O Celtic segue impondo uma das maiores dinastias da história do Campeonato Escocês. Que a falência do Rangers tenha um peso imenso a este desequilíbrio, os Bhoys também possuem os seus méritos, mantendo a hegemonia na competição nacional. E, neste sábado, o time de Neil Lennon pôde soltar o grito de octacampeão. Os alviverdes derrotaram o Aberdeen por 3 a 0, dentro do Estádio Pittodrie, e chegaram ao seu 50° título da liga. Estão a apenas quatro taças de igualarem o recorde de seus maiores rivais, 54 vezes campeões escoceses.

Diante da situação cômoda do Celtic, o duelo no Estádio Pittodrie não guardou grandes emoções. Por mais que o Aberdeen tenha se colocado como o principal concorrente nestes últimos anos, faz uma temporada abaixo de sua média e não conseguiu impedir a festa dos alviverdes neste sábado. Os Bhoys abriram o placar aos 40 minutos do primeiro tempo, com Mikael Lustig. Já na segunda etapa, Jozo Simunovic e Odsonne Édouard fecharam a contagem. O time usou uma braçadeira negra, em homenagem a Steve Chalmers. Um dos maiores artilheiros da história de Parkhead, o atacante anotou o gol que valeu o título da Champions em 1967. Faleceu na última segunda-feira, aos 83 anos.

Contratado para substituir Brendan Rodgers, o técnico Neil Lennon comemorou bastante a conquista. É seu oitavo título nacional em Parkhead, cinco como jogador, além de dois em sua passagem anterior como treinador: “Cheguei aqui para fazer um trabalho e consegui. Temos mais alguns grandes jogos, mas é a nossa missão. Não pedi o emprego, mas me deram esta tarefa para resolver em curto prazo e foi muito difícil. Externamente parecia fácil, mas internamente foi difícil, havia muito descontentamento e outros problemas. Sou grato à minha equipe por me ajudar neste período complicado. Espero que os torcedores realmente estejam felizes, porque eles têm uma grande equipe. Somos campeões de novo e isso é muito especial”.

O Celtic sela o seu título com 84 pontos, 12 de vantagem na primeira colocação. De fato, o Campeonato Escocês teve uma temporada mais competitiva durante o início, com vários clubes tentando ameaçar a hegemonia dos Bhoys. Todavia, nenhum deles apresentou fôlego suficiente para perseguir o ritmo dos octacampeões. O Rangers, indicando sua ascensão com Steven Gerrard, ainda assim não passou do vice. E nem mesmo a saída de Brendan Rodgers no meio da competição foi capaz de atrapalhar o Celtic. A equipe se valeu de um elenco que se conhece há tempos, com poucos reforços pontuais nos últimos meses. Odsonne Édouard, James Forrest e Scott Sinclair estiveram entre os protagonistas. Já o capitão Scott Brown poderá erguer mais um troféu, seu 18° em 12 anos de clube.

Com a conquista desta temporada, o Celtic fica a um título das maiores sequências vitoriosas do Campeonato Escocês. O lendário time de Jock Stein foi o primeiro eneacampeão, entre 1966 e 1974. O Rangers daria o troco em um ciclo fortíssimo iniciado no final dos anos 1980, também emendando o seu eneacampeonato entre 1989 e 1997. Cabe dizer que, diferentemente daqueles dois períodos, o domínio atual dos Bhoys é bem mais circunstancial. O que não diminui o seu orgulho e nem a pressão sobre o Rangers, para evitar o possível deca.

E o final da campanha ainda pode guardar mais alegrias em Parkhead. Na próxima semana, acontece a Old Firm em Ibrox – já alimentando a discussão sobre o corredor de aplausos que o Rangers talvez faça aos rivais. Além disso, o Celtic pode completar a tríplice coroa, caso derrote o Hearts na final da Copa da Escócia, após já ter faturado a Copa da Liga. Dominância clara, apesar dos asteriscos pelo contexto.