Desde o fim da União Soviética, a Ucrânia sempre pintou como uma seleção com grande potencial na Europa. Trajetória marcada majoritariamente por decepções. Exceção feita à Copa de 2006, os ucranianos sempre caíam nas fases eliminatórias dos torneios internacionais. E a decepção se repetiu mesmo na Euro 2012, quando o país-sede caiu logo na fase de grupos. Difícil prever o sucesso da atual geração. Mas dá para dizer que ela já conquistou um feito inédito, mesmo para times mais badalados do país. A equipe segurou o empate por 1 a 1 contra a Eslovênia em Maribor e se classificou à Euro 2016, após vitória por 2 a 0 na ida.

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O primeiro duelo, em Lviv, tinha sido amplamente dominado pela Ucrânia, que poderia até ter marcado mais gols. Só que a tranquilidade relativa não evitou a pressão da Eslovênia. A equipe da casa tentou partir para cima durante o primeiro tempo e abriu o placar aos 11 minutos,com Bostjan Cesar. Contudo, a superioridade técnica dos ucranianos ainda assim se evidenciou no restante do confronto. Handanovic mais uma vez se fez fundamental para segurar o ataque adversário. E os ucranianos empataram nos acréscimos, com Andriy Yarmolenko.

O camisa 10, aliás, desponta como uma das grandes referências do atual time. Ele e Yevhen Konoplyanka são diferenciais há alguns anos. E, mesmo ao lado de nomes mais tarimbados, como Shevchenko e Voronin, terminaram a Euro 2012 como principais destaques dos anfitriões. A dupla de jovens promessas amadureceu bastante a partir de então. Bem mais maduros quatro anos depois, surgem como protagonistas e líderes de uma equipe bastante equilibrada, sob o comando do técnico Mykhaylo Fomenko.

A forte base da Ucrânia dentro do próprio campeonato nacional pesa bastante. Em ambos os jogos da repescagem, 10 dos 11 titulares atuavam nos três principais clubes locais: Dynamo Kiev, Shakhtar Donetsk e Dnipro – e a única exceção é justamente Konoplyanka, transferido do time de Dnipropetrovsk no início da temporada. O elenco, acrescido ainda por alguns nomes do Zorya Luhansk e pelo capitão Anatoliy Tymoshchuk, possui como vantagem um entrosamento raro nas seleções atuais, remetendo a outros tempos do futebol internacional. A consistência foi um diferencial para os ucranianos durante a campanha das Eliminatórias da Euro, em que acabaram na terceira posição do grupo que também tinha Espanha e Eslováquia.

Mas, no momento decisivo, a Ucrânia teve calma para se impor contra um adversário inferior, contrariando sua história recente. Em nenhum momento a Eslovênia pareceu ter forças suficientes para conseguir a classificação. Méritos principalmente sobre a maneira como os ucranianos se impuseram durante os 180 minutos, propondo o jogo e dominando as ações no ataque, com Yarmolenko e Konoplyanka chamando a responsabilidade.

O fato de Yarmolenko ter passado a maior parte da carreira em Kiev, enquanto só nos últimos meses Konoplyanka deixou o Dnipro, diminui um pouco o reconhecimento da dupla fora da Ucrânia. Além disso, ambos nunca viveram grandes sucessos nas competições continentais com seus clubes. Entretanto, respeitada a unanimidade de Shevchenko, os dois protagonistas do atual time não devem nada aos talentos de outras gerações ucranianas. Mostram-se ainda mais decisivos e terão outra chance de ressaltar seu valor na Euro 2016, mais maduros para o desafio.