O Notts County permaneceu, durante 121 anos, como o clube profissional mais antigo em atividade no futebol. O rebaixamento inédito na Football League durante a última temporada tirou a primazia dos Magpies e também escancarou as dificuldades financeiras enfrentadas pela diretoria. A agremiação, fundada em 1862, atravessa uma ampla mudança para disputar a National League (equivalente à quinta divisão do Campeonato Inglês) e precisou se escorar no apoio de outros times históricos para superar turbulências maiores. Vizinho e principal rival citadino (ainda que o clássico tenha perdido força com o passar das décadas, pela distância nas divisões), o Nottingham Forest foi justamente quem mais estendeu a mão.

A principal preocupação do Forest se concentrou nos funcionários do Notts County, que estavam desde maio sem receber seus salários. Antes do amistoso contra a Real Sociedad pela pré-temporada, na última sexta-feira, os alvirrubros realizaram uma coleta de doações entre seus torcedores para angariar fundos aos alvinegros. A vaquinha serviria para cobrir os salários atrasados durante os últimos dois meses, enquanto os débitos relativos a julho venceriam na próxima sexta-feira.

No fim das contas, o dinheiro se tornou desnecessário. Na própria sexta-feira, os dinamarqueses Christoffer e Alexander Reedtz concretizaram a compra do Notts County e garantiram o pagamento dos débitos. Desta maneira, o Forest optou por doar os fundos arrecadados, agora a instituições de caridade. O próprio Notts County fará o mesmo. Paralelamente, os Magpies realizaram outras campanhas para angariar dinheiro. Junto com os vizinhos, irão auxiliar iniciativas comunitárias.

Além do Forest, a Juventus também se prontificou a ajudar o Notts County. Os dois clubes são historicamente ligados: os uniformes listrados em preto e branco dos italianos surgiram justamente após o envio feito por um torcedor do clube inglês. Desde então, a amizade se reafirma e os Magpies foram convidados para disputar a partida inaugural do Allianz Stadium em 2011. Já na atual crise, o Notts County estava sem uniformes, por não ter dinheiro para cobrir uma dívida e pagar pelo material. Uma parlamentar britânica entrou em contato com a Juve e, através da Adidas, os bianconeri se disponibilizaram para auxiliar. A doação dos novos uniformes só não foi feita porque os ingleses possuem um contrato de exclusividade com a Puma. A venda da agremiação, ao menos, resolveu a questão.

O mais importante ao Notts County, neste momento, é ganhar novas perspectivas. O retorno à Football League não deve ser a prioridade imediata, diante dos entraves internos e das mudanças. De qualquer maneira, considerando o risco de extinção que rondava o clube, o respiro já representa bastante. E sabendo que os esforços para preservar uma camisa tão tradicional não partiu apenas dos próprios torcedores. O senso de comunidade prevaleceu, e isso foi o mais bacana ao futebol.

Na nota em que garante que as arrecadações serão doadas à caridade, o Forest deseja “o melhor” ao Notts County e aos seus novos donos. Enquanto isso, os irmãos Reedtz prometem preservar a história dos Magpies. “Desde que fundamos nossa companhia há dez anos, era nosso objetivo administrar um clube de futebol e estamos entusiasmados com a chegada do dia em que cumprimos essa ambição. Agora, ter a oportunidade de possuir um clube com tal herança, como o Notts County, é um sonho que se torna realidade para nós dois”, apontam, sob a promessa de realizar também inovações. Juntam isso a uma inescapável valorização do passado.

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