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Ganhar a Premier League era a prioridade número um, dois e três do Liverpool nesta temporada, mas, à medida em que o título inglês que o escapa há 30 anos ficou praticamente garantido com tanta antecedência, abriram-se outras portas. Uma delas era a possibilidade de se tornar apenas o terceiro clube da Inglaterra a conseguir ser campeão invicto, ao lado de Preston North End e Arsenal. Essa possibilidade caiu por terra pelas improváveis mãos do Watford , que venceu por 3 a 0 e implicou aos Reds sua primeira derrota pela liga inglesa em 422 dias.

O fim da invencibilidade estava ficando cada vez mais próximo. Não foi um jogo ruim isolado, mas a quarta apresentação seguida abaixo da média. Vinha de vitórias apertadas contra Norwich (1 a 0) e West Ham (3 a 2), além da derrota para o Atlético de Madrid pela Champions League.

Em outros jogos nesta fantástica campanha que agora tem 26 vitórias e um empate em 28 rodadas, o Liverpool pareceu em apuros, mas conseguiu arrancar o resultado positivo com a qualidade de seus jogadores, bêbado de confiança e com uma mentalidade impressionante.

Diante do Watford, não houve salvador. Muita coisa deu errado ao mesmo tempo. Pesaram o desfalque de Jordan Henderson, que vinha sendo um dos melhores jogadores da temporada, e atuações fracas individuais da linha de defesa, não apenas de Dejan Lovren, pego para Cristo pela torcida, mas também de Alexander-Arnold e Van Dijk. O trio de ataque titular conseguiu exigir apenas uma defesa de Ben Foster o jogo inteiro.

Não é estranho que esta sequência ruim chegue depois da pausa de inverno de duas semanas. O Liverpool tem um ótimo coletivo e alguns jogadores excepcionais, mas seu principal diferencial durante esta caminhada foi mental. Confiança, atitude, concentração, a capacidade de dosar energia de acordo com exigência do jogo. Sete vitórias da Premier League e o empate contra o Manchester United foram alcançados com gols nos 15 minutos finais.

O Liverpool passou por uma maratona um pouco maior do que a de outros grandes clubes, por causa do Mundial, em que esses atributos foram testados ao máximo. Quando há uma pausa que permite aos jogadores dar uma relaxada, não é automático retornar àquele nível de concentração, mantido por tanto tempo pela adrenalina de vários jogos seguidos em que tudo dava certo, os resultados apareciam e a história era construída.

Especialmente em partidas que não valem muita coisa. Seria incrível para o clube ser campeão invicto, mas quanto realmente vale se sacrificar para isso? O Arsenal de 2003/04 alcançou o feito quase esgotado, com cinco empates nas últimas nove rodadas, e ajudou ter conseguido manter a invencibilidade até o começo de abril, quando foi eliminado das outras duas competições que disputava (FA Cup e Champions League), e não havia nada mais a se concentrar além de não perder jogos da Premier League. O Liverpool ainda está vivo nesses dois torneios. Enfrenta o Chelsea nesta semana pela Copa da Inglaterra e o Atlético de Madrid na seguinte, pela volta das oitavas de final da Champions.

A pausa de inverno serviu para descansar as pernas, mas a fadiga que mais afeta o Liverpool é a mental, um pouco mais complicada de curar, e, nesse sentido, a derrota para o Watford pode aliviar um pouco o fardo. Sem o título invicto no horizonte, mas com a sua primeira Premier League ainda muito bem encaminhada, não há exatamente muito motivo para se matar para empatar ou virar um jogo em que as coisas estão dando errado. Energia que pode ser reservada para as partidas que realmente importam, em outros torneios e nas vitórias que faltam para selar o título.

Jürgen Klopp falou em recomeço. “Às vezes, um pequeno chacoalhão é importante. Eu não vejo nada negativo nisso. De vez em quando, não somos bons o suficiente, precisamos ver o efeito. Não fomos bons o suficiente. E agora, o que acontece? Recomeçamos. Talvez quão mais longe a série invicta vá, mais isso se torna importante. Agora acabou. Podemos começar de novo com o que quer que fizemos antes. E vamos fazer isso”, disse.

Perder nunca é legal. Mas, dentro do contexto da temporada do Liverpool, uma derrota está longe de causar efeitos práticos relevantes. Ao contrário, se servir para tirar o time da inércia em que ele estava desde que voltou do período de folga, pode ajudar a atacar os objetivos que ainda estão em aberto. Dependerá do que o Liverpool fará com ela daqui para a frente.

Kick and rush

– Considerando que o Manchester City tem o hábito de golear equipes mais fracas nas copas nacionais, inclusive nas finais, o Aston Villa tem muitos pontos positivos para tirar de sua campanha na Copa da Liga. O principal foi a maneira como conseguiu derrotar o Leicester na semifinal. Os homens de Guardiola venceram oito dos últimos nove títulos nacionais, contando a Supercopa da Inglaterra, o que é impossível de alcançar sem uma consistência de rendimento excepcional, um nível de padrão de jogo que raras vezes fica muito abaixo.

– A rodada foi fantástica para o Wolverhampton. Ganhou o confronto direto contra o Tottenham, com uma tremenda virada. Viu Everton e Manchester United empatarem e o Chelsea perder pontos para o Bournemouth. As partidas de Arsenal e Sheffield United pela 28ª rodada foram adiadas por causa da final da Copa da Liga, então os Lobos subiram ao sexto lugar, a três pontos de vaga na próxima Champions League. E coletivamente, por solidez e tempo de trabalho, parecem o time mais confiável do momento.

– O Leeds teve uma sequência com apenas duas vitórias em 11 rodadas, o que parecia resgatar aqueles momentos da segunda parte da temporada em que equipes de Marcelo Bielsa perderam o fôlego, mas reagiu. Emendou três triunfos por 1 a 0 e deslanchou ao golear o Hull City, abrindo cinco pontos dentro da zona de vaga direta à Premier League. O perseguidor mais próximo é o Fulham, que tem oscilado. A dez partidas do fim, o retorno nunca pareceu tão próximo.