil. Apesar de apresentar um futebol extremamente maduro em campo, repetiu o placar de 2 a 1 contra a Espanha (oitavas), França (quartas) e Inglaterra (semi). 

No último embate, contra as inglesas, uma baixa poderia abalar o time: Megan Rapinoe sentiu uma lesão na coxa direita e ficou no banco. Mas sua substituta direta não fez feio! Press foi quem abriu o placar das semifinais e o  caminho para a vitória. A classificação, no entanto, foi garantida por um não gol. A goleira Alyssa Naeher calou a opinião pública de seu próprio país, que a chamava de “elo fraco” por não ter sido muito testada. Naeher defendeu um pênalti cobrado pela capitã inglesa Steph Houghton aos 37 minutos do segundo tempo. 

E apesar do muito que se fala sobre a empáfia das jogadoras americanas, por conta das comemorações e declarações, elas são conscientes do bom trabalho que estão desempenhando. Nas casas de apostas a vitória dos Estados Unidos é quase uma unanimidade. 

Assim como as norte-americanas, a Holanda tem uma campanha dominante. Mas as atuais campeãs da Eurocopa contaram com atuações mais discretas e excelentes resultados nas fases eliminatórias contra Japão (2 a 1), Itália (2 a 0) e Suécia (1 a 0) no tempo extra de jogo. 

A disputa na final contra os EUA é um feito inédito na história da seleção da Holanda em Copas do Mundo e consolida de vez o trabalho que a Europa vem fazendo no futebol feminino, com destaque em particular para o progresso holandês. Antes do Campeonato Europeu de 2009, as holandesas nunca haviam se qualificado para um grande torneio. Nenhuma Copa do Mundo, nem as Olimpíadas, nem mesmo o Europeu. Mas a criação da liga profissional holandesa, em 2007, tem rendido bons frutos. Em 2017 ,veio o título da Eurocopa e, dois anos depois, em sua segunda participação na Copa do Mundo, elas chegam a uma final. 

No retrospecto, assim como em outros aspectos, a vantagem é das americanas: em sete confrontos entre as duas equipe, os EUA venceram seis. A única vitória da Holanda aconteceu no primeiro encontro entre as duas equipes, em 1991. 

Mas a disciplina das holandesas pode surpreender em campo. Sob o comando de Sarina Wiegman, a equipe holandesa vem comendo pelas beiradas e conta com a atacante Lieke Martens, eleita Melhor do Mundo em 2017, para superar Alex Morgan, Megan Rapinoe e cia, embora uma lesão no pé coloque em dúvida a presença da craque holandesa na final. 

Destaques: 

  • Com tantas estrelas na equipe, algumas peças-chave podem passar batido, mas não para a gente. Julie Ertz vem fazendo um excelente trabalho defensivo e tático. Ela terá pela frente a meio campista do Arsenal, Danielle Van Dok. Vale ficar de olho nessa disputa. 
  • Com Ellen Jill e Sarina Wiegman no comando de EUA e Holanda,  respectivamente, essa será a primeira vez em 16 anos que as finalistas contam com técnicas mulheres. A última vez que isso aconteceu foi no título da Alemanha, na Copa de 2003.

Bronze fica com o Bronze? 

Lucy Bronze, da Inglaterra (Foto: Getty Images)

A disputa do terceiro lugar será entre Inglaterra e Suécia. A proposta das inglesas, apresentada na partida contra os Estados Unidos na semi, foi de batalhar até o fim. E mesmo com atuações mais apagadas das principais jogadoras, como Lucy Bronze e Nikita Parris, as inglesas chegam com sangue nos olhos para a conquista da terceira colocação na Copa. 

Após a partida que impediu o sonho da Inglaterra do “It’s coming home” de se concretizar, era nítido no rosto de cada uma das jogadoras a sensação de frustração. Ellen White era filmada a cada segundo com lágrimas nos olhos, ao perceber que o sonho do título tinha ido por água abaixo. 

Mas o tempo é curto para recuperar o fôlego, e Phil Neville percebeu o quanto essa recuperação seria importante para o embate contra a Suécia: reuniu o time logo após a partida no centro do campo e discursou no centro dele. “Eu não posso dizer para minhas jogadoras no final que foi ‘falta de sorte’, nem posso dizer que estou orgulhoso delas por deixaram seus corações em campo. Isso é da boca pra fora para elas, porque elas queriam ganhar.”, disse Neville após o jogo. 

As suecas tiveram bons testes e conflitos históricos nessa Copa. Com destaque para a derrota contra os Estados Unidos na fase de grupo, em partida cheia de polêmicas trazidas desde as Olimpíadas em 2016. Depois, a vitória contra a Alemanha nas quartas de final após 24 anos de jejum. Nesta edição da Copa do Mundo, a Suécia fez uma campanha sólida, jogando simples e tecnicamente, mostrando que defesa e ataque estavam extremamente alinhados num jogo vertical. 

A aposta mais óbvia para essa partida seria a Inglaterra. As Lionesses ocupam a terceira colocação no ranking FIFA e têm o revés contra os EUA como combustível para tentar não passar em branco nessa Copa. Único problema é que no caminho para o bronze está a disciplinada Suécia.

Destaques:

  • Essa será a primeira vez que Inglaterra e Suécia se enfrentam em uma Copa do Mundo Feminina. 
  • Um gol de Ellen White contra a Suécia e ela poderá se tornar a segunda jogadora na história da Copa a marcar um em 6 aparições seguidas.
  • Do lado sueco, é bom ficar de olho na goleira Lidahl e nas atacantes Asllani e Jakobsson que têm brilhado individualmente quando a equipe mais precisa. 

Inglaterra x Suécia acontece neste sábado, 6 de julho, às 12h. 

Já a final, será no domingo, 7 de julho, também às 12h.