A Austrália, se não fez jogos ruins na Copa do Mundo, esteve longe de ser brilhante. Era uma equipe correta, que complicou os principais adversários do Grupo C, mas não conseguiu vencer. E o desafio dos atuais campeões na Copa da Ásia se tornava considerável, já se sabia. Além da mudança no comando técnico, com a chegada de Graham Arnold, os Socceroos também lidam com a aposentadoria de Tim Cahill e Mile Jedinak. Além disso, alguns de seus principais jogadores se lesionaram às vésperas do torneio, com as ausências sentidas de Aaron Mooy e Daniel Arzani. Seria difícil manter a coroa, embora os australianos seguissem no grupo de favoritos. A estreia da equipe, todavia, rendeu mesmo a história aos adversários. A Jordânia fez uma excelente partida neste domingo e segurou a valorosa vitória por 1 a 0. Ao final do jogo, a comemoração dos árabes representava toda a importância do certame.

Ao longo da última década, a Jordânia se tornou uma participante costumeira da Copa da Ásia. Esteve presente na competição em 2004, 2011 e 2015. Nestas duas primeiras participações, inclusive, conquistou a classificação às quartas de final – sucumbindo a Japão e Uzbequistão, respectivamente. De qualquer maneira, a um time que vinha oscilando ao longo dos últimos meses, a vitória deste domingo acaba sendo simbólica. É o claro sinal que permite aos jordanianos sonharem com uma campanha de destaque. Mesmo sem grandes destaques internacionais e com um time praticamente inteiro baseado na liga local, o time treinado por Vital Borkelmans (antigo assistente da seleção belga) mostrou seus predicados.

Depois de boas defesas de ambos os arqueiros, o gol decisivo aconteceu aos 26 minutos, a partir de uma cobrança de escanteio. Um dos mais tarimbados da seleção jordaniana, Anas Bani Yaseen cabeceou firme e não deu chances a Mat Ryan. A comemoração seria ensandecida, com todo o time saindo para abraçar o autor do tento. Logo na sequência, o arqueiro australiano ainda salvaria uma cobrança de falta que carimbou o travessão e quase aumentou a vantagem dos árabes. Os Socceroos tinham dificuldades para se impor no ataque, um problema notável há tempos. Contudo, ainda na primeira etapa, tiveram um justo pedido de pênalti não atendido pelo árbitro.

O segundo tempo foi dominado pela Austrália. A Jordânia se segurava na defesa e tentava aproveitar os contra-ataques, mas teve que lidar com o sufoco principalmente nos 30 minutos finais. Os Socceroos viram um tento bem anulado por impedimento e acertaram a trave uma vez, em bomba de Awer Mabil, enquanto paravam nas grandes defesas do goleiro Amer Shafi. Aos 36 anos, o capitão e recordista em jogos pela seleção jordaniana teve uma atuação marcante. Realizando boas defesas ao longo da tarde, se consagrou de verdade nos acréscimos. Justo no último lance, salvou duas bolas decisivas em sequência. Tornou-se o epicentro da comemoração efusiva.

A melhor cena aconteceu depois que o apito final soou. A comissão técnica e os jogadores substitutos da Jordânia invadiram o campo. Shafi, ajoelhado, comemorava a vitória feito uma classificação aos mata-matas. Seria carregado nos braços pelos companheiros. Da mesma maneira, outros atletas extravasavam sua euforia, diante da clara decepção dos australianos. É um resultado essencial, mesmo na rodada inaugural da Copa da Ásia, considerando o equilíbrio no Grupo B – que ainda conta com Síria e Palestina. Um domingo inesquecível ao futebol do país árabe que, em contrapartida, liga o sinal de alerta aos Socceroos.