Por Leandro Stein

Seleções que empolgaram na última Copa do Mundo, equilíbrio entre os favoritos e nada de estrelas poupadas desta vez. Diante de tantos pontos positivos, a Copa América de 2015 promete ser uma das melhores dos últimos anos. É um desejo evidente de Brasil, Argentina e Uruguai, os grandes campeões do torneio ao longo de sua história, mas que também conta com Chile e Colômbia como fortes concorrentes ao título. E que contará com uma excelente prévia neste sábado. Pois sim, estamos falando mesmo da final da Champions: o ótimo número de craques sul-americanos no duelo em Berlim só ajuda a aumentar o interesse pelo embate de seleções no Chile, a partir da próxima semana.

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Durante meses, muito se discutiu sobre a forma como a Champions poderia atrapalhar a preparação da Copa América. A imprensa espanhola, principalmente, desenhou uma queda de braço entre finalistas e federações sobre a liberação dos jogadores. Nada que tenha acontecido de fato. As duas partes preferiram não complicar e os sul-americanos viajarão para o continente após a decisão sem maiores problemas. O que, no final das contas, só traz benefícios a todos: à Champions, que não perde ninguém, e à Copa América, que dá um aperitivo com seus principais protagonistas.

Seleção da casa, o Chile tem seu principal craque comandando o meio-campo da Juventus, Vidal. O camisa 10 e craque absoluto do Brasil, Neymar, terá a chance de conquistar o seu primeiro título europeu com o Barcelona. A Argentina é representada em peso, e dos dois lados, com Messi e Tevez liderando os dois ataques, além de Mascherano dando alma à defesa blaugrana. E isso sem contar os coadjuvantes que ficarão no banco no Estádio Olímpico de Berlim, como Roberto Pereyra (nome recorrente no decorrer dos jogos da Juve), Claudio Bravo (titular no Espanhol e reserva nas copas) e Mauricio Isla.

A conta, aliás, poderia ser ainda mais abrilhantada por outro craque que atrairá os holofotes em Berlim, mas segue afastado de sua seleção por um exagero: Luis Suárez, que ainda paga a punição pela mordida em Chiellini na Copa do Mundo. Durante os últimos meses, a imprensa uruguaia levantou a hipótese de Joseph Blatter dar um indulto ao artilheiro da Celeste e permitir que ele fosse convocado. A esta altura, no entanto, as esperanças já se esvaíram, até porque o presidente da Fifa anda preocupado com outros assuntos neste momento.

VÍDEOS: Messi x Tevez: o caminho dos craques até a final em Berlim

Pensando nos outros clubes europeus, a Copa América não poderia ter representantes melhores na final da Champions. Barcelona e Juventus possuem quatro jogadores convocados cada. Os únicos times a irem além desse número no continente são Atlético de Madrid e Paris Saint-Germain, mas longe do grau de protagonismo de Messi, Neymar, Tevez e Vidal. Semifinalista da LC, o Real Madrid só cedeu James Rodríguez, já que Marcelo acabou cortado; enquanto isso, o único nome do Bayern é Claudio Pizarro.

Nos últimos 20 anos, apenas a Copa América de 2011 teve mais de um jogador da final da Champions em seus elencos. E, mesmo assim, enquanto os cinco nomes do Barcelona se distribuíam entre Argentina e Brasil, o Manchester United só contava com um jogador. De todos, só Messi com a pecha de craque, enquanto Mascherano, Gabi Milito, Daniel Alves, Adriano e Antonio Valencia não passavam de bons coadjuvantes. Um cenário bem distante de todo o talento de 2014.

O melhor disso tudo para a Copa América? É que as chances de um desses caras decidir a final da Champions também são imensas – e poderiam ser maiores, não fosse a ausência Suárez. Resta saber o quão longe os jogadores de Barça e Juve poderão chegar também com suas seleções, já que não será fácil emendar a maratona de jogos, ainda mais com a preparação bem mais curta que a dos companheiros. Se a Conmebol planejasse, não poderia criar uma prévia tão boa para o seu produto. Até porque, afinal, planejar as coisas não é o forte dos dirigentes sudacas. Melhor deixar os craques brilharem pelas próprias pernas.