A quarta-feira no futebol brasileiro não teve surpresas, mesmo repleta de partidas eliminatórias. Os seis jogos principais confirmaram as classificações (e o título) que se prenunciaram na ida. O Fortaleza voltou a bater o Botafogo-PB e conquistou a Copa do Nordeste. Pela Copa Sul-Americana, o Botafogo não teve piedade do Sol de América no Rio de Janeiro, enquanto o Fluminense pôde perder do Atlético Nacional, após a surra no Maracanã. Já na Copa do Brasil, Grêmio e Inter tiveram seus sustos, mas confirmaram o favoritismo contra Juventude e Paysandu. De qualquer forma, o resultado mais impactante aconteceu na Fonte Nova. E não porque o Bahia era azarão – muito pelo contrário, ainda mais depois do triunfo no Morumbi. Todavia, esperava-se bem mais do São Paulo. A maneira como os paulistas foram subjugados nos dois confrontos com os baianos diz muito sobre o momento das equipes.

Foram três jogos praticamente consecutivos entre Bahia e São Paulo. Três oportunidades para os baianos sublinharem sua superioridade. A classificação na Copa do Brasil veio sem sobressaltos, com atuações seguras do time de Roger Machado. Já tinham feito uma ótima exibição na visita a São Paulo, segurando o placar e até desperdiçando a chance de ampliar no final. Pois, de novo, o tricolor baiano dominou a situação na Fonte Nova. Quando esperava-se que o São Paulo adotasse uma postura agressiva, diante das necessidades, os anfitriões expuseram os problemas que atravancam os paulistas. E a nova vitória por 1 a 0 só reforçou os méritos do Bahia, rumo às quartas de final.

O cenário cômodo por causa da ida permitiu ao Bahia jogar à vontade nesta quarta. Era o São Paulo que precisava de uma resposta. E o time de Cuca não se encontrou. Os são-paulinos apresentavam muitas dificuldades na criação e forçavam as bolas no ataque sem sucesso. Os baianos, por outro lado, tinham o controle da situação. A defesa se posicionava bem e mordia bastante em busca dos desarmes, enquanto o ataque era objetivo, acelerando na base da força de Gilberto. Com o apoio nas arquibancadas, a confiança dos anfitriões se elevava.

Por mais que o primeiro tempo se desenrolasse sem grandes emoções, um tanto quanto truncado, o Bahia dava um passo à frente. O ritmo do jogo só se elevou nos dez minutos anteriores ao intervalo. O São Paulo teve algumas boas chegadas, sobretudo em bomba de Helinho. O garoto arriscou de fora da área, em uma sobra de bola, e estalou o travessão. Já o Bahia tentou pressionar na frente, mas as investidas não deram grandes resultados. O empate já era suficiente.

A chance real de gol do São Paulo aconteceu mais por uma casualidade do que por uma proposta de jogo. O time afunilava sua posse pela faixa central e não encontrava caminhos. Era insuficiente, a quem necessitava da vitória. A entrada de Alexandre Pato até poderia trazer novas perspectivas no início do segundo tempo, com a equipe avançando ao ataque. Mas a verdade é que o Bahia encontrava os espaços, se protegendo bem na defesa e buscando o contragolpe. Não demorou para que o confronto se definisse. Depois de uma grande chance desperdiçada por Artur, Ernando garantiu o placar aos oito minutos. Justamente em um contra-ataque, após desarme na entrada da área baiana, o zagueiro se mandou para frente e definiu na saída de Tiago Volpi.

Se a vitória simples já parecia distante ao São Paulo, a virada era impossível. Roger Machado armou sua tática e, mais uma vez, Cuca não soube se desvencilhar. Os paulistas pareciam se asfixiar na própria inoperância, As entradas de Nenê e Igor Gomes não melhoraram o cenário, com os visitantes errando demais na construção das jogadas. Ficava tranquilo para o Bahia manter a segurança e esperar o tempo passar. A zaga estava muito atenta e raros eram os arremates dos são-paulinos, com um pouco mais de esperanças em uma falta de Hernanes que seguiu para fora. E como se não bastasse, Arboleda (que perdera praticamente todas as divididas, inclusive no gol) terminou expulso nos minutos finais. A cereja do bolo em meio ao desastre.

O Bahia x São Paulo terminou com o completo contraste dos times. Os baianos foram conscientes de seu jogo e muito empenhados na missão. Souberam ler a partida e, por isso, não passaram sufoco. Aproveitaram a chance mais clara que tiveram e saíram com o resultado merecido. Os paulistas, por outro lado, reverberam uma crise que não se limita apenas ao que se nota dentro de campo. O clima na direção não é dos melhores e as lacunas em campo só agravam a situação. A quem tem mais dinheiro e jogadores mais renomados, o mínimo que se esperava era a agressividade em busca da classificação. Nem isso se viu. Os são-paulinos pareciam presos em uma camisa de força, sem solução para tirá-la. Amargaram a eliminação naquela que parecia a grande esperança da temporada. E não possuem muitas perspectivas para se animarem. Melhor ao Bahia, que avança e se encorpa nesta fase atual.