Antes que a Bundesliga inicie sua nova temporada, tradicionalmente a DFB Pokal abre o ano futebolístico no futebol alemão. E a estreia da competição em 2020/21 não poderia ser mais eletrizante. Recém-promovido à segunda divisão, o histórico Eintracht Braunschweig recebia o Hertha Berlim, um adversário inflado pelo dinheiro de seu novo investidor e com grandes ambições. O duelo no Estádio Eintracht, no entanto, marcou uma vitória inesquecível aos anfitriões. Numa noite de nove gols, os Leões sempre estiveram à frente no placar. Conseguiram se impor contra os favoritos e, mesmo ante as repetidas reações dos berlinenses, esfriaram todas elas. Ao final, o placar de 5 a 4 marca não apenas a classificação do Braunschweig à próxima fase, como também uma partida memorável à Pokal.

Bruno Labbadia escalou um Hertha Berlim cheio de jogadores badalados, incluindo o goleiro Alexander Schwolow e o volante Lucas Tousart, principais adições dos alviazuis até o momento. E se havia expectativas de uma boa vitória da Velha Senhora, os planos caíram por terra logo cedo. Martin Kobylánski deu seu cartão de visitas com um gol de falta aos dois minutos, para abrir o placar ao Braunschweig. A vantagem não retraiu os Leões, que mantiveram uma postura corajosa, saindo ao ataque. Ampliaram aos 17, num lance bisonho que terminou com o gol contra de Maximilian Mittelstädt.

O baque parecia suficiente para o Hertha despertar. Seis minutos depois, a Velha Senhora descontou com Dodi Lukébakio, cabeceando o escanteio cobrado por Matheus Cunha. E o brasileiro chamava a responsabilidade para si, arrancando o empate aos 29, num ataque rápido dos berlinenses. Neste momento, a virada até parecia mais provável, considerando a postura dos visitantes. Mas logo o Braunschweig respondeu. Assustou aos 40 e, pouco depois, teve um pênalti marcado a seu favor. Schwolow pegou a cobrança de Kobylánski, mas o polonês aproveitou o rebote logo na sequência e deu a vantagem ao seu time antes do intervalo.

O segundo tempo recomeçou com uma imensa pressão do Hertha. E com uma versão infernal de Matheus Cunha, participando de todas e indo pra cima da defesa adversária. O brasileiro quase arrancou o empate, mas parou no poste. Seu jeito, então, foi servir outra assistência aos 20. O atacante fintou a marcação e fez o cruzamento rasteiro para Peter Pekarík aparecer como elemento surpresa na área. Mas, se de um lado havia Matheus, do outro Kobylánski não se entregava. O polonês retomou a dianteira para o Braunschweig dois minutos depois, arrematando com toda a liberdade na entrada da área, após inteligente inversão.

O quarto tento levou o Hertha à lona. Grogues, os berlinenses tomariam ainda o quinto, aos 28, de Suleiman Abdullahi – emprestado pelo rival Union Berlim ao Braunschweig. Depois de um lindo passe de calcanhar de Yassin Ben Balla, o nigeriano ganhou da marcação no corpo e tocou na saída de Schwolow. Neste momento, a missão da Velha Senhora era duríssima, não só pela diferença, como também pela boa atuação dos Leões. As esperanças só se reavivaram aos 38, quando Lukebákio arriscou de longe e descontou, em falha do goleiro Jasmin Fejzic. Só que o bombardeio final do Hertha seria insuficiente. Matheus Cunha fez outra jogadaça pela esquerda, mas foi fominha demais e preferiu chutar para fora, quando tinha companheiros livres na área. Logo depois, Javairo Dilrosun errou o alvo ao sair de frente com o goleiro. O heroísmo e a comemoração seriam do Braunschweig.

Presente em 21 temporadas da Bundesliga e campeão nacional em 1966/67, o Eintracht Braunschweig possui uma história marcante no futebol alemão. As últimas décadas não têm sido muito pródigas, com a aparição isolada na elite em 2013/14. A vitória sobre o Hertha Berlim, mais que a afirmação contra um adversário badalado, abre o caminho a uma boa temporada. Pode significar uma campanha marcante na Pokal, bem como um retorno positivo à segunda divisão. Do outro lado, o sinal de alerta já soa no Estádio Olímpico, por mais que Bruno Labbadia desse mostras de ascensão no final da Bundesliga passada. Dinheiro pode comprar jogadores, mas não consistência, e isso falta ao Hertha.