Não é todo mundo que concorda com a determinação de mostrar cartão amarelo para quem comemora um gol exacerbadamente. Mas, já que a imposição existe, os jogadores precisam ter consciência sobre as consequências. E, entre aqueles que “perdem a noção”, a atitude Didier Lamkel Ze custou caríssimo na Liga Europa. O atacante do Royal Antuérpia anotou o gol que ia classificando sua equipe e explodiu na comemoração. O problema é que exagerou aos olhos do árbitro e levou o segundo amarelo. Com um dois a menos, após uma expulsão já no primeiro tempo, os belgas não evitaram a virada do AZ na prorrogação.

A ida, na Holanda, tinha deixado um bom saldo ao Royal Antuérpia. O clube arrancou o empate por 1 a 1 e precisava apenas fazer sua parte no Estádio Rei Balduíno. A situação se tornou delicada quando, aos 35 do primeiro tempo, o rodado Dieumerci Mbokani recebeu o segundo cartão amarelo por um carrinho fortíssimo, apenas três minutos após ser advertido pela primeira vez. Com um a menos, os belgas se seguravam bravamente, até que Lamkel Ze surgiu como herói aos 28 do segundo tempo.

O camaronês não segurou a emoção ao balançar as redes naquele momento. Saiu correndo em direção ao outro gol, atravessou o campo e escalou o alambrado para vibrar junto com os ultras. A demora no ato não contou com a compreensão do árbitro: na volta ao centro do campo, ele recebeu o segundo amarelo, 20 minutos após a primeira advertência. Ainda assim, Lamkel Ze tentou mostrar que não estava arrependido e saiu exibindo sua camisa à torcida. Os minutos finais foram cruéis à sua imprudência.

O AZ arrancou o empate aos 45 do segundo tempo, com Calvin Stengs. Já na prorrogação, os holandeses aproveitaram a ampla vantagem numérica e tiveram muito mais pernas para golear. Ao longo dos 30 minutos extras, conseguiram anotar mais três gols e fecharam o placar por 4 a 1. Pior ao Royal Antuérpia, que só poderá ver a Liga Europa pela televisão. Pelas redes sociais, os jogadores holandeses ainda provocaram os adversários, repetindo o gesto de Lamkel Ze e exibindo a camisa às câmeras.

Técnico do Royal Antuérpia, László Böloni não aliviou ao comandado: “Devemos medir isso através da emoção? Eu penso que podemos falar de estupidez. Como jogador profissional, você precisa conhecer as regras. Entretanto, não entendi o primeiro amarelo para Didier e nem a expulsão de Dieumerci. O árbitro foi parcial”. O meia Lior Refaelov foi ainda mais duro com o companheiro: “Não é a primeira vez que Didier comete esse tipo de erro. Ele é um jogador fantástico, mas me desculpe, isso é completamente estúpido. Nós devemos entender os nossos erros. Não culpo o árbitro e não reprovo a equipe adversária”.

A presença na fase de grupos seria importante ao fortalecimento financeiro do Royal Antuérpia, que conquistou o acesso de volta à primeira divisão belga há dois anos. Também marcaria um reencontro com sua própria história, a quem possui 15 participações nos torneios da Uefa e foi vice-campeão da Recopa em 1993, embora estivesse fora do cenário continental desde 1994/95. O sonho fica para depois.