O Peru não realizou uma partida de encher os olhos em sua estreia na Copa América, mas o favoritismo contra a Bolívia nesta terça-feira era amplo. A Blanquirroja confirmou sua superioridade contra La Verde, apesar do susto sofrido no Maracanã. Os peruanos precisaram buscar o prejuízo no placar, depois que os bolivianos saíram em vantagem, mais soltos do que no duelo contra o Brasil. Contudo, a qualidade do time de Ricardo Gareca é inegável e os medalhões garantiram o resultado. Paolo Guerrero e Jefferson Farfán comandaram o triunfo por 3 a 1, em que Carlos Lampe evitou uma diferença maior. Os Incas chegam embalados para encarar a seleção brasileira em seu compromisso final, com a classificação aos mata-matas praticamente encaminhada.

As escalações

Eduardo Villegas confiou na mesma formação do jogo contra o Brasil. A Bolívia vinha escalada no 4-5-1, com duas linhas de proteção e a presença de Marcelo Moreno isolado à frente. Mudou apenas a postura, com La Verde se adiantando um pouco mais em campo. Ricardo Gareca também manteve o padrão que o Peru exibiu contra a Venezuela, escalado no 4-2-3-1. A novidade vinha com Andy Polo, no lugar de Christofer Gonzáles. Assumiu a ponta direita, com Jefferson Farfán atuando mais centralizado no apoio a Paolo Guerrero.

Começo melhor dos peruanos

Não surpreendia a atitude do Peru no início da partida. Tinha mais posse de bola e acelerava o jogo no ataque, buscando abrir espaços na defesa da Bolívia. O lado direito era a principal válvula de escape, graças à velocidade de Polo e Advíncula. Farfán também caía por ali, incomodando os bolivianos. A Blanquirroja, todavia, não criava chances tão claras. A melhor jogada dos primeiros minutos veio em lance individual de Polo, mas Lampe não teve problemas para defender o chute. E não demoraria para os bolivianos saírem um pouco mais ao ataque, sempre procurando Marcelo Moreno como referência.

Graças a um pênalti, a Bolívia sai em vantagem

O Peru teve uma chance de ouro aos 20 minutos. Farfán sofreu uma falta na entrada da área, em ótimas condições para a cobrança. O próprio veterano bateu, mas exagerou na força e mandou para fora. Do outro lado, a Bolívia teria sua oportunidade no ataque seguinte e arranjou um pênalti. Saucedo chutou e a bola bateu no braço de Zambrano. O árbitro anotou logo de cara, mas levou um tempo considerável até que o VAR confirmasse a infração. A cobrança ficou sob responsabilidade de Marcelo Moreno, que exibiu enorme segurança. Apenas deslocou o goleiro Gallese, deixando La Verde em vantagem aos 28.

A resposta peruana: empate com Guerrero

A Bolívia até pareceu se animar depois do gol, se postando mais no ataque. Não perdurou e o Peru logo retomou o controle. O problema era conseguir romper a barreira formada por La Verde. Quando a bola chegou para Guerrero dentro da área, a defesa boliviana conseguiu travar. Os peruanos apresentavam problemas na criação e o centroavante muitas vezes precisava recuar para buscar o jogo. O veterano até correu risco de expulsão, depois de uma entrada dura que rendeu o amarelo. Mas garantiu o empate logo depois, aos 44. Cueva roubou a bola e deu uma enfiada magistral, entre os defensores. Guerrero ganhou na velocidade e, ante a saída desembestada de Lampe, deu um drible da vaca no arqueiro. Ficou com o caminho livre para balançar as redes vazias, numa pintura. Recobrou a confiança da Blanquirroja rumo ao segundo tempo.

Farfán vira no início do segundo tempo

A partida parecia equilibrada no início da segunda etapa, com os dois times saindo ao ataque. Mas não demoraria para o Peru sublinhar sua superioridade. A virada aconteceu aos dez minutos. Guerrero abriu na esquerda e, depois de fintar o marcador, fez um cruzamento na medida para o meio da área. Farfán saltou mais que Marvin Bejarano e cabeceou com firmeza, para o chão, sem dar chances a Lampe. O gol deixava o duelo definitivamente nas mãos dos peruanos.

