Ajax e Getafe realizaram, nesta quinta-feira, outra partida pela Liga Europa com mais entreveros do que futebol. Após o encrespado duelo no Coliseum Alfonso Pérez, no qual os Ajacieden caíram na pilha dos Azulones, algo parecido se repetiria na Johan Cruyff Arena. Os jogadores voltaram a se estranhar, os treinadores discutiram rispidamente e até incidentes nas arquibancadas aconteceram. Mas, novamente, entrar no clima não fez bem ao Ajax. Os Godenzonen até venceram por 2 a 1, resultado insuficiente após os 2 a 0 na ida. Porém, não apresentaram um futebol convincente e tomaram sufoco do Getafe, que acertou a trave três vezes ao longo da noite.

Depois da partida, o técnico Erik ten Hag ainda não deu o braço a torcer para admitir a superioridade do Getafe. Mesmo com o controle dos Azulones durante os quase 180 minutos do confronto, o treinador manteve um discurso negacionista e disse que dava para “evitar a eliminação”. Ao menos, admitiu as falhas no jogo do Ajax. Foram apenas duas finalizações da equipe na ida e nove na volta, recordes negativos do clube na temporada.

“O Ajax poderia facilmente ter evitado a eliminação na Liga Europa. Foi uma queda desnecessária, em duas partidas. Deveríamos ter jogado com mais tranquilidade e ter feito nosso próprio jogo, não entrado no deles. Já estávamos em desvantagem, sobretudo por aquilo que aconteceu em Madri na última semana. Nesta quinta, tentamos a virada. Como dito: lutamos até o fim”, afirmou Ten Hag.

Ryan Babel, um dos mais incomodados com os imbróglios desde o jogo de ida, também comentou: “De novo vocês viram que eles valorizavam as faltas e faziam de tudo para influenciar o jogo. Não é fácil manter o foco desta maneira. Eles rolavam no chão a cada contato. Fizeram literalmente de tudo para convencer. Mas nós já sabíamos isso desde antes da ida. Também gostaria de corrigir algo: disseram que nós nos deixamos ser provocados pelos adversários, mas não era o problema. Ficamos irritados com o árbitro, sempre enganado”.

Um dos principais momentos de destempero na partida de volta aconteceu quando Ten Hag e Pepe Bordalás, técnico do Getafe, discutiram ardorosamente à beira do campo. O comandante do Ajax se queixou outra vez da ‘catimba’ dos espanhóis, mas preferiu não reclamar do árbitro: “O árbitro se saiu bem e eu agradeci pela partida, como faço depois de cada compromisso”.

“Bordalás começou a discutir com Daley Blind e isso é algo que você nunca deveria fazer como técnico. Eu me meti na discussão porque dou a cara por meus jogadores, e então recebi um cartão. Bordalás fez isso de propósito. Desde o primeiro instante eles tentaram parar a partida e fazer de tudo para que fosse impossível jogar futebol. É difícil enfrentar isso”, reforçou Ten Hag, durante sua coletiva.

Perguntado sobre o caso, Bordalás preferiu não fazer tempestade em copo d’água. “Fomos superiores. Na briguinha com Ten Hag, aconteceu pouca coisa. É que o Ajax passou o jogo todo só reclamando. Fomos superiores num ambiente quente. A nossa equipe não acuou. Eles protestavam por todos os lances e recriminei porque parecia uma intimidação”, declarou. O valenciano usou o psicológico para motivar sua equipe. Nas paredes dos vestiários em Amsterdã, colou frases de Frenkie de Jong criticando a postura dos Azulones em campo. O atual jogador do Barcelona empurrou mais os madrilenos.

“Tivemos que aguentar acusações durante toda a semana, esquentando a partida, dizendo coisas falsas. Demonstramos hoje nossa força com três bolas na trave, um gol legal anulado. Se isso é uma equipe defensiva, eu não sei o que é futebol. Eles marcaram dois gols, um contra. Fizemos uma eliminatória incrível. Estou orgulhoso pelos rapazes, deram uma lição de entrega, trabalho, honestidade, bom jogo… Um humilde eliminando um histórico, que não precisava esquentar a partida assim”, complementou Bordalás.

Já nas arquibancadas, a torcida do Ajax teve uma postura lastimável. Os anfitriões lançaram copos de cerveja e outros objetos no setor onde estavam as esposas, os filhos e os amigos dos jogadores do Getafe. Os visitantes precisaram sair do local, protegidos por membros da segurança do estádio. Acertaram, inclusive, crianças e bebês. A direção do Getafe denunciou o ocorrido à polícia local, assim como entrou com uma reclamação junto à Uefa.