O Uruguai temia que os desfalques atrapalhassem o seu início nas Eliminatórias. Afinal, além da ausência de Luis Suárez até a quarta rodada, a Celeste também perdeu Cavani para os seus dois primeiros jogos. Problemas que o time de Óscar Tabárez conseguiu superar, mesmo com os desafios consideráveis pela frente. Primeiro, os uruguaios derrotaram a Bolívia em La Paz, no primeiro triunfo na casa de La Verde pelas Eliminatórias. Para, nesta terça, derrubar também a Colômbia. Em ambiente efervescente no Estádio Centenário, o Uruguai garantiu a alegria de sua torcida com a vitória por 3 a 0. Resultado que mereceu atenção justamente por um dos substitutos dos craques: o atacante Diego Rolán.

Assim como na estreia, o jogo aéreo fez a diferença para o Uruguai. A Celeste foi melhor durante a primeira etapa e abriu o placar aos 34 minutos, a partir de sua insistência nas bolas paradas. O cruzamento perfeito de Carlos Sánchez encontrou a cabeça de Godín, que desviou com firmeza para anotar o seu segundo gol nas Eliminatórias. O capitão, aliás, era o símbolo da atuação uruguaia, que dava pouquíssimos espaços para a Colômbia assustar – especialmente com o meio de campo de força física que Tabárez escalou, com Carlos Sánchez se destacando pela potência na marcação e no apoio. Enquanto isso, os cafeteros sentiam bem mais falta de sua referência, o lesionado James Rodríguez.

Já no início do segundo tempo, Rolán fez a diferença para assegurar a vitória. Após cruzamento de Lodeiro, a zaga colombiana furou e a bola sobrou limpa para o atacante. Ele teve calma e categoria suficientes para dar um toque simples, mas belíssimo, encobrindo Ospina. Depois disso, os cafeteros não conseguiram se recuperar mais. Arias chegou a carimbar o travessão e José Pekerman botou o time no ataque, mas a Celeste se segurava muito bem e seguia criando muito perigo nas jogadas pelo alto. Aos 43, por fim, Abel Hernández deu números finais ao jogo. Após lançamento de Muslera, Stuani fez o desvio e o atacante dominou na linha de fundo. Mesmo sem ângulo, deu chute violento para vencer Ospina e marcar o terceiro.

Nas duas primeiras partidas do Uruguai, Stuani foi o único que se manteve como titular no ataque. Primou especialmente pelo voluntarismo, abrindo espaços e se movimentando muito. Entretanto, não teve papel tão decisivo quanto as outras duas opções. Rolán mostra o seu potencial há algum tempo pelo Bordeaux. Quando ganhou as primeiras chances na seleção, decepcionou um bocado, perdendo muitos gols. Mas a pintura contra os colombianos pode ser o sinal de que a Celeste não lhe pesa mais tanto. Nesta terça, desbancou justamente Abel Hernández, que não rendeu como esperado diante da Bolívia e precisou mostrar serviço saindo do banco desta vez. O novo titular soube se colocar como protagonista, chamando a responsabilidade e criando chances para marcar até mais.

Rolán não causa o impacto de Luis Suárez e Cavani na equipe, e talvez nunca chegue ao nível da dupla. Mesmo assim, aos 22 anos, tem muito potencial para crescer. Quem sabe, para formar um trio ao lado dos veteranos. E fez a diferença no jogo de peso. Em um torneio tão parelho quanto as Eliminatórias Sul-Americanas, qualquer vitória vale muito, ainda mais contra um concorrente direto como a Colômbia. Deixa a Celeste um passo mais perto da Copa do Mundo, no longo caminho que ainda tem pela frente.