Lampe segurou o bombardeio do Peru

O jogo esfriou depois do gol e demorou cerca de dez minutos para esquentar novamente. Foi quando os goleiros começaram a aparecer. Lampe fez uma boa intervenção em tentativa de Cueva. Logo na sequência, Gallese salvou. Castro buscava o canto da meta e exigiu uma linda ponte do arqueiro peruano. A sobra ainda pipocou diante de Saavedra, mas o meia isolou. Eduardo Villegas fez suas alterações e tentou dar mais ofensividade a La Verde, o que não surtiu efeito. Os peruanos aceleraram e provocaram uma blitz por volta dos 30 minutos. Lampe voltou a aparecer. Foram quatro ótimas defesas do arqueiro em poucos minutos. Saiu nos pés de Polo, antes de espalmar o chute de Tapia. Já os principais milagres aconteceram em lances bem difíceis. Guerrero cabeceou rumo ao chão e Lampe rebateu. Pouco depois, ainda barraria no cantinho o tiro de Advíncula, que desviou no meio do caminho e complicou sua vida.

Flores mata a partida

Durante os minutos finais, a Bolívia foi em busca do empate. O Peru se contentava em esperar na defesa e a explorar os contragolpes. Além disso, os peruanos gastavam bastante o tempo, sobretudo durante os atendimentos médicos. Diante da falta de qualidade no ataque de La Verde, a Blanquirroja ficou mais próxima de fechar a contagem. Em ótima chance, Guerrero foi lançado em profundidade e saiu de frente com Lampe, mas carimbou o goleiro. Por fim, o gol que confirmou o triunfo saiu aos 51 do segundo tempo. Em mais um contra-ataque, Farfán deu o presente e Flores não teve problema para resolver. Avançou com o campo aberto e fintou Lampe, antes de finalizar ao gol escancarado com categoria. O placar alargado era mais justo com a boa atuação dos peruanos na etapa complementar.

Público e renda

O Maracanã esteve menos vazio do que se esperava na noite desta terça, horas antes do jogo do Brasil. Foram 17,5 mil pagantes nas arquibancadas, além de 8,8 mil não pagantes. A renda deu absurdos R$4,9 milhões. Ao menos, foi possível sentir a empolgação, entre os torcedores andinos e os brasileiros que até aproveitaram para cantar “Mil Gols” durante a peleja.

Próximos compromissos

À beira da eliminação, a Bolívia tentará salvar sua participação em 22 de junho, contra a Venezuela. O Peru, por outro lado, dificilmente ficará de fora dos mata-matas. Poderá ratificar suas condições contra o Brasil, na Arena Corinthians.

Ficha técnica

Peru 3×1 Bolívia

Local: Maracanã, no Rio de Janeiro
Árbitro: Roddy Zambrano (ECU)
Gols: Marcelo Moreno, 28’/1T; Paolo Guerrero, 45’/1T; Jefferson Farfán, 10’/2T; Edison Flores, 51’/2T
Cartões amarelos: Carlos Zambrano, Paolo Guerrero (Peru); Alejandro Chumacero, Roberto Fernández, Luis Haquín (Bolívia)

Peru: Pedro Gallese, Luis Advíncula, Carlos Zambrano (Miguel Araujo), Luis Abram, Miguel Trauco; Renato Tapia, Yoshimar Yotún; Andy Polo, Jefferson Farfán, Christian Cueva (Edison Flores); Paolo Guerrero (Christofer Gonzáles). Técnico: Pedro Gallese.

Bolívia: Carlos Lampe, Diego Bejarano, Luis Haquín, Adrián Jusino, Marvin Bejarano; Erwin Saavedra (Leonardo Vaca), Leonel Justiniano, Raúl Castro (Gilbert Álvarez), Fernando Saucedo (Roberto Fernández), Alejandro Chumacero; Marcelo Moreno. Técnico: Eduardo Villegas.