Talvez a posição que mais consiga fazer a diferença em um jogo decisivo de mata-mata seja o goleiro. Aquele que pega todas as bolas, as fáceis, as difíceis e as impossíveis, pode compensar um jogo não tão bom da sua equipe. Aquele que falha pode colocar a perder uma ótima apresentação. O contraste de qualidade debaixo das traves ficou claro, nesta quarta-feira, e acabou sendo decisivo para a passagem do Atlético de Madrid às quartas de final da Champions League, após vitória por 3 a 2 contra o Liverpool, em Anfield, na prorrogação.

Quando saiu a notícia de que Alisson havia sofrido uma lesão no quadril que o deixaria de fora do jogo de volta contra o Atlético, o torcedor do Liverpool não ficou tão preocupado. O goleiro espanhol havia sido um bom reserva para o brasileiro no começo da temporada, herói da vitória sobre o Chelsea, nos pênaltis, pela Supercopa da Europa, mas falhou em um momento crítico da prorrogação e, pela segunda vez em três temporadas, os Reds foram eliminados da Champions League por deficiência de seu arqueiro.

Enquanto isso, Jan Oblak não só fez chover como ventar e nevar para barrar a avalanche de finalizações do Liverpool, especialmente durante o tempo regulamentar. Os visitantes se defenderam quase que exclusivamente em Anfield, como fizeram muitas vezes em jogos de mata-mata com Diego Simeone, mas desta vez não fecharam tão bem a casinha, ao mesmo tempo em que o Liverpool teve o seu melhor rendimento em muito tempo.

O Atlético de Madrid permitiu 34 finalizações e precisou de nove defesas de Oblak, muitas delas excepcionais, para se manter vivo na disputa. Difícil até citar todas, mas pegou um bom chute cruzado de Chamberlain, barrou Firmino à queima-roupa duas vezes, defendeu a bomba de fora da área de Arnold, desviou duas boas batidas de Wijnaldum de dentro da área e ainda contou com a trave em uma cabeçada de Robertson.

Adrián havia dado sinais de insegurança no segundo tempo quando bateu roupa em um chute de João Félix de fora da área, mas conseguiu se recuperar antes de Correa pegar o rebote. O grande erro, porém, veio três minutos depois de Firmino fazer 2 a 0, placar que naquele momento classificava o Liverpool, um gol que Oblak não poderia ter evitado de maneira alguma – o brasileiro cabeceou na trave e emendou o rebote para o gol vazio.

Na verdade, errou duas vezes. Na saída de bola, entregou nos pés de João Félix, que acionou Marcos Llorente, na entrada da área. Depois, não se posicionou direito e deixou o canto esquerdo aberto. Não teve culpa no segundo gol de Llorente, mas um goleiro do nível de Alisson talvez conseguisse fazer uma grande defesa. O de Morata, no fim, apenas fechou o caixão do atual campeão europeu.

É difícil manter dois goleiros de níveis parecidos em um clube, com um deles necessariamente ficando muito tempo na reserva, mas a diferença entre o titular e o suplente, por mais que Adrián tivesse dado bons sinais no começo da temporada, acabou sendo crucial para o Liverpool, especialmente porque, no outro lado, o Atlético de Madrid teve um dos maiores especialistas da posição em um de seus melhores dias.

“Para mim, Oblak é o melhor goleiro do mundo. Não tenho dúvidas. Se Messi decide as partidas com seus gols, Oblak o faz com suas defesas”, resumiu Diego Simeone.