Todos gritavam. O som saía do fígado, da alma. Não era só alegria, era também alívio. Um alívio sincero. Torcedores no Uruguai pulavam nas arquibancadas do modesto estádio Luis Franzini, torcedores em casa acordavam seus familiares de susto com gritos, jogadores pulavam e choravam no gramado. O São Paulo conseguia vencer um time todo desmantelado do Danubio com um gol aos 45 minutos do segundo tempo e afastava um pouco uma eliminação que parecia bastante possível instantes antes.

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A torcida ficar em êxtase e ter dificuldade para dormir nesta quarta é normal. E ela ainda se sentiu satisfeita ao ver como os jogadores tinham sentimento parecido. Com o apito final, muitos caíram no chão comemorando. Eles se importavam com aquile resultado, sentiam o mesmo que o torcedor. Mas, nesse cozidão de sensações que virou os minutos da virada de 15 para 16 de abril, é difícil tirar uma conclusão racional do que os 2 a 1 do Tricolor sobre o Danubio significaram. É a boa e velha história do copo pela metade, cheio e vazio em doses iguais.

Quando ocorre uma vitória cardíaca em jogo importante, a reação imediata é de ver a metade cheia do copo. Afinal, é automático pensar que ver o vexame tão próximo e conseguir evitá-lo no último minuto cria um novo momento psicológico no elenco são-paulino. É um daqueles lances que podem remobilizar o elenco, dar confiança ao time para buscar a classificação e seguir firme no mata-mata.

No entanto, também não se pode esquecer o futebol paupérrimo apresentado em campo. As bolas que foram utilizadas devem ter sido retiradas de maca após a partida, de tanto que elas apanharam dos dois times. Um jogo feio, de equipes apáticas, sem imaginação, sem qualquer sentido coletivo. Um torcedor cínico ou desconfiado poderia perfeitamente acusar os jogadores tricolores de estarem fazendo corpo mole. Mas a comemoração efusiva e sincera no gramado mostram que não havia nada disso. O desempenho era ruim porque eles não estavam conseguindo fazer nada melhor.

Por isso, a comemoração redentora dos jogadores apontam um novo momento para esse São Paulo, mas também acendem o alerta para o modo como dificuldade técnica e tática muitas vezes supera a motivação dos atletas. Ainda não dá para cravar o que se pode tirar para os confrontos decisivos contra Santos e Corinthians. É momento só de o torcedor tricolor se juntar aos jogadores e curtir um pouco esse alívio.