A Bolívia chegou à Copa América cotada como grande saco de pancadas do torneio. Para, dois jogos depois, ser forte candidata a uma vaga nas quartas de final. Não que La Verde tenha feito muito no primeiro jogo, em um horrível empate contra o segundo time do México. Nesta segunda, no entanto, os bolivianos beiraram a perfeição nos 45 minutos iniciais contra o Equador. Jogaram demais para abrir três gols de vantagem e, apesar do sufoco no fim, vencerem por 3 a 2 em Valparaíso. Um placar que valeu o primeiro triunfo da seleção na Copa América desde 1997, além de a primeira desde 1995 longe da altitude.

Depois de 90 minutos contra o México em que não fez quase nada, a Bolívia parece ter reaprendido a jogar futebol no início contra os equatorianos. Em uma pressão tremenda logo nos primeiros minutos, abriram a defesa que tinha segurado bem o Chile na primeira rodada. Raldés apareceu aos cinco para marcar de cabeça, enquanto o segundo veio aos 18, com Smedberg-Dalence – que, apesar de ter nascido na Suécia e ter feito a carreira toda no país, é filho de pai boliviano. E não foram só os gols que confirmavam a superioridade boliviana, explorando bem as jogadas pelas laterais e dando poucos espaços aos ataques em velocidade do Equador.

Na sequência do primeiro tempo, o Equador tentou diminuir o prejuízo. Mas encontrou uma barreira enorme no goleiro Quiñónez. Realizando boas defesas, o camisa 1 salvou o primeiro tento dos adversários aos 38 minutos. Em cobrança de pênalti que o árbitro mandou voltar por invasão, o boliviano parou a segunda tentativa de Enner Valencia. E pôde comemorar bastante antes do fim do intervalo, quando também de pênalti Marcelo Moreno voltou a aumentar a conta para La Verde.

Já o segundo tempo esteve todo nas mãos do Equador. Diante do placar, a Bolívia preferiu se conter mais na defesa, enquanto os equatorianos partiram para a reação. Enner Valencia diminuiu aos três minutos e Miller Bolaños colocou uma enorme pressão aos 37, em um chutaço de longe que morreu nas redes. Ainda assim, os bolivianos souberam se sair bem no sufoco, com uma ajuda providencial da trave e da ótima atuação de Quiñónez. O goleiro saiu como personagem fundamental em uma vitória histórica, ao lado de Smedberg e Moreno.

Diante do regulamento da Copa América, a Bolívia dificilmente não avança para as quartas de final como um dos melhores terceiros colocados, mesmo que seja goleada pelo Chile na última rodada. Já o Equador, mesmo com um bom time, dependerá de um grande milagre. Precisa fazer sua parte contra o México, sobretudo.

É bom frisar que a desconfiança com a Bolívia continua grande. Em qualidade técnica e em capacidade individual, é um dos times mais limitados desta Copa América. Mesmo assim, um pouco de organização e de ímpeto mostraram que os bolivianos podem conquistar um bom resultado. La Verde não precisa necessariamente da altitude para vencer, e só foi reaprender isso 18 anos depois da campanha até as finais em 1997.