Há quatro anos, a Costa do Marfim chegou ao título da Copa Africana de Nações deixando a Argélia pelo caminho nas quartas de final. As duas equipes fizeram um grande jogo, que impulsionou a caminhada dos Elefantes rumo ao título. Nesta quinta-feira, aconteceu o reencontro, novamente pelas quartas de final. E os argelinos, que já pintavam como favoritos pelo bom futebol, conquistaram um triunfo imensurável. Naquele que foi (com sobras) o melhor jogo da CAN 2019 até o momento, as Raposas do Deserto superaram os seus dramas para, depois do empate por 1 a 1 em 120 minutos, conquistar a vitória por 4 a 3 nos pênaltis.

O placar até foi magro, diante de tudo o que aconteceu em Suez. Costa do Marfim e Argélia fizeram uma partida completamente aberta, entre equipes agressivas e com boas armas ofensivas. As defesas, ainda assim, prevaleceram – entre bolas na trave, outras salvas em cima da linha e até mesmo um pênalti perdido. O psicológico dos argelinos parecia afetado, sobretudo após a penalidade que Baghdad Bounedjah mandou no travessão logo após o intervalo. Contudo, a precisão das Raposas do Deserto na marca da cal foi maior. O goleiro Raïs M’Bolhi ajudou e o país retorna a uma semifinal de CAN após nove anos. Festa garantida, terão novamente uma parada dura pela frente, encarando a Nigéria no próximo domingo.

A Costa do Marfim fica muito próxima do gol

Durante o início da partida, a Costa do Marfim aproveitava a velocidade de seu ataque e precisou de apenas seis minutos para criar uma chance claríssima. Max-Alain Gradel recebeu pela esquerda e preparou o chute cruzado. O goleiro Raïs M’Bolhi conseguiu dar um leve desvio, em bola que bateu na trave. Jonathan Kodija desperdiçou o rebote e, pouco depois, ainda furou um lance em excelentes condições dentro da área. Apesar do quase, os Elefantes apresentavam suas credenciais.

A Argélia sai em vantagem

A resposta da Argélia não demorou a vir. Riyad Mahrez levou muito perigo aos nove minutos, em chute cruzado que passou ao lado da meta marfinense. As Raposas do Deserto tinham mais posse de bola e conseguiram encontrar uma brecha para marcar aos 20 minutos. Baghdad Bounedjah ganhou uma inversão pelo lado esquerdo e deixou a bola limpa com Ramy Bensebaini, que aproveitou o espaço para rolar ao meio da área. Sofiane Feghouli passou em velocidade e concluiu de primeira, garantindo a diferença aos argelinos.

Um jogo bastante divertido

O primeiro tempo seguiu em ritmo altíssimo. A Costa do Marfim se tornou mais dominante durante a reta final da primeira etapa e contava com a voracidade de sua linha de frente, em especial Gradel. O ponta participava bastante do jogo e poderia ter garantido o empate antes mesmo do intervalo, mas parou em M’Bolhi. A Argélia encontrava mais dificuldade para conectar o seu ataque, buscando as bolas longas a Bounedjah na frente.

Um pênalti bastante lamentado

Logo no primeiro minuto do segundo tempo, a Argélia poderia ter matado o jogo. Lançado em profundidade, Bounedjah ia driblando o goleiro Sylvain Gbohouo, quando acabou derrubado. O árbitro anotou o pênalti e o próprio Bounedjah cobrou. No entanto, o centroavante exagerou na força e a bola explodiu no travessão. Passaria o restante do tempo lamentando o erro. Mesmo quando foi substituído, ao ser filmado no banco, o camisa 9 estava inconsolável, muitas vezes balbuciando aos céus. Simbolizava o desespero dos argelinos.

E logo depois sai o empate

A Costa do Marfim não demorou a sentir que aquele era o seu momento. Os Elefantes quase arrancaram o empate na sequência, mas M’Bolhi espalmou a batida prensada de Kodija. O atacante, porém, garantiu a igualdade aos 17 minutos. Wilfried Zaha passou a Kodija, que limpou da direita para a esquerda, em ótima jogada individual. Quando encontrou a fresta na entrada da área, entre dois marcadores, efetuou o tiro cruzado. M’Bolhi ainda tocou na bola, sem evitar o belo tento marfinense.

Um gol salvo que valeu como um gol feito

A partida permaneceu aberta na meia hora final, com os dois times buscando o ataque. A Argélia levou muito mais perigo, mas faltava um pouco mais de calma na definição. Antes de ser substituído, Bounedjah ficou de novo muito próximo do segundo gol, parando em Gbohouo no mano a mano. Bensebaini também errou o alvo em bicicleta, enquanto o lance mais espetacular aconteceu diante de Mahrez. Quando o craque argelino ia conseguindo mandar no canto, Mamadou Bagayoko conseguiu interceptar o chute de maneira heroica em cima da linha.

Emoção até o final

Zaha também lamentou o seu tento perdido aos 30. Gradel fez a jogada e serviu o companheiro, que apareceu sozinho, mas espirrou o taco. A Argélia permaneceu com uma postura agressiva, também gerando outras oportunidades. O mais legal da partida era notar a fome de ambas as equipes, sem diminuir o ritmo nem mesmo pelo cansaço e pelo intenso calor. Em uma Copa Africana que pouco tem agradado por seus jogos, os 30 minutos a mais seriam muito bem-vindos.

Uma prorrogação agonizante

Os dois treinadores não tiveram problemas em sacar os seus destaques. Djamel Belmadi tirou Bounedjah e Mahrez ainda no segundo tempo. Enquanto isso, Ibrahima Traoré substituiu Zaha e Kodija no início da prorrogação. Os tempos extras não tiveram tantas chances claras, mas permaneceram cardíacos. A Costa do Marfim foi mais insistente nos 15 minutos iniciais, inclusive com uma confusão na área na qual Mehdi Zeffane salvou quase em cima da linha. Já no segundo tempo, a Argélia fez valer o seu controle, com duas oportunidades de matar o duelo. Islam Slimani cabeceou para outra boa defesa de Gbohouo. E, como se não bastasse, no último lance houve uma falta perigosíssima aos argelinos. Andy Delort entrou só para bater, mandando ao lado da meta.

Os pênaltis e o alívio de Bounedjah

Em uma noite tão emocionante, somente os pênaltis seriam o desfecho digno à partidaça. Gbohouo parecia melhor na disputa, ficando muito próximo de barrar os primeiros chutes da Argélia. Os árabes, entretanto, exibiam muita competência nas cobranças. Seria justamente M’Bolhi o primeiro a salvar, espalmando o chute de Bony, o terceiro da Costa do Marfim. A situação se abria aos argelinos, até que Youcef Belaïi desperdiçasse justamente o último arremate do time, mandando no pé da trave. De qualquer maneira, Serey Dié jogou fora a chance de forçar as alternadas. Errou a quinta batida marfinense, carimbando a mesma trave que seu adversário. Enfim, os argelinos poderiam comemorar, com o triunfo por 4 a 3. O alívio era evidente depois de tamanha batalha.

Ficha técnica

Argélia 1×1 Costa do Marfim (4×3 nos pênaltis)

Local: Estádio de Suez
Árbitro: Bamlak Tessema Weyesa (Etiópia)
Gols: Sofiane Feghouli, aos 20’/1T; Jonathan Kodija, aos 17’/2T
Nos pênaltis: Bensebaini, Slimani, Delort e Ounas marcaram pela Argélia, Belaïli perdeu; Kessié, Cornet e Gradel marcaram pela Costa do Marfim, Bony e Dié perderam.
Cartões amarelos: Wilfried Zaha, Mamadou Bagayoko, Sylvain Gbohouo, Franck Kessié, Cheick Comara (Costa do Marfim); Ramy Bensebaini, Ismael Bennacer (Argélia)
Cartões vermelhos: nenhum

Argélia: Raïs M’Bolhi, Youcef Atal (Mehdi Zeffane), Aissa Mandi, Djamel Benlamri, Ramy Bensebaini; Adlene Guédioura; Riyad Mahrez (Adam Ounas), Sofiane Feghouli (Andy Delort), Ismael Bennacer, Youcef Belaïli; Baghdad Bounedjah (Islam Slimani). Técnico: Djamel Belmadi.

Costa do Marfim: Sylvain Gbohouo, Mamadou Bagayoko, Ismael Traoré, Wilfried Kanon (Cheick Comara), Wonlo Coulibaly; Ibrahim Sangaré (Jean-Philippe Gbamin), Serey Dié, Franck Kessié; Wilfried Zaha (Maxwel Cornet), Jonathan Kodija (Wilfried Bony), Max-Alain Gradel. Técnico: Ibrahima Kamara.