Para quem acompanhou a saga na Sul-Americana, os juniores da Chapecoense pareciam imbuídos da mesma atitude de seus eternos heróis. Demonstraram garra e valentia para encarar o São Paulo, vindo de um ano bastante vitorioso com o sub-20 (conquistou cinco taças em 2016) e apontado entre os principais favoritos da competição, mesmo cedendo alguns nomes para o elenco principal. Mas a capacidade copeira da Chape se alastrou também aos seus garotos. E, em um resultado surpreendente, eles avançaram para a próxima fase da Copa São Paulo. Após o empate por 0 a 0, mais uma vez o goleiro foi herói nos pênaltis: Tiepo defendeu uma das cobranças, ajudando na vitória por 4 a 2 em Capivari.

Como era previsto, após as campanhas na primeira fase e o retrospecto no sub-20, o São Paulo dominou boa parte do jogo. Teve a bola e pressionou a Chapecoense, defendendo-se com enorme disciplina tática. Apesar do controle, o Tricolor pouco criou no primeiro tempo. Já na segunda etapa, o confronto se abriu. Os paulistas arriscavam mais, especialmente de fora da área. Enquanto isso, os catarinenses ameaçavam nas bolas paradas e nos contra-ataques. Assim, quase abriram o placar, em bola no travessão de Rhainer. Contudo, logo na sequência, o garoto recebeu o segundo amarelo, deixando a Chape com 10. Por seis minutos, o Verdão precisou suportar o sufoco imposto pelo time de André Jardine, até conquistar o direito de decidir nos pênaltis.

Já na marca da cal, a Chapecoense sentiu o calor da torcida em Capivari. Os gritos de ‘Vamo vamo Chapê’ ecoavam nas arquibancadas e motivaram os juniores. Tiepo pegou logo o primeiro chute do São Paulo, de Eder Militão. Os alviverdes converteram suas três primeiras cobranças e ampliaram a vantagem quando Geovane mandou para fora. Lucas Paes espalmou o tiro de Ronei, dando sobrevida ao Tricolor. Mas, quando Ned balançou a quinta e decisiva cobrança, só restou à Chape correr para o abraço.

O adversário da Chapecoense na terceira fase da Copinha será o Capivariano. Para quem sequer havia passado da fase de grupos na história da competição, cedeu quatro nomes para o elenco principal e carrega uma carga de expectativas grande nas costas, depois de tudo o que aconteceu, os garotos vão lidando muito bem com o desafio. A classificação diante do São Paulo é a mostra de que, pelo menos em espírito, alguns deles já estão prontos para a transição necessária em um ano difícil ao profissional.