A disputa de terceiro lugar é um dos jogos mais tristes de um torneio. É quando os dois times que viram o brilho da taça estar perto e caíram quando estavam chegando ali. Como correr 35 quilômetros em uma maratona e cair antes de completar os 42. Às vezes os times conseguem se empolgar, fazer jogos mais abertos, com menos responsabilidade pelo resultado, porque, afinal de contas, já não vale mais nada. Bom, tudo isso para dizer que a Nigéria venceu a Tunísia por 1 a 0 na disputa pelo terceiro lugar da Copa Africana de Nações, nesta quarta-feira, no Cairo.

Foi a oitava vez que a Nigéria terminou com o terceiro lugar na Copa Africana de Nações. A Tunísia foi campeã em 2004 e não pareceu em nenhum momento capaz de reverter o resultado em favor dos nigerianos. O goleiro Cherifia acabou fazendo duas defesas importantes na partida que impediram o placar ser maior.

Gol cedo

O jogo não foi empolgante, como normalmente é de se esperar nesse tipo de confronto. Ainda mais porque a Nigéria conseguiu marcar o seu gol logo no início do jogo. Uma bela troca de passes, com Ahmed Musa começando a jogada, bola enfiada na ponta esquerda para o lateral Jamilu Collins, que cruzou. O zagueiro Yassine Meriah se atrapalhou com o goleiro Moez Ben Cherifia e a bola sobrou para o artilheiro Odion Ighalo mandar para as redes. Eram apenas três minutos de jogo.

Artilheiro da CAN

Foi o quarto gol de Ighalo na CAN, o que o torna o artilheiro do torneio – bom, ao menos até a final desta sexta-feira, quando a final entre Senegal e Argélia será disputada e outros três jogadores com três gols podem se igualar ou até passar o nigeriano: Adam Ounas, reserva da Argélia; Sadio Mané, de Senegal; e Riyad Mahrez, também da Argélia. Além deles, Cédric Bakambu, do Ccongo, tem quatro gols, mas já está eliminado.

Bons sinais da Nigéria

Os Super Águias, aliás, foram bastante interessantes no mata-mata. A derrota na semifinal não pode apagar que o time cresceu na competição, em termos de futebol, e vai para as próximas disputas com um potencial de ser competitivo. A derrota para a Argélia, na fase anterior, só veio em um gol nos acréscimos. Os nigerianos têm talento no time, Ighalo já mostrou sua capacidade goleadora, tem um meio-campista Wilfred Ndidi jogando bem e nomes como Ahmed Musa e Alex Iwobi.

Tunísia pouco criativa

Com um gol atrás no placar, a Tunísia sofreu demais na partida. Ou melhor: não sofreu porque nem pareceu se importar tanto assim, mas o fato é que o time teve dificuldades para atacar e criar chances. Não é um dos times mais criativos do futebol africano e também não é de criar muitas chances na partida. Contra um time da Nigéria estruturado e melhor, ter saído atrás no placar acabou decidindo a partida.

Foram 11 chutes a gol da Tunísia, sendo só um deles no gol. Sim, isso mesmo: 11 chutes, só um no alvo. É de uma incompetência enorme. Entre chances criadas, foi só uma de fato para a Tunísia. A Nigéria também não criou tanto, é verdade, mas estava vencendo e, bem, entrou no modo disputa de terceiro lugar. Ou seja: nada acontece, feijoada.

Ficha técnica

Tunísia 0x1 Argélia

Local: Al-Salam Stadium, no Cairo
Árbitro: Ghead Zaglol Grisha (Egito)
Gols: Odion Ighalo aos 3’/1T (Tunísia)
Cartões amarelos: Ghailene Chaalali, Rami Bedoui (Tunísia), Wilfred Ndidi (Nigéria)

Tunísia: Moez Ben Cherifia; Mohamed Dräger, Nassim Hnid (Rami Bedoui), Yassine Meriah, Oussama Haddadi; Ghailene Chaalali, Ellyes Skhiri e Ferjani Sassi; Anice Badri (Naïm Sliti), Taha Yassine Khenissi (Firas Chaouat) e Wahbi Khazri. Técnico: Alain Giresse

Nigéria: Francis Uhozo; Ola Aina, William Troost-Ekong, Keneth Omeruo e Jamilu Collins; Oghenekaro Etebo e Wilfred Ndidi; Samuel Chukwueze (Samuel Kalu), Alex Iwobi e Ahmed Musa (Moses Simon); Odion Ighalo (Victor Osimhen). Técnico: Gernot Rohr