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A Bundesliga realizou uma das rodadas mais importantes da temporada neste final de semana. Duas grandes partidas dominaram as manchetes no país – e isso porque o clássico entre Borussia Mönchengladbach x Colônia terminou adiado por conta das condições climáticas. No sábado, Bayer Leverkusen e Borussia Dortmund fizeram um jogo completamente maluco, com a virada dos Aspirinas nos minutos finais. Já no domingo, em confronto direto pela liderança, Bayern de Munique e RB Leipzig muito prometeram, mas não transformaram o ímpeto em gols. Apesar do cenário bastante aberto, restam certas dúvidas sobre os principais candidatos a romper a hegemonia dos bávaros na competição.

O Bayern, afinal, repete um roteiro já visto nos últimos anos. Os bávaros começam a Bundesliga de maneira titubeante, mas sobem de produção e conseguem ganhar fôlego durante o segundo turno. A instabilidade não é mais suficiente para garantir boas campanhas na Liga dos Campeões. Ainda assim, a superioridade dos heptacampeões é inquestionável na Alemanha. Nem mesmo o departamento médico cheio ou os jogadores em má fase criaram armadilhas capazes de derrubar o Bayern.

Já está claro que, mais do que o demérito dos multicampeões, os desafiantes também precisam comprovar os seus méritos. E neste ponto mora o xis da questão. O RB Leipzig possui um time regular na campanha e um elenco tão homogêneo quanto o dos bávaros. O problema está em corresponder nos confrontos diretos, sem que a equipe de Julian Nagelsmann se porte da melhor maneira contra os principais oponentes. O Borussia Dortmund, por outro lado, é uma roleta russa que veste amarelo. Entre o ataque avassalador e a defesa frágil, a única certeza é de que choverão tentos nos compromissos do BVB. O duelo na BayArena mostrou isso de novo no último sábado.

Durante o primeiro turno da Bundesliga, o RB Leipzig despontou na liderança por diferentes motivos. A forma como o grupo assimilou rapidamente as ideias de Julian Nagelsmann é uma virtude. Todavia, também há muito da fase excepcional de alguns jogadores – e em diferentes setores. Timo Werner, Marcel Sabitzer, Dayot Upamecano e Péter Gulácsi formaram a espinha dorsal dos Touros Vermelhos durante a primeira metade do campeonato. O entrave estava em trinfar nos principais embates. O Leipzig empatou com Bayern e Dortmund, além de perder em casa para o Schalke.

O panorama para o segundo turno mudou um pouco, até pelo mercado de transferências movimentado. Dani Olmo e Angeliño são boas contratações. Em contraposição, a saída de três jogadores também indica a falta de apego que existe na Red Bull Arena. Apesar das perspectivas de título, Diego Demme preferiu ouvir o coração e seguir ao Napoli, enquanto Matheus Cunha e Stefan Ilsanker desejavam mais minutos em campo. O embalo não se manteve e o Leipzig emendou três rodadas sem vencer no reinício da Bundesliga, além de ser eliminado na Copa da Alemanha pelo Eintracht Frankfurt.

O duelo contra o Bayern na Allianz Arena era a chance ao Leipzig de se recuperar e mostrar o quanto poderia ameaçar os concorrentes. O time de Julian Nagelsmann começou com uma proposta de jogo ineficaz, chamando os bávaros ao seu campo, e quase pagou caro por isso. Tomou um calor imenso e terminou salvo por Upamecano. Com o passar dos minutos, os Touros Vermelhos melhorariam, mas pecaram na hora de matar a partida durante o segundo tempo. Sabitzer e Werner jogaram no lixo duas oportunidades claríssimas – a ponto do artilheiro se desculpar com os colegas nos vestiários. Já no fim da partida, com ambos os oponentes se respeitando mais e até aceitando o empate, Gulácsi também apareceu para fazer milagre.

O sufoco sofrido pelo Leipzig durante o primeiro tempo não foi novidade, vide os jogos mais recentes contra Dortmund e Gladbach, quando o clube da Red Bull precisou buscar a desvantagem e se satisfez apenas com o empate. Mas, se pôde evitar o pior desta vez, o RasenBallsport vacilou no instante de realmente bater o Bayern. O Leipzig encarou os bávaros e mostrou os dentes, só não soube nocautear os adversários quando a guarda baixou. E o deslize, por si, reserva a desconfiança sobre o verdadeiro potencial da equipe. Se os defensores seguraram o peso nas costas durante o domingo, o ataque falhou. O time de Julian Nagelsmann pode ter conquistado o respeito do Bayern, mas não provocou o temor, como deveria ter feito.

