Marcelino García Toral acumula feitos no Campeonato Espanhol desde a década passada. O treinador conquistou o acesso com o Recreativo Huelva, levou o Racing de Santander à Copa da Uefa, permitiu a reconstrução do Villarreal após um ano na segundona. E mesmo que a passagem pelo Submarino Amarelo tenha sido fantástica, o Valencia se transforma no melhor trabalho de sua carreira. Durante a primeira temporada, Marcelino sonhou com o título de La Liga e recolocou os Ches na Liga dos Campeões. Já neste ano, se recuperou de um mau início para garantir mais uma classificação à Champions, além de ainda ambicionar a conquista da Copa do Rei. Tudo isso movido por uma grande inspiração.

Marcelino não esconde a influência que seu pai possui em seu trabalho. São costumeiras as menções do técnico àquele que foi, acima de tudo, seu exemplo. Não era um homem do futebol, sustentando a família a partir dos eucaliptos que cortava e transportava à indústria de celulose. De qualquer forma, se tornou um grande incentivador do filho, sempre presente nas arquibancadas. E as lembranças ficaram mais fortes durante os últimos anos, após o falecimento do progenitor em 2014. No último mês de março, Marcelino chegou a chorar em uma coletiva de imprensa do Valencia, pensando na forma como o pai se sentiria orgulhoso se estivesse presente na classificação à final da Copa do Rei. Já neste final de semana, durante o desfecho do Espanhol, as referências foram evidentes no compromisso decisivo contra o Valladolid.

O Valencia precisava vencer para garantir a classificação à Liga dos Campeões, algo já enorme após o início ruim de campanha. O triunfo por 2 a 0 aconteceu e consagrou mais uma vez o trabalho do treinador. Não foram poucos os momentos em que ele parou para refletir ou olhou aos céus, endereçando seus pensamentos ao falecido pai. “Eu me lembrei de muitas pessoas, mas principalmente do meu pai, que não está aqui e não pôde desfrutar”, declarou, após a partida. Quando o apito final estava próximo de soar, Marcelino chegou a levantar a cabeça e a claramente pronunciar um “obrigado, papai”. Amor que se carrega no peito e, apesar da saudade, permanece como orgulho por tudo o que viveram juntos.

O programa El Día Después registrou os momentos de Marcelino à beira do campo nesta rodada final e produziu um emocionante vídeo da conexão com seu pai. Vale conferir: