O Flamengo construiu uma excelente vantagem no confronto com o Santos pelas quartas de final da Copa do Brasil. Empurrado pela torcida na Ilha do Urubu, os rubro-negros foram senhores dos 90 minutos. Tiveram uma atuação bastante consistente, pouco levaram sustos e, não fosse a fase gigantesca de Vanderlei, poderiam ter vencido por mais. Uma partida na qual os coadjuvantes do time de Zé Ricardo acabaram sendo decisivos. Se o investimento em contratações é pesado e há uma clara disputa por posições, especialmente nas pontas, aqueles que ganharam espaço mostraram serviço. E um serviço bastante qualificado. Foram dois lindos gols de Éverton e Cuéllar, enquanto Berrío deu muito trabalho. Ofereceram o triunfo por 2 a 0, bastante valioso para o reencontro na Vila Belmiro, em um mês.

Se o Flamengo tem opções até em excesso para as pontas, Éverton e Berrío trataram de aproveitar a oportunidade de figurarem no time titular. O primeiro tempo contou com amplo domínio dos flamenguistas. A movimentação constante dos jogadores no ataque dificultava a marcação do Santos. Mesmo não alterando o marcador, Diego teve importante papel ao articular a armação. Guerrero, por sua vez, saía bastante da área para buscar o jogo e criar espaços. Assim, o papel de arrematar ficou com os dois pontas. Levaram muito perigo à meta do Peixe.

Berrío voava pelo lado direito, com muita potência e velocidade. Quando parecia mais propenso a esquentar o banco, vive o seu melhor momento na Gávea. Era quem mais ameaçava, forçando duas grandes defesas de Vanderlei antes dos 20 minutos. Entretanto, caberia a Éverton abrir o placar. E em uma belíssima jogada do Flamengo. A partir de um bom passe de Réver, Guerrero deu um passe fabuloso de calcanhar, o que abriu a defesa santista. Com o caminho livre, o ponta esquerda soltou um chutaço de fora da área, no ângulo, sem chances para o arqueiro adversário. Vantagem merecida por aquilo que acontecia.

O Santos até conseguia ter posse de bola, mas não demonstrava muita criatividade. O Flamengo se protegia bem, especialmente pelo trabalho dos cabeças de área e dos laterais. Já a zaga, quando exigida, demonstrava sua evolução, comandada por Juan, preciso em todas as suas coberturas e disputas. Desta maneira, o Peixe só teve sua primeira chance real de gol pouco antes do intervalo. Lucas Lima fez a jogada e seu cruzamento encontrou a defesa carioca bagunçada, mas seus companheiros também não conseguiram aproveitar.

Para o segundo tempo, Levir Culpi trouxe Vitor Bueno no lugar de Kayke, mas o Flamengo retomou as rédeas. Tanto que Berrío por pouco não foi premiado com um golaço. Emendou um chute de bicicleta, esbarrando em outro milagre de Vanderlei. Era pelo goleiro que o Peixe tinha sobrevida. Enquanto isso, o colombiano não economizava nos arremates, demonstrando vontade e confiança. O Santos viveria seu melhor momento no jogo a partir dos 15 minutos. Foi quando teve um pouco mais de brechas, especialmente pelos lados, o que permitia os cruzamentos. Falhava demais nas conclusões. Quando balançou as redes, o tento de Copete foi bem anulado por impedimento. O ponta, aliás, era o oposto de Berrío, sem se acertar.

Por fim, depois dos 30 minutos, o Flamengo tratou de encerrar o serviço. Vinícius Júnior entrou bem no lugar de Berrío, puxando os contra-ataques. Em uma dessas jogadas, aos 42 minutos, passou para Guerrero. E o peruano, muito bem em sua missão de servir, conseguiu limpar a bola para Cuéllar, na entrada da área. Outro chute de enorme felicidade. O colombiano bateu na bola com perfeição, tirando dos adversários à sua frente e também de Vanderlei. Mandou na gaveta, em mais uma pintura. O volante faz por merecer a titularidade, sempre se empenhando quando entra, além de combinar bom combate e saída de bola – o que não se vê tanto com William Arão nos últimos tempos.

Berrío, Éverton, Cuéllar, Juan. O Flamengo parece cada vez mais se encontrar e se tornar um time confiável. A definição do 11 inicial de Zé Ricardo tende a não ser tão simples, mas neste momento por um bom motivo, com vários jogadores demonstrando vontade. Ótimo para o time, em semanas nas quais o excesso de jogos exigem uma rotação maior. O Santos, por sua vez, ficou devendo bastante. Não teve organização defensiva e pouco criou no ataque. Terá quase um mês para trabalhar ao reencontro. E para buscar uma diferença na Vila Belmiro que não deverá ser fácil. Provavelmente, precisará contar outra vez com Vanderlei para manter sua meta invicta.