A ideia de fundir as ligas nacionais de Bélgica e Holanda sempre circulou, mas começa a ganhar contornos mais concretos. A Federação Holandesa de Futebol publicou um comunicado em seu site no qual afirma que um primeiro estudo de viabilidade sobre a chamada BeNeLiga (BElgium e NEtherlands, nomes dos países em inglês) foi promissor e que a segunda fase do processo foi colocada em andamento.

O comunicado informou que, antes do começo da temporada, os cinco maiores clubes da Bélgica (Gent, Club Brugge, Genk, Anderlecht e Standard Liège) reuniram-se com os seis da Holanda (Ajax, PSV, Feyenoord, AZ Alkmaar, Utrecht e Vitesse) para discutir o assunto. A empresa Deloitte conduziu a investigação inicial e constatou o “potencial aumento significativo de valor” que a união traria.

“Essa competição parece ser uma maneira eficaz de reduzir a diferença entre as cinco maiores competições europeias, tanto financeira, quanto esportivamente. Atualmente, a Bélgica e a Holanda têm duas competições que estão no meio da Europa, mas, juntas, podem se tornar a sexta competição da Europa”, explicou.

Negociações para a criação da Superliga Europa, envolvendo os maiores clubes do continente e efetivamente desvalorizando os campeonatos nacionais, fez com que Holanda e Bélgica tivessem medo de ficar em um limbo ou, pior ainda, muito distante do topo.

“A ambição de se juntar aos cinco primeiros da Europa também é inspirada pelas mudanças atualmente em discussão no nível europeu, com o risco de que o campo de jogo seja diluído em uma mistura de grandes e pequenas competições, no qual a faixa do meio desaparece”, escreveu a federação holandesa.

Anualmente, a própria Deloitte publica um relatório analisando as finanças dos clubes europeus. O último, sobre a temporada 2017/18, mostrou que nenhum clube de fora das cinco grandes ligas aparece entre os 20 com maiores faturamentos e apenas três estão entre os 30 – nenhum de Holanda ou Bélgica: Zenit (RUS), Besiktas (TUR) e Benfica (POR).

O Ajax teve € 91,9 milhões de receita naquela temporada – antes de chegar à semifinal da Champions e vender De Ligt e De Jong, o que certamente lhe fará dar um salto – muito longe do líder da lista, o Real Madrid (€ 750 milhões), do décimo colocado Tottenham (€ 428,3 milhões), do vigésimo colocado West Ham (€ 197,9 milhões) e do trigésimo colocado Benfica (€ 150,7 milhões).

“Com base nas descobertas atuais, foi decidido que há motivos suficientes para avançar para uma segunda fase do estudo de viabilidade. Entre outras coisas, o foco está no formato da competição da BeNeLiga, seus efeitos nas várias competições, bem como na análise de impacto por clube”, afirmou a federação, em nota.

Além dessas, há dúvidas a serem respondidas em relação aos clubes menores. Quantos integrantes estarão na primeira divisão da BeNeLiga? Quantos degraus profissionais? Como ficam os clubes amadores e semi-amadores? São questões importantes, e certamente haverá vozes contrárias, mas a ideia merece mesmo ser explorada.