No dia anterior, o Dortmund exibiu o filme repetitivo desta temporada – e sobre o qual este colunista nem se alongará mais. Mesmo sem Marco Reus e com a mudança tática para o 4-2-3-1, os aurinegros esbanjaram o seu poderio ofensivo para virar um confronto que começou difícil na BayArena e indicou se abrir no segundo tempo. Contudo, não existe resultado tranquilo ao BVB com uma defesa tão débil. Os erros de posicionamento e a lentidão outra vez causaram estragos, permitindo que o Leverkusen buscasse a heroica vitória por 4 a 3. A distância em relação aos líderes, que poderia diminuir, acabou por se ampliar ao Dortmund.

Entre Leipzig e Dortmund, os aurinegros possuem jogadores com mais qualidade para conduzir a campanha. Sem dúvidas, a quantidade de talentos dos aurinegros para arrancar pontos difíceis é maior – seja com Sancho, Haaland, Reus, Brandt ou quem mais for. Porém, o coletivo descompensa, especialmente enquanto Lucien Favre pena para encontrar uma maneira minimamente segura de atuar. O Leipzig, por outro lado, possui uma equipe mais equilibrada com Nagelsmann. Até sofre gols em demasia durante alguns compromissos, mas os números defensivos são bons pelo plano de jogo voltado ao ataque. Como nem tudo são flores, os destaques dos Touros Vermelhos parecem menos preparados para resolver.

Quem aproveita é o Bayern, que possui um leque maior de opções e muito mais experiência. A mentalidade vitoriosa dos bávaros sempre rende pontos na Bundesliga, principalmente contra adversários que já entram em campo amedrontados. Quase foi o caso do jogo deste domingo, mas o Leipzig não permitiu se abater. Ainda assim, há um elenco repleto de jogadores de primeiro nível e também muitos aptos a chamar a responsabilidade. A “autossabotagem” dos bávaros aconteceria com o desarranjo coletivo, o que Hansi Flick corrige. Basta ver a intensidade aplicada pelo time sob as ordens do treinador, como não ocorria há tempos. Hoje, preocupação mesmo é só no departamento médico, sobretudo pelo crônico excesso de lesionados nas pontas.

E vale lembrar que, apesar do foco central da rodada, estes não são os únicos três candidatos à Salva de Prata. O Borussia Mönchengladbach tem 39 pontos e pode se igualar ao Leipzig, além de ultrapassar o Dortmund, caso vença o clássico atrasado contra o Colônia. É o concorrente menos badalado, mas merece créditos após a sequência que estabeleceu na liderança durante o primeiro turno. Marco Rose talvez seja um treinador até melhor que os outros três colegas e soube recriar os Potros em pouquíssimo tempo. O trunfo é o excelente rendimento como mandante, além dos muitos novatos que emplacaram sem adaptação. Entre as contraindicações, também existe a sensação de que alguns atletas vinham atuando acima de suas possibilidades e podem não manter o rendimento quando a Bundesliga afunilar. Terão que dar a resposta.

Por fim, o Leverkusen ainda precisa receber uma menção honrosa. Os Aspirinas não fizeram um primeiro turno exuberante, mas a campanha passada ficou marcada pela arrancada no returno. O elenco tem muito potencial, sobretudo se considerarmos os jogadores com capacidade de produzirem mais. Kai Havertz é quem mais pode mostrar serviço, às vésperas de sua provável transferência. Resta saber se o talento do garoto é suficiente para quebrar o estigma do “Neverkusen” – o que seria bastante surpreendente, mas não impossível nesta tabela acirrada.

A Bundesliga agrada muitos de seus fãs pela qualidade técnica dos jogos, pela quantidade de gols e pela possibilidade de ver jovens prodígios florescendo – sem contar aspectos extracampo, como a atmosfera nas arquibancadas. A supremacia do Bayern, entretanto, sempre deu motivos para os críticos pesarem a mão contra o campeonato. Desta vez, o caminho para contar um final diferente permanece escancarado e o equilíbrio provoca interesse. Só que, para superar os bávaros, é preciso se agigantar na hora da decisão. Neste final de semana, ao menos, Leipzig e Dortmund não aproveitaram os holofotes para se credenciar. Mais importante que o ponto de vantagem atual é o estofo evidentemente maior do Bayern.

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