Pelo 14° ano consecutivo, a taça da Concachampions permanecerá no México – sem surpresa alguma. O favoritismo dos representantes da Liga MX era óbvio e se ampliou diante da completa decepção provocada pelas equipes da MLS. No entanto, se não há novidades no topo do pódio, há um interesse a mais na decisão: ela promoverá um dos maiores clássicos do continente. Tigres e Monterrey vêm alimentando a rivalidade com duelos importantes nos últimos anos. Nenhum, porém, com o calibre daquilo que se viverá nas próximas semanas. Um confronto com significado distinto a ambos.

O crescimento de Tigres e Monterrey nesta década é notável. São clubes com bom aporte financeiro e torcidas numerosas, que logo passaram a dominar o Campeonato Mexicano. Não à toa, em uma liga que ainda preserva os mata-matas, as partidas de vida ou morte são constantes. Esta será a sexta vez desde 2013 que o Clássico Regiomontano acontece por competições eliminatórias. No único encontro pela Copa MX, o Monterrey se deu bem. Já pela Liga MX, são dois triunfos para cada lado, embora o Tigres tenha vencido a ocasião mais importante – a decisão do Apertura de 2017. Agora, de maneira inédita, os oponentes medirão forças pela competição continental. Oportunidade com contornos bombásticos.

Afinal, a pressão maior está sobre o Tigres. Os felinos nunca conquistaram a Concachampions. Pior, acumulam a frustração de dois vice-campeonatos recentes, em 2016 e 2017, além da queda diante do River Plate na finalíssima da Libertadores de 2015. O Monterrey, por sua vez, tem o gosto de ter sido tricampeão continental no começo desta década. Faturou o torneio da Concacaf de forma consecutiva em 2011, 2012 e 2013 – e, nas duas últimas, batendo outro oponente regional do norte do México, o Santos Laguna. Além de reafirmar a veia internacional, os rayados também poderiam ampliar o sofrimento dos rivais desta vez.

No papel, o Tigres tem sua dose de favoritismo. Além de ser treinado pelo idolatrado Tuca Ferretti, também possui um elenco bastante qualificado. A lista de destaques estrangeiros se concentra principalmente do meio para frente, com menção especial ao trio ofensivo composto por André-Pierre Gignac, Eduardo Vargas e Enner Valencia – que não necessariamente jogam juntos. Além deles, há boas opções com Nahuel Guzmán, Rafael Carioca, Lucas Zelarayán, Guido Pizarro, Julián Quiñones e Francisco Meza. Já entre os mexicanos, aparecem ainda alguns nomes com rodagem na seleção, a exemplo de Carlos Salcedo, Hugo Ayala, Javier Aquino e Jürgen Damm. Embora Gignac mantenha médias absurdas na Liga MX, o destaque na Concachampions é Enner Valencia. O atacante da seleção equatoriana soma sete gols em seis partidas, letal nos duelos contra o Santos Laguna durante as semifinais.

O Monterrey, por outro lado, também possui um conjunto respeitável. O comandante dos rayados é Diego Alonso, uruguaio que veio de ótimo trabalho com o Pachuca, com o qual faturou a Concachampions em 2017. Já a espinha dorsal é composta principalmente pelos argentinos, com Marcelo Barovero, Nicolás Sánchez, Leonel Vangioni, José Basanta, Maximiliano Meza e Rogelio Funes Mori – este, em fase espetacular no comando de ataque, anotando gols a rodo nos últimos meses. Entre os demais estrangeiros, menções honrosas ainda aos colombianos Dorlan Pabon e Avilés Hurtado, bem como ao incisivo ponta uruguaio Jonathan Urretaviscaya. E há espaço para os convocáveis da seleção local, como César Montes, Miguel Layún, Jesús Gallardo e Rodolfo Pizarro. Não ficam muito atrás dos rivais.

Nesta Concachampions, o Tigres passou um pouco mais de dificuldades. Chegou a perder a estreia contra o Saprissa, antes de golear na volta, e também sucumbiu ao Santos Laguna no jogo mais recente, embora já tivesse construído uma ampla vantagem na ida. O Monterrey não foi brilhante contra o Alianza de El Salvador nas oitavas de final, mas despachou o incensado Atlanta United e, nas semifinais, enfiou cinco gols em cada uma das partidas contra o Sporting Kansas City. Agora, o principal desafio vem em forma de clássico para ambos. Se a tarimba internacional dos rayados pesa de um lado, os felinos se deram melhor nos últimos embates decisivos. Cenas para os próximos capítulos, em jogos marcados para 23 de abril e 1° de maio. O torneio da Concacaf pode até pecar pela monotonia, mas desta vez merece atenção por tudo o que coloca em campo. É a glória máxima do continente e também a chance de gozar os vizinhos por bons anos.