“Como vou estrear na seleção principal desse jeito? É uma vergonha! Nunca mais vão me chamar! Sou um desastre, assim não posso jogar”. Messi desceu direto para os vestiários, aos prantos. As palavras duras consigo mesmo vinham logo após sua primeira partida pela seleção argentina adulta. Achava que não ganharia mais chances, por mais que aquele momento tivesse sido especialmente forjado a ele. Após arrebentar no Mundial Sub-20, o camisa 10 acabou chamado por José Pekerman. A Albiceleste sabia dos riscos de perdê-lo para a Espanha, então tratou de botá-lo em campo, o que já evitava a naturalização conforme as regras da época. Só que, após substituir Lisandro López, Messi chamou atenção pelos motivos errados: com 47 segundos em campo, foi expulso no amistoso contra a Hungria.

Aquela experiência em 17 de agosto de 2005 durou pouco, mas acabou sendo definitiva. Mas não do jeito que Messi esperava. Menos de um mês depois, Messi já voltava a campo pela seleção, saindo do banco em um jogo das Eliminatórias contra o Paraguai. Também em setembro, ganharia a cidadania espanhola, já sem o temor dos argentinos em perderem o seu craque. E não demorou muito também para se tornar titular do Barcelona, na temporada em que os blaugranas reconquistaram a Champions após 14 anos, com participação importante do camisa 19 na fase de classificação.

Até hoje, aquele é o único cartão vermelho que Messi recebeu ao longo da carreira. Sua história na seleção argentina, no entanto, se desenrolou de maneira totalmente diferente. Por mais que sigam as acusações de que não joga com a Albiceleste tanto quanto com o Barça e que não tenha títulos (exceção feita à medalha de ouro nas Olimpíadas de 2008), o camisa 10 já é o segundo maior artilheiro da história da equipe nacional. Superar os 56 gols de Batistuta, apenas 10 à frente, parece apenas questão de tempo. Para provar que o garoto de 18 anos estava totalmente errado naquele momento de desespero.