O dia era de festa em Anfield Road. Com o Liverpool já campeão, o time recebeu o Burnley para ter a festa da taça. Depois da partida, o clube receberia o troféu para termos as tradicionais imagens da taça sendo erguida. Só que antes tinha jogo. Parecia que seria fácil como tomar uma sopa para o time da casa, só que os visitantes engrossaram o caldo. Mesmo melhor no jogo, o Liverpool ficou no 1 a 1 e no final ainda tomou uma bola no travessão que poderia ter transformado o empate em uma derrota.

O jogo teve um primeiro tempo muito próximo ao que se esperava: domínio do Liverpool, chances de gol, jogo tranquilo. O lance que abriu o placar soava como aqueles lances de um time que vê tudo dar certo.

Um gol maluco do Liverpool. Depois de cobrança de escanteio curto pelo lado esquerdo, a bola passou por Trent Alexander-Arnold, foi para Fabinho, que levantou alta na segunda trave. O lateral esquerdo Andrew Robertson apareceu pela direita para tocar de cabeça e marcar o gol como um atacante: 1 a 0, aos 34 minutos.

Eram muitas chances para o Liverpool, com Curtis Jones, Sadio Mané e principalmente Mohamed Salah desperdiçando muitas delas. Em uma, ainda no primeiro tempo, o egípcio finalizou muito bem, mas aí foi Nick Pope que interveio e impediu o gol, com uma defesa que fez a bola tocar na trave e sair para escanteio.

Só no primeiro tempo, foram 10 finalizações, com cinco delas no alvo. O Burnley só finalizou duas vezes e nenhuma delas foi no alvo. O domínio da posse de bola era tamanho que a equipe de Anfield terminou com 72% e mais do que o dobro de passes (343 a 122). O segundo tempo não seria muito diferente em termos estatísticos, mas seria em outros aspectos.

Aos 24 minutos do segundo tempo, o Burnley lançou uma bola longa para dentro da área, o zagueiro James Tarkowski subiu alto para tocar de cabeça, o que ajeitou para Jay Rodriguez, que girou e finalizou muito bem, no cantinho: 1 a 1.

Jay Rodriguez é aquele mesmo, do Southampton, que brilhou pelo clube do sul de 2012 a 2017. Chegou inclusive a fazer parte da seleção inglesa, mas as lesões foram pouco a pouco tirando o seu espaço, até que deixasse o clube em 2017, indo para o West Brom. Teve alguns bons momentos, mas não conseguiu ter o mesmo brilho de outros anos.

Com o rebaixamento do West Brom, acabou vendido ao Burnley, clube que o revelou, lá em 2007. Desde julho de 2019 ele está de volta e tem conseguido fazer uma ótima temporada. São 35 jogos, com 11 gols até aqui, com duas assistências. Se tornou um jogador muito importante no time do técnico Sean Dyche. Aos 30 anos, recuperou o bom futebol que o fazia chamar a atenção em 2013. Embora não seja tão veloz quanto antes, tem se mostrado um ótimo finalizador, capaz de fazer gols importantes para dar pontos ao Burnley.

O jogo ficou bem maluco a partir daí, com o Burnley apostando no bumba meu boi, bola longa e chutão mesmo, tentando chegar ao ataque rápido e mandando a bola para frente para o atacante Matej Vydra se virar para ficar com ela – já que Jay Rodriguez já dava sinais de cansaço para brigar por todas as bolas, ainda mais com dificuldade.

O Liverpool, claro, era quem tinha a bola mais tempo, mas o Burnley causava perigo. E aos 41 minutos, em uma dessas bolas longas, o time subiu em bloco, pressionou e a bola sobrou dentro da área pra Johan Gudmundsson, que encheu o pé e a bola tocou no travessão e saiu por cima do gol. Uma grande chance do time visitante em Anfield.

Ao mesmo tempo que o lance empolgou o Burnley, também pareceu fazer o Liverpool sentir. Os jogadores visitantes entravam duro e os Reds passaram a errar mais. Se antes o problema era desperdício de chances perto da área, ou já dentro dela, começou a ficar mais difícil chegar tão longe em lances limpos.

Salah foi o jogador que mais teve chances de marcar, mas acabou desperdiçando demais. O atacante ainda sonha com a artilharia da Premier League, mas sem gols neste sábado, ficou mais difícil de buscar. Neste momento, Jamie Vardy, do Leicester, tem 22 gols, seguido por Pierre-Emerick Aubameyang, com 20. Salah ficou com 19, mesmo número de gols de Danny Ings, do Southampton.

Depois de 24 vitórias seguidas do Liverpool em Anfield, o Burnley colocou uma pedra no caminho do time de Jürgen Klopp, que tropeçou e perdeu dois pontos em casa pela primeira vez nesta temporada. O empate dói para o Liverpool, que ainda queria, por que não, terminar com um aproveitamento perfeito em casa.

A última vez que o Liverpool não tinha vencido uma partida em Anfield tinha sido em 30 de janeiro de 2019, quando empatou com o Leicester, ainda na temporada 2018/19, que acabou com título do Manchester City. Isso, claro em jogos da Premier League, já que o Liverpool foi eliminado da Champions League nesta temporada perdendo do Atlético de Madrid em casa. Aliás, se formos resgatar a última derrota do Liverpool em casa, precisamos voltar até 23 de abril de 2017, quando o time perdeu do Crystal Palace por 2 a 1, com dois gols de Christian Benteke para os visitantes (e Philippe Coutinho marcando pelos Reds).

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