A Copa América terminou neste domingo com título do Brasil contra o Peru no Maracanã e algo que foi constante ao longo de todo o torneio: uma arbitragem de nível péssimo. Roberto Tobar, do Chile, foi o escolhido para a final e errou muito ao longo da partida. Por exemplo, marcou dois pênaltis inexistentes, um para o Peru, outro para o Brasil, além de uma expulsão que foi exagerada de Gabriel Jesus. Como grande parte dos árbitros, usou cartões para “controlar o jogo”, errou em decisões pequenas e também em grandes.

O nível da arbitragem foi baixo e, infelizmente, não é uma novidade em torneios da Conmebol. O que se viu na semifinal entre Brasil e Argentina foi um sinal disso: dois lances capitais que poderiam mudar o resultado do jogo passaram sem que houvesse uma aparente revisão no VAR. Algo absurdo considerando que os dois lances são bastante polêmicos. E gerou reclamações dos argentinos – que passaram do tom, evidentemente, mas havia um ponto ali sobre a questão da arbitragem.

Isso tem a ver com um fator que acontece por aqui: os árbitros são muito mais caseiros do que, por exemplo, na Europa. E essa é uma característica da Conmebol como entidade: os sorteios costumam ser muito generosos com os anfitriões, as arbitragens costumam ser lenientes com os mandantes dos jogos (vale para torneios de clubes também), e, por isso, tudo relacionado a arbitragem acaba sofrendo com isso. Inclusive a tecnologia, como o VAR.

O VAR, aliás, também se tornou um problema em torneios da Conmebol. A tecnologia passou a ser usada mais frequentemente em nível mundial na Copa do Mundo e já era utilizado em outras ligas antes. Atualmente, é usada em quase todas e as que não usam passarão a usar, incluindo aí o Brasileirão, que adotou em sua edição 2019. Na Itália, Holanda e Alemanha, houve problemas no início, mas depois foi bem aplicado, algo que segiu em outros países, como Espanha e França. Não é o que acontece em torneios da Conmebol, que parece ter ali mais uma ferramenta para errar com gosto.

Aqui no Cone Sul, a Conmebol parece usar o VAR de forma bastante questionável, distorcendo ou ignorando o protocolo, cometendo erros grosseiros e, principalmente, usando a tecnologia de forma covarde. O uso do VAR precisa ter parcimônia. Se em todos os torneios e ligas que o VAR passou a ser utilizado vimos problemas quando o uso da tecnologia foi para lances interpretativos, em que as pessoas na cabine podem discordar das do campo, aqui na América do Sul serviu como um confortável colchão para os árbitros adormecerem seus erros.

Na América do Sul, o VAR chamou os árbitros em muitos lances contestáveis, não em erros claros, como deveria ser. Em muitos lances, os árbitros, em campo e nas cabines, usaram o VAR para esfriar o jogo e também para revogar lances que, a rigor, são muito interpretativos. Em alguns casos, a decisão parecia estar em uma linha tênue. E esse é justamente o tipo de lance que o VAR precisa ser evitado: se não é um erro claro e cabe interpretação, será mesmo o caso de revisar?

A revisão é outro ponto. Quando lances de contato são vistos em câmera lenta, distorcem o que é o futebol. O protocolo diz que a câmera lenta deve ser usada apenas para determinar se houve ou não o contato, já com a decisão sobre a falta tomada. Não é o que vemos acontecer. Em terras sul-americanas, a câmera lenta é demasiadamente usada e, assim, alguns lances bastante duvidosos acabam virando faltas. Ou mesmo acabam achando faltas onde não tinham visto revisando contatos que nem precisariam ser olhados na lupa, porque no tempo real o toque não foi suficiente para ser faltoso.

Acaba havendo um excesso de rigor em alguns casos que não são exatamente claros. Como sempre, parece faltar um pouco de bom senso. Talvez seja necessário alterar os protocolos para impedir interferências maiores, como essas que acontecem na América do Sul. Na NFL, por exemplo, se o vídeo não traz uma certeza sobre o lance, prevalece a decisão de campo. Em muitos lugares, é isso que já acontece, porque há o bom senso, mas nem sempre dá para contar com isso. A Fifa, bom, tá longe de ter um protocolo unificado e, ao contrário da NFL, que gere apenas uma liga, dirige um esporte mundial, que é o mais popular do mundo e jogado em culturas completamente diferentes.

Será preciso trabalhar mais pela arbitragem na Conmebol, mas o que vemos por aqui é reclamações pontuais, quando prejudicados, mas jamais em um esforço coletivo. O que vemos, portanto, é só um “farinha pouca, meu pirão primeiro”. E, assim, seguimos na nossa mediocridade. Arbitragem é um problema mundial, mas na Conmebol ele não é tratado e segue sendo um assunto usado por dirigentes para se favorecer. Melhorar pode fazer com que isso mude, então, melhor tentar puxar a sardinha pra si do que melhorar. É a mesquinharia que, infelizmente, não é uma novidade. E, ainda mais tristemente, não há perspectiva de melhora.