Há muito tempo, nós aqui na Trivela pensamos como seria um ranking de clubes da Conmebol. Estamos acostumados a ver os clubes europeus em um ranking, que é usado para definir quem será cabeça de chave. Se os critérios da Conmebol para cabeças de chave praticamente não existem atualmente, isso irá mudar em 2016. Em entrevista ao blog do Jorge Nicola, o presidente da Conmebol, Juan Ángel Napout, disse que a partir do próximo ano será usado um ranking de clubes para que não aconteça como este ano, um grupo com três campeões – San Lorenzo, Corinthians e São Paulo. Então, resolvemos dar uma mão para a Conmebol e ajudar a criar o ranking de clubes. Nos inspiramos no ranking da Uefa, fazendo adaptações em relação ao número de clubes e de países, além de contas muito mais simples. E pela experiência, podemos dizer: a tarefa não é nada fácil.

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Durante um bom tempo, a Conmebol usava um ranking histórico, que considerava todas as participações dos times nas competições sul-americanas desde a primeira, em 1960. Isso, claro, criava distorções. Em 2012, a entidade chegou a esboçar um bom ranking, mas acabou deixando de lado, sem atualizar. Juntamos então a fome com a vontade de comer: criamos um ranking de clubes da América do Sul para saber em que patamar cada um está.

Os critérios são simples. Consideramos os resultados da Libertadores e da Sul-Americana e só são considerados os últimos cinco anos, assim como a Conmebol fazia no seu ranking em 2012 e como a Uefa também faz na Europa, dando mais peso aos anos mais recentes. Estipulamos uma pontuação para cada fase que os times avançam, além de uma pontuação pelo título. Basicamente, esse tipo de ranking premia a regularidade, ou seja, quem participa mais vezes, e melhor, acaba tendo boa pontuação.

Fizemos o ranking baseado nos últimos cinco anos, o que significa de 2010 a 2014. Os pesos são os seguintes:

2010: 0,2
2011: 0,4
2012: 0,6
2013: 0,8
2014: 1,0

Para calcular a pontuação de cada time, atribuímos três pontos por vitória e um ponto por empate e demos pontos de bônus em cada fase que o time avança na competição. São três pontos por vitória e mais um por empate. A pontuação bônus é a seguinte:

Pontuação bônus

Com isso, chegamos ao momento que você esperava: o ranking dos clubes. Lembre-se que o ranking premia a regularidade, ou seja, se um time participa uma vez em um ano e depois deixa de participar em outros anos, ou pontua pouco, isso influencia.

Na Europa, há um grupo estabelecido de forças que estão sempre entre os que chegam mais longe. O Barcelona esteve em sete das últimas oito semifinai; o Real Madrid esteve presente nas últimas cinco semifinai; e o Bayern de Munique chegou a cinco das últimas seis semifinais. Os três times dominam a Europa e formam o grupo mais forte.

Na América do Sul, não há nada parecido com isso. Nenhum clube consegue dominar o continente, e nem há um grupo de times que estão sempre nas semifinais. Nos últimos três anos, tivemos três campeões inéditos – Corinthians, Atlético Mineiro e San Lorenzo. Há um claro domínio dos países, Brasil e Argentina, mas longe de um clube desses dois países conseguir exercer essa força.

Isso, portanto, se reflete no ranking. Quem é mais regular, participando mais vezes e indo longe com constância, consegue mais pontos. Mostramos os 30 primeiros colocados no ranking (você pode ver o ranking completo aqui):

Ranking Trivela de Clubes Sul-Americanos 2015 -  Ranking de clubes 2015

Pode parecer estranho que clubes como a Universidad de Chile, Lanús, Emelec e Libertad apareçam nas primeiras posições, mas isso tem explicação. Todos eles têm participações frequentes em Libertadores e Sul-Americana e costumam ter boas campanhas (o que se reflete na pontuação ano a ano). Todos fizeram boas campanhas nas duas principais competições do continente e isso acaba dando muitos pontos. O Boca Juniors, por exemplo, não pontuou em 2010 e 2011, quando ficou fora da Libertadores e Sul-Americana, mas teve boas campanhas desde então, o que o coloca em 10º lugar.

O São Paulo é o melhor brasileiro no ranking. Foi semifinalista em 2010, sua melhor pontuação no período. Em 2012, foi campeão da Sul-Americana e em 2013 foi até as oitavas de final da Libertadores e semifinal da Sul-Americana, onde também chegou em 2014. Por isso, pontuou constantemente e ficou em oitavo no ranking.

Para quem acompanha a Champions League, sabe que acontece de times como o Porto eventualmente serem cabeças de chave, pelo seu bom ranking, deixando times como Paris Saint-Germain e Manchester City fora. Isso porque o que vale é o histórico dos últimos cinco anos, e o Porto, mesmo sem ser campeão, está sempre cegando ao mata-mata, ao menos às oitavas de final. O Borussia Dortmund é outro que não consegue ser cabeça de chave, porque ficou muito tempo fora das competições europeias. Precisa emplacar anos consecutivos bem para conseguir melhorar a sua posição. Usando essa lógica, aqui na América do Sul acontece a mesma coisa.

Uma liga forte e disputada como o Campeonato Brasileiro dá menos chances para os clubes estabelecerem uma hegemonia e jogaram a Libertadores todo ano. Em países menores, como Paraguai, Chile e Equador, os participantes se repetem mais, porque há menos times fortes na disputa da liga. Por aqui, há mais forças equivalentes na disputa por vaga na Libertadores e há uma variação de times que frequentam – e vão bem – na principal competição do continente. Eventualmente há um Goiás ou Ponte Preta com uma grande campanha na Sul-Americana, mas não há constância – a Ponte acabou rebaixada no ano que foi semifinalista e o mesmo aconteceu com o Goiás.

A América do Sul é um continente muito mais cheio de peculiaridades quando se trata de um ranking. Não há por aqui nenhum Bayern de Munique, Barcelona ou Real Madrid, assim como é mais difícil ter um Bate Borisov. Mesmo times mais fracos, como o Nacional do Paraguai, eventualmente fazem uma boa campanha em uma das competições do continente e acabam somando pontos.

O ranking nos mostra que há menos potências no momento na América do Sul do que imaginamos e de como o trono de Rei da América é volátil por aqui. É um pouco do que é a Libertadores: jogar fora de casa, mesmo quando o time é bem inferior, não costuma ser muito fácil. Tudo fica mais imprevisível. Um item que talvez a Conmebol precise incluir para tornar o ranking mais próximo da força dos times na realidade seja dar peso ao país de origem, o que fortaleceria times de Brasil e Argentina, por exemplo. A Uefa dá peso ao país do time, mas isso, no ranking europeu, acaba não tendo tanta relevância, já que raramente há um azarão chegando às fases finais, como acontece por aqui com certa frequência.

Com o ranking, deixaremos de ter escolhas aleatórias para cabeças de chave. Não quer dizer que não haverá distorções. Eventualmente, o Libertad pode ser cabeça de chave em um grupo com o Corinthians, por exemplo, pelo ranking. O time brasileiro pode ser mais forte, mas o ranking aponta o paraguaio como um participante mais regular. Assim como o PSG eventualmente pode ser colocado no grupo do cabeça de chave Porto. Com o ranking, estamos que vocês se divirtam.

Você pode conferir todos os dados do nosso ranking abaixo, com o ranking de países e a pontuação dos times ano a no, na Libertadores e Sul-Americana. Caso não consiga ver a tabela abaixo, clique aqui e visualize.

Veja o Ranking Trivela dos clubes da Conmebol 